Quase 8% das crianças possui algum tipo de alergia alimentar; confira as principais

Para quem não sabe, os casos de alergia alimentar são respostas anômalas do sistema imunológico contra uma proteína de determinado alimento

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Redação ND Florianópolis

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Você tem alergia a algum alimento? No Brasil não existem estatísticas oficiais, porém cerca de 8% das crianças de até 2 anos de idade, e 2% dos adultos têm algum tipo de alergia alimentar, segundo um estudo realizado pela WAO (Organização Mundial de Alergia).

alergia alimentarQuase 8% das crianças e 2% dos adultos possuem alergia alimentar – Foto: Freepik/Divulgação/ND

Entre os dias 15 a 19 de maio, acontece  a Semana de Conscientização em Alergia Alimentar e o ASBAI (Departamento Científico de Alergia Alimentar da Associação Brasileira de Alergia e Imunologia) preparou um material para esclarecer as principais dúvidas sobre o tema.

Alergia alimentar

Esse problema é uma espécie de resposta anômala do sistema imunológico contra uma proteína de determinado alimento. Para esses casos ocorrerem deve existir uma predisposição genética e, pelo incrível que pareça, o ambiente pode influenciar no meio ambiente neste processo.

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Ao reconhecer a proteína como algo prejudicial, o sistema imunológico deflagra algumas respostas que acabam por se manifestar em forma de sintomas desagradáveis e potencialmente graves.

Os sintomas de alergia alimentar são bastante variados e podem se manifestar como vermelhidões locais isoladas ou até um colapso cardiovascular. Entre as manifestações possíveis, destacam-se:

1. Cutâneas

Nestes casos, o paciente pode apresentar urticária, inchaço nos olhos, bocas e orelhas e, além disso, é comum aparecer coceiras pelo corpo.

A dermatite atópica, lesão de pele extremamente pruriginosa (muita coceira), está associada a alimentos apenas nas formas mais graves (dermatite ou eczema disseminados pelo corpo e não apenas em dobras de cotovelos e joelhos).

2. Gastrointestinais

Diarreias e vômitos aparecem de maneira imediata. Um mecanismo imunológico conhecido por “não mediado por IgE” pode acarretar sintomas gastrintestinais mais tardios, horas ou dias após a ingestão (leite e soja são os alimentos mais comumente relacionados).

Nos sintomas mais tardios o paciente pode apresentar diarreia com ou sem sangue, refluxo exacerbado, perda de peso, vômitos prolongados.

3. Respiratória

O paciente apresenta falta de ar e chiado no peito, conhecido como broncoespasmo, e pode ocorrer de forma rápida logo após a ingestão do alimento. Quem não possui asma equilibrada é mais predisposto a esse sintoma.

Porém, é importante ressaltar que sintomas crônicos do sistema respiratório, como asma e rinite, dificilmente são manifestações de alergia alimentar quando não houver alterações cutâneas ou gastrintestinais.

4. Cardiovasculares

Essa é a forma mais grave da doença. Nesse caso, o paciente apresenta a queda da pressão arterial, levando a desmaio, tontura e arroxeamento dos lábios, o que caracteriza choque anafilático.

É importante lembrar que a definição de anafilaxia não é apenas quando o paciente apresenta sintomas respiratórios ou cardiovasculares. Quando dois ou mais sistemas, como o cutâneo e gastrintestinal, são acometidos é caracterizado como anafilaxia.

É possível ser alérgico à lactose?

Não, não existe alergia à lactose. Mas o que pode acontecer é a pessoa ser alérgica ao leite ou ter intolerância à lactose.

Quando o paciente apresenta alergia, seu organismo tem uma reação à proteína, seja a do leite ou de um outro alimento, como o ovo, e isso é muito comum. As reações alérgicas podem ser graves e até fatais.

Nos casos de intolerância à lactose, o indivíduo apresenta um desconforto no aparelho digestivo devido a uma reação ao açúcar do leite. Nesses casos, não existem riscos graves para a saúde.

Alimentos que causam alergia

Os oito alimentos mais comuns são: leite, ovo, soja, trigo, amendoim, castanhas, peixes e frutos do mar.

Mas, vários outros alimentos ocupam espaço na lista dos alérgenos, como as sementes, por exemplo o gergelim, e algumas frutas. A frequência de alergia a amendoim e castanhas aumentou entre a população pediátrica nos últimos anos.

Na primeira exposição ao alimento é possível ter uma reação alérgica?

Para apresentar uma reação alérgica, o indivíduo deverá ter tido algum contato com o alimento previamente, o que leva à sensibilização, que é a formação de anticorpos sem reação clínica.

Algumas vezes, esse contato não ocorre de maneira óbvia, por meio da ingestão. A sensibilização pode ocorrer por meio de contato com a pele, como por exemplo, os  cremes, hidratantes e pomadas que contenham proteínas de alimentos em sua composição, como leite e algumas castanhas, ou até mesmo via leite materno.

Alguns alimentos são ingeridos várias vezes antes do paciente apresentar reações, como os frutos do mar. Outros, como o leite e ovo, geralmente não necessitam de um tempo prolongado de exposição antes de desencadear sintomas.

As alergias podem ser curadas?

Alimentos como leite, ovo, trigo e soja, tipicamente iniciados na infância, causam alergias mais efêmeras e grande maioria perde a alergia até a segunda década de vida.

Amendoim, castanhas, peixes e frutos do mar, passíveis de iniciar em qualquer idade, são tipicamente persistentes por toda a vida do indivíduo. As características das respectivas proteínas parecem estar relacionadas com a história natural da doença.

Alergia alimentar pode ser fatal

A maior parte das anafilaxias em crianças de até 5 anos de idade ocorre por alimentos, com chance de morte se não prontamente atendidas.

Ainda que seja medicado na emergência no momento da reação, o paciente deverá ser observado por algumas horas, uma vez que há chance de apresentar a mesma reação horas depois.

No caso de ser a primeira reação, ainda que não anafilática, e o paciente ou a família não estiverem cientes do tratamento, a procura por atendimento médico também é recomendada.

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