Procedimento raro e inédito para tratar câncer é feito em hospital de Florianópolis

Paciente com melanoma avançado pode receber carga de quimioterapia bem maior do que o corpo poderia suportar pelo procedimento convencional

Receba as principais notícias no WhatsApp

Um procedimento raro e inédito para tratamento de um câncer melanoma avançado foi realizado neste mês no Hospital de Caridade, em Florianópolis.

Hospital de Caridade, em Florianópolis – Foto: Leo Munhoz/NDHospital de Caridade, em Florianópolis – Foto: Leo Munhoz/ND

Foi feita uma perfusão isolada do membro, em que foi possível aplicar doses de quimioterapia na região acometida pelo tumor 20 vezes maior do que o corpo poderia suportar por meio do método convencional. A paciente recebeu alta e já apresenta sinais de redução do tumor.

A cirurgia foi realizada pelo cirurgião oncológico Eduardo Zanella Cordeiro, e uma equipe composta por outros cirurgiões oncológicos, anestesistas, assistentes de anestesia, auxiliares de ortopedia e auxiliares de enfermagem.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

O procedimento foi realizado para tratar uma mulher de 45 anos, moradora da Grande Florianópolis, com melanoma avançado. De acordo com o cirurgião oncologista, a paciente já tinha sido operada três vezes.

“Ela tem o melanoma restrito à perna e foi ascendendo para a coxa, o que chamamos de doença em trânsito. Antes do procedimento, a paciente fez todos os exames para certificarmos de que ela não tinha melanoma em outras partes do corpo”, explicou.

O médico explica que o procedimento foi escolhido porque com o tratamento cirúrgico a doença estava voltando, e para retirar o tumor completamente seria preciso amputar a perna.

“A solução foi usar a perfusão isolada de membro. Dissecamos a artéria e a veia femoral, trancamos a circulação da perna e a colocamos interligada à uma máquina de ligação extracorpórea para circular o sangue isolado do corpo, e, assim, administramos a quimioterapia, o que permitiu que o membro com tumor recebesse uma dose de quimioterapia 20 vezes maior do que o organismo poderia suportar numa quimioterapia convencional”, relatou Eduardo.