“Quem procura acha e quem acha cura!”, afirma a presidente da Amucc (Associação Brasileira de Portadores de Câncer), Simone de Souza Lopes, 49 anos. A associação é uma das que se organiza para conscientizar a população, em Florianópolis, sobre a prevenção contra o câncer, em especial o câncer de mama, o de maior incidência nas mulheres.
Na sede da Amucc, a voluntária Maria Machado e tantas outras ajudam e são ajudadas – Foto: Leo Munhoz/NDAlém da Amucc, a rede Feminina de Combate ao Câncer e a Avoc (Associação de Voluntários do Cepon) atuam em prol da causa. Só em Santa Catarina, a estimativa é de que cerca de 3,3 mil casos de câncer de mama surjam na população todo ano.
A campanha Outubro Rosa existe para reforçar a importância do diagnóstico precoce: 95% dos casos podem ser curados quando as pacientes descobrem e tratam cedo a doença.
SeguirA gaúcha Maria Machado, 57 anos, em Florianópolis desde 2002, teve o diagnóstico do câncer de mama em 2007. Após o tratamento, obteve a cura e, desde então, faz os exames de rastreamento.
Ano passado, 14 anos após iniciar o atendimento no Cepon (Centro de Pesquisas Oncológicas), ouviu de uma médica que deveria ganhar alta, porque não havia indícios de retorno da doença. No entanto, desde 2019 ela desconfiava do contrário e após as investigações teve a confirmação.
Maria Machado está na segunda batalha contra o câncer e é uma das voluntárias da Amucc – Foto: Leo Munhoz/ND“Descobrimos, em 2021, que estou com a doença ativa nos linfonodos do mediastino, nas partes moles, onde não posso operar. Agora, faço quimioterapia e estamos obtendo sucesso. Já diminuiu bastante”, afirma Maria.
Ela, que é voluntária da Amucc, enfrenta o segundo câncer e, em paralelo, descobriu um meningioma na cabeça. “Graças a Deus não era maligno, mas abri a cabeça para tirar e fiquei sem a testa, em novembro de 2021. Em maio deste ano, abri de novo para “fazer a testa”, mas mesmo assim ainda tenho cicatrizes e utilizo lenço”, conta.
Voluntariado e empatia ajudam na recuperação
Vivendo um desafio atrás do outro, Maria Machado tira forças de onde nem ela sabe explicar. Na Amucc, ajuda e é ajudada. “Quando as pacientes são atendidas por alguém que passou por um tratamento, ou está passando, elas se sentem no mesmo patamar. O tratamento não é fácil, mas temos que seguir em frente, porque tem um bem maior, que é a vida. Todo dia, quando acordamos, é agradecer por estarmos vivas e continuar, isso já é um ganho para nós”, declara.
Recentemente, com a voz amansada, mas ainda cheia de energia para viver e toda disposição para vencer o câncer, mais uma vez, Maria tem seus momentos de fraqueza, mas não deixou a confiança de lado.
“Às vezes, me perguntam como me sinto. Quando tive esse segundo diagnóstico deu vontade de falar que, depois de 14 anos, tantos meses, tantos dias, a doença voltou, mas não podemos tirar a esperança dos outros. Quando me perguntam como me sinto, digo que não gostaria de estar doente novamente, mas temos que acreditar no que pregamos, que é a esperança, que vale a pena viver. Temos uma força interna que ninguém explica”, reforça.
Mamografia a partir dos 40 anos
Visando dar força a mais pessoas com os desafios de Maria, a Amucc tem voluntários trabalhando o ano inteiro. O planejamento para outubro começa nos primeiros meses do ano. Em 2022, o mote da campanha da Amucc é “A gente se cuida”.
“Saímos de um isolamento de dois anos em que não se tinha acesso a praticamente nada, ou era exame de Covid, ou urgência. Viemos com essa proposta para que as pessoas comecem a olhar um pouco mais para si. No câncer de mama não conseguimos falar em prevenção, mas em diagnóstico precoce. Quanto mais cedo o diagnóstico, melhor a chance de cura”, ressalta a presidente da Amucc, Simone de Souza Lopes.
Segundo Simone, no sistema privado, a recomendação é fazer o exame de mamografia a partir dos 40 anos, uma vez por ano. No caso do SUS (Sistema Único de Saúde), os centros de saúde fazem o exame dos 50 a 69 anos. Percebendo casos cada vez mais cedo nas mulheres, a Amucc tenta reduzir para 40 anos no sistema público também.
As amigas e voluntárias da Amucc, Maria Machado, Simone Santos e Cleusa da Costa – Foto: Leo Munhoz/NDSerá a primeira campanha totalmente presencial após a pandemia. “Estamos voltando com palestras nas empresas e associações. Além disso, teremos campanha de rua, conscientização, entregando material informativo, conversando com as mulheres, explicando a importância do exame”, conta Simone. Na quarta-feira (5), quem passar no Ticen (Terminal de Integração do Centro) da Capital vai encontrar as voluntárias da Amucc distribuindo material informativo.
Quem quiser ajudar a causa pode ser voluntário. O capital humano é a maior necessidade da Amucc. Além disso, a população pode fazer doação de cabelo. A associação tem um banco de perucas e qualquer mulher que precise pode procurar Amucc. Lenços e turbantes também são doados às pacientes. O mesmo vale para abraços, apoio, palavras amigas, noções sobre direitos, amor e esperança.