Um dia antes da data para celebrar o dia do profissional de saúde, o enfermeiro Júlio César Vasconcellos de Azevedo estava em casa, no Campeche, em Florianópolis, de folga. Nesta quarta-feira (12), Dia do Profissional de Saúde, ele vai cumprir a rotina de quase três décadas: atender os pacientes da UTI (Unidade de Terapia Intensiva) do Hospital Celso Ramos, na Capital.
Júlio César, primeiro vacinado em SC, conta como é a rotina de trabalho no Dia do Profissional de Saúde – Foto: Léo Munhoz/NDJúlio foi a primeira pessoa, em Santa Catarina, a ser vacinada contra a Covid-19, doença que tem causado profunda tristeza no profissional. “É triste ver tanta gente sofrendo e morrendo. Nunca vi isso em tão pouco tempo. Antes, cuidávamos mais de pacientes pós-cirurgia, neurocirurgia ou acidentados. Agora, a maioria chega conversando, desesperado e com falta de ar. Uma situação muito diferente”, relata Júlio.
Em 18 de janeiro, o enfermeiro Júlio César, 28 anos dedicados à UTI do Celso Ramos, recebeu a primeira dose do imunizante contra a Covid-19. O aviso de que ele seria privilegiado veio por WhatsApp.
Seguir“Nem acreditei, mas logo caiu a ficha e eu tinha que ir mesmo. Foi muita alegria. Eu pensei: nossa, que honra, o primeiro em Santa Catarina”.
Para Júlio, a pandemia trouxe enorme preocupação com as pessoas, com a segurança no trabalho e com a saúde dos familiares. “Depois que veio a notícia da vacina, foi um alívio tremendo”.
Hoje, todos os colegas do Celso Ramos estão imunizados, mas os funcionários do hospital vivem o seu momento mais desafiador com o agravamento da pandemia.
Em 18 de janeiro de 2020 a primeira vacina contra a Covid-19 foi aplicada em Santa Catarina. Júlio César Vasconcellos de Azevedo é enfermeiro e foi o primeiro imunizado contra o vírus – Foto: Ricardo Wolffenbuttel/Secom/Divulgação/NDJúlio trabalha à noite no hospital, na supervisão de enfermagem. O papel dele é cuidar de curativos, passagem de sondas e organização do setor. Aluno da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) na década de 1980 tem saudades apenas dos colegas ao lembrar dessa época. “Depois que a gente começa a trabalhar, tudo muda”.
Aos 56 anos, ele está perto da aposentadoria, com 35 anos de serviço. É quando promete pensar no assunto. “Por enquanto tenho força, saúde, posso dar muito ainda para as pessoas e fazer muito na minha profissão”, garante.
Do medo de hospital à escolha da profissão
Sem pensar em aposentadoria, Júlio César continua na missão de cuidar das pessoas que lutam pela vida na UTI do Celso Ramos. Desde que foi imunizado, ele se sente mais seguro para executar a enfermagem. “A gente continua cuidando, no trabalho, com a mesma paramentação, mas no dia a dia, nas visitas aos familiares, é mais tranquilo”.
Na família de seis irmãos, apenas Júlio é profissional da saúde. “Eu queria uma área onde pudesse trabalhar com pessoas. Por isso escolhi enfermagem. Não tenho nenhum exemplo de pessoas que trabalhassem na área, fui pela curiosidade”, conta.
Antes da decisão, ele não se imaginava trabalhando em hospital. “Eu não passava nem na frente de hospital na juventude”, lembra. Hoje, é diferente: o medo ficou para trás, dando espaço à vontade de ajudar pessoas e salvar vidas.
Plantas e bichos
Nas horas vagas, em casa, Júlio gosta de cuidar do jardim, das plantas e dos bichos. Ele tem três pets: Menina, uma gata; Jovi, uma cadela e Bahuan, um cachorro. “Convivem bem, mas não deixam nenhum outro animal entrar”, brinca o enfermeiro.