Todos os dias ouvimos falar em novos casos da varíola dos macacos. No último relatório da Dive (Diretoria de Vigilância Epidemiológica), divulgado no dia 6 de setembro, havia 816 notificações em Santa Catarina, sendo 131 casos confirmados. Destes, 95,5% são homens com idades entre 18 e 40 anos. Em uma semana, o número de casos aumentou quase 40% no Estado.
Para saber a real ameaça do avanço da doença, quais os principais sintomas de varíola dos macacos e a hora certa de procurar um médico, o Portal ND+ conversou com três especialistas. Acompanhe abaixo o que eles falaram.
Pacientes desenvolvem uma erupção na pele que pode formar bolhas – Foto: Reprodução/Divulgação NDMartoni Moura e Silva, infectologista, defende que o momento adequado para procurar o médico é logo no início dos sintomas, caso o paciente tenha tido contato com alguém que teve diagnóstico confirmado ou esteve em deslocamento por locais com maior número de casos.
Seguir“A dinâmica neste momento é a mesma que tivemos no início da pandemia de Covid-19”, lembra Martoni.
“Ao início dos sintomas, devemos procurar o médico ou serviço especializado para ser feito o diagnóstico, isolamento e possivelmente iniciar o antiviral Tecovirimat (aprovado em caráter emergencial pela Anvisa) em até cinco dias de doença a fim de evitar nas populações de alto risco uma evolução desfavorável com complicações e óbito”, complementa o infectologista.
Quanto ao temor de explosão de casos, Martoni acredita que, se a gestão pública não fizer campanhas de informação e criar fluxos tanto no serviço público quanto no privado, certamente poderemos ter um descontrole dos casos, e, possivelmente, um pânico desnecessário instalado.
“É preciso disseminar as informações verdadeiras, educar a população com informações da doença e fluxo de atendimento ao início dos sintomas. Caso seja feito o papel correto pelo gestor público, não há motivos para preocupações maiores”, recomenda.
Lesões nas mucosas são um dos sintomas – Foto: Reprodução/@joaotweep/ND“Momento é de atenção”
Para o infectologista Luiz Henrique Melo, coordenador médico da Vigilância em Saúde em Joinville, o momento é de atenção. Os casos estão progressivamente aumentando.
Em Joinville, no Norte de Santa Catarina, por exemplo, já são 16 confirmados, sendo o segundo município do Estado em número de casos. Florianópolis lidera com 47 casos.
É fato que ações estão sendo implementadas no intuito, principalmente, de prevenir a disseminação da doença. Em Joinville, por exemplo, foi lançada uma nota de alerta com definição de casos suspeitos justamente para orientar os profissionais de saúde nessa identificação. A partir disso, é feita a coleta para exame.
A doença não é considerada de alta letalidade, mas não se descarta a possibilidade de morte.
Principais sintomas de varíola dos macacos
De modo geral, a doença causa um incômodo ao paciente com o longo período de isolamento e lesões na pele.
Inicialmente, a doença tem um período de incubação longo que vai de uma até três semanas, isso antes do início dos sintomas. Em seguida, começam lesões na boca ou na região genital (mucosas). Depois, aparecem manchas no corpo em locais distintos.
Aí vem as lesões características, como se fossem pequenas bolinhas de pus que se rompem e causam as crostas. Além da erupção cutânea, adenomegalia (os gânglios ou linfonodos inchados), pode dar febre, mialgia (dor no corpo), cefaleia (dor de cabeça), calafrio e fraqueza.
“Desde o início das lesões nas mucosas até o desaparecimento das casquinhas das feridas é o período em que ocorre a transmissão da doença”, alerta o infectologista Luiz Henrique Melo.
Ele recomenda procurar uma unidade de saúde assim que aparecerem lesões na pele. “Na dúvida, procurem atendimento porque esta é a melhor forma de prevenção e disseminação da doença”, conclui o especialista.
ND+ também conversou com a infectologista Carolina Cipriani Ponzi. Segundo ela, o momento de procurar o médico varia de paciente para paciente. Mas se houver febre por 2 ou 3 dias, seguida de lesões de pele, é importantíssimo que se procure uma unidade de saúde.
“Como se trata de uma doença que não é transmitida por via respiratória (até onde se tem conhecimento), creio que não teremos um problema de grande magnitude”, acrescentou Carolina.
*Colaborou Maikon Costa, da NDTV Record Joinville.