Um programa de saúde pública de Joinville está prestes a ser reconhecido internacionalmente, mas precisa do apoio da população.
Até as 20h desta terça-feira (18/5), o público pode votar pela internet e ajudar o Joinvasc, programa público de tratamento de Acidente Vascular Cerebral (AVC) de Joinville, a ser premiado como a melhor iniciativa mundial em valor em saúde.
Programa público de tratamento de AVC de Joinville conquistou importantes resultados com a prevenção e tratamento da doença e conseguiu reduzir 37% a incidência de casos.- Foto: Rogério da Silva, Secom/Divulgação NDO Joinvasc é um dos 12 finalistas do prêmio Value-Based Health Care (VBHC) Prize 2021 (prêmio de saúde com base em valores), organizado pelo Decision Institute, da Holanda.
SeguirA condecoração é realizada anualmente e reconhece iniciativas inspiradoras, fundamentadas no valor em saúde e que conseguem entregar resultados de excelência aos pacientes.
Além de já estar entre os finalistas mundiais, indicados por especialistas internacionais, o Joinvasc também pode ganhar força na disputa pelo prêmio por meio da votação popular.
Como votar?
Para votar, basta acessar o site www.vbhcprize.com ou clicar no link http://bit.ly/votaçãoprêmiovbhc. O site está em inglês. Ao final do primeiro parágrafo há um hiperlink com a palavra “here”.
Ao clicar ali, o usuário é direcionado para a página com todos os indicados ao prêmio. O Joinvasc está no item 6. Selecione ao fim da página digite o seu e-mail no campo indicado e clique em “vote”. Até o momento, o programa joinvilense lidera a votação popular.

A solenidade de premiação e o anúncio do projeto ganhador deste ano ocorrerão dia 19 de maio e serão transmitidos pela internet, diretamente de Amsterdã, na Holanda.
Durante o evento virtual, que terá a participação de integrantes do Joinvasc, serão realizadas seis rodadas de perguntas e discussão com o comitê avaliador que vai eleger o projeto vencedor do Value-Based Health Care (VBHC) Prize 2021.
37% menos casos
Desde que foi iniciado pela Prefeitura de Joinville, na década de 1990, o programa público de tratamento de AVC de Joinville conquistou importantes resultados com a prevenção e tratamento da doença e conseguiu reduzir 37% a incidência de casos.
Hoje, o Hospital Municipal São José (HMSJ), unidade que conduz o programa, atende a mais de 80% dos pacientes que sofrem um acidente vascular cerebral, em Joinville.
De acordo com números do Joinvasc, na década de 1990, de cem pacientes que sofriam um AVC, 26% morriam após um mês. Em 2005, esse número caiu para 21%; em 2010, para 15,5% e, atualmente, o índice de mortalidade por AVC é de 11,1%.
Alexandre Luiz Longo, médico coordenador do programa Joinvasc. – Foto: Rogério da Silva/Secom/Divulgação NDO neurologista Alexandre Luiz Longo, médico coordenador do programa Joinvasc, detalha por que Joinville é referência no tratamento da doença.
“Os pacientes com ACV precisam chegar rapidamente ao hospital para receber a terapêutica adequada, e ao longo dos anos o projeto foi melhorando essa assistência. Joinville se tornou pioneira no atendimento de AVC por causa desse programa”, explica Longo.
Joinville, aliás, foi a primeira cidade brasileira a receber e adotar a terapia trombolítica, medicamento que dissolve o coágulo que se forma quando o paciente tem um AVC isquêmico. Essa medicação começou a ser usada no município em 2004 e no SUS só em 2010.
“Então, seis anos antes já fazíamos esse procedimento aqui.”
O mesmo ocorre com o cateterismo cerebral (trombectomia mecânica), que o SUS incorporou apenas ano ao serviço público. Ainda nem está aplicando porque é só recomendação. E Joinville já faz isso desde 2012.
“Com esse projeto, conseguimos fazer com que haja melhora da assistência ao paciente de AVC, em todos os níveis, desde a prevenção, tratamento hospital e até pacientes que eventualmente tiverem alguma sequela”, complementa Alexandre Luiz Longo.
Custo do tratamento
Para o Hospital Municipal São José, um paciente vítima de AVC custa, durante o seu internamento, cerca de R$ 11 mil, e inclui tratamento completo, realizado por equipe multidisciplinar com especialistas de diversas áreas e aplicação de todos os procedimentos necessários.
Segundo o médico neurologista Henrique Diegoli, integrante do Joinvasc, esse valor pode representar apenas 10% do custo de um paciente vítima de AVC, considerando medicações, fisioterapia e outras despesas que poderiam recair sobre o sistema de saúde e as famílias. Sem contar, ainda, com o alto índice de recuperação dos pacientes, sem a presença de sequelas graves.
“O custo do tratamento reflete apenas uma fração do que pode representar para a sociedade, que terá a perda da produtividade do paciente e de familiares que precisarão deixar as suas atividades para cuidar dele. Temos no Joinvasc a visão de entender quanto essa perda de oportunidades representa para a sociedade e para o próprio paciente”, comenta o médico.