Desde segunda-feira (5), gestantes não devem ir diretamente ao Hospital Universitário Professor Polydoro Ernani de São Thiago, da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), em Florianópolis, sem antes passar por outra unidade de saúde.
Agora, a maternidade do HU receberá apenas casos de gravidez de alto risco e passa a funcionar em regime de “referenciamento”, ou seja, os demais pacientes serão encaminhados para outras unidades de saúde via NIR (Núcleo Interno de Regulação). A informação foi confirmada pelo hospital, mas a mudança no atendimento ainda é motivo de dúvidas entre os profissionais de saúde da unidade.
As gestantes não devem ir ao HU sem passar primeiro por outra unidade de saúde – Foto: UFSC/Divulgação/NDA mudança gera confusão tanto para quem recebe as gestantes quanto para quem encaminha para outras unidades, como Centros de Saúde, UPAS (Unidade de Pronto Atendimento) e outras maternidades.
SeguirUma das profissionais de saúde do município ouvidas pelo ND+ relatou que ela e os colegas se dizem “perdidos” no processo de redirecionamento das mulheres grávidas. A maior dúvida é se o Hospital Universitário continuará atendendo mulheres que estão prestes a dar à luz, por exemplo.
Procurada, a assessoria de imprensa do Hospital Universitário reforçou que apenas devem ir ao local as gestantes que fazem pré-natal de alto risco ou de medicina fetal no HU-UFSC. As demais devem procurar outras unidades de saúde.
“Elas não devem ir ao Hospital sem passar por outra unidade de saúde antes. Logicamente, se procurar o hospital direto inadvertidamente e estiver em período expulsivo, logicamente será atendida”, disse a assessoria.
Segundo a SES/SC (Secretaria do Estado da Saúde), além do HU-UFSC, há apenas a Carmela Dutra como opção gratuita para que mulheres possam dar à luz em Florianópolis. Outra opção seria a maternidade do Hospital Regional de São José, cidade vizinha. A pasta acredita que a mudança deve trazer aumento na demanda para estes hospitais. Confira a nota:
“A Secretaria de Estado da Saúde entende que poderá haver um aumento na demanda de partos e emergências nas Maternidades Carmela Dutra e Hospital Regional de São José com o fechamento desta área no Hospital Universitário, na Grande Florianópolis. No entanto, reforça que todas as estruturas ambulatoriais do Estado estão preparadas para absorver a demanda, garantindo que nenhuma paciente fique desassistida”.
O HU explicou que em casos de emergência, o hospital continuará prestando atendimento. Outra informação é que o objetivo do “referenciamento” é garantir o atendimento qualificado e integral, bem como a segurança das pacientes, além de enfrentar os problemas de constante superlotação resultante do aumento da demanda. Não haverá alteração no número de casos atendidos dentro do acordado.
HU admite problema de superlotação na maternidade do local – Foto: Pixabay/Divulgação /NDSuperlotação
O problema de superlotação é uma realidade na maternidade do HU. O hospital tem capacidade para 150 partos por mês, mas, desde o final de 2021, vem registrando um aumento na demanda na ordem de 60%.
Atualmente, o Hospital Universitário tem em seu contrato de prestação de serviços no SUS (Sistema Único de Saúde) o compromisso de atender 4.500 casos de emergência (pediátrica, obstétrica e adulto) por mês, mas, desde janeiro deste ano, são atendidos em média 5,8 mil pacientes, e 25% destes são mulheres com quadro gineco-obstétricos.
De acordo com a UFSC, todos os serviços relacionados à saúde da mulher (como atendimento à mulheres vítimas de violência sexual) serão mantidos. Na prática, o que muda é que, com o fim do regime de porta aberta, as pacientes devem procurar a unidade básica de saúde, as unidades de pronto atendimento e outros hospitais da rede, que ficarão responsáveis pelo encaminhamento para o HU-UFSC.
O Hospital explica ainda que o direcionamento de onde o parto será feito é definido juntamente com as gestantes no pré-natal.