‘Que ajude a ter consciência’: estudante da UFSC de 34 anos morre de dengue em Florianópolis

Morte por dengue do estudante do curso de Engenharia de Aquicultura, Alessandro César de Souza, se soma a outras 59 em Santa Catarina; Portal ND+ entrevistou amigos e familiares da vítima

Foto de Ana Schoeller

Ana Schoeller Florianópolis

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Alessandro César de Souza, de 34 anos, estudante do curso de Engenharia de Aquicultura da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), morreu de dengue no dia 16 de maio. O jovem se juntou a outras 59 vítimas da doença em Santa Catarina somente em 2023.

Dengue matou o jovem de apenas 34 anos Jovem morreu de dengue no último dia 16, em Florianópolis – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/ND

Rosangela Nascimento, tia de Alessandro, disse que o jovem amava Florianópolis e que estava realizado em morar na cidade. Natural de Conchal, no interior de São Paulo, o estudante era conhecido pela família como um sonhador apaixonado pela profissão.

“Ele era apaixonado pela profissão, apaixonado pela vida. É até difícil de falar. Alessandro cresceu em uma cidadezinha do interior de São Paulo e sempre teve sonhos grandes”, relembra a tia, com lágrimas nos olhos.

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A mãe de Alessandro, Ionice Marques, de 55 anos, diz que o filho sonhava em morar fora do país.

“Nunca tive nenhuma reclamação do meu filho, desde a pré-escola. Gostava muito da família e dos amigos e viveu a vida intensamente”, conta.

A mãe faz o apelo para que as pessoas se conscientizem sobre a importância do combate à dengue pois a doença é “muito séria”.

“Eu infelizmente estava longe dele, não pude fazer nada. Sempre cuidei quando ele morava comigo”, encerra a mãe.

O estudante morreu no Hospital Celso Ramos, no Centro de Florianópolis. O corpo foi enterrado na cidade da família, no interior de São Paulo.

A UFSC chegou a divulgar uma nota de pesar sobre a morte do estudante. Nela, a universidade declara que a comunidade universitária, enlutada, solidariza-se com a família e os amigos de Alessandro.

SC chega a 60 mortes por dengue e 57.369 casos

Alessandro colecionava amigos. Um deles, Rafael Marquez, deseja que a história do amigo sirva de conscientização para as pessoas no combate à dengue.

Ao todo, já são 57.369 pessoas confirmadas com a doença no Estado. Segundo a Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina), há ainda outros 57.027 casos que permanecem como suspeitos no sistema de notificação.

Dos confirmados, 46.140 são autóctones (transmissão dentro do Estado) distribuídos em 125 municípios de Santa Catarina, sendo que 33 municípios atingiram o nível de epidemia.

A caracterização de epidemia ocorre pela relação entre o número de casos confirmados e de habitantes. A OMS (Organização Mundial da Saúde) define o nível de transmissão epidêmico quando a taxa de incidência é maior que 300 casos de dengue por 100 mil habitantes.

Em Florianópolis, há 8.110 casos confirmados da doença. Destes, 10 pessoas já morreram, a última delas foi Alessandro.

Há ainda 40 casos de chikungunya confirmados em Santa Catarina. A doença também é transmitida pelo mosquito Aedes aegypti.

Já são 44.527 focos registrados do mosquito no Estado.

Quanto mais escuro o tom na imagem, maior o número de focos do mosquito da dengue na região – Foto: Reprodução/Dive/NDQuanto mais escuro o tom na imagem, maior o número de focos do mosquito da dengue na região – Foto: Reprodução/Dive/ND

Sorotipos de dengue

Segundo a Dive, em relação aos sorotipos circulantes da doença no Estado, foram identificados os sorotipos DENV1 eDENV2. O DENV1 é o sorotipo predominante.

A FioCruz (Fundação Oswaldo Cruz) explica que há quatro tipos de vírus da dengue: Den-1, Den-2, Den-3 e a Den-4. Eles pertencem à família Flaviridae e são vírus que só contêm RNA. Eles são da mesma família do vírus que causa a febre amarela, e tanto a dengue quanto a febre amarela são transmitidas pelo mesmo mosquito, o Aedes aegypti.

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