Enquanto todos os países estão em fase de expectativa para a oferta de uma vacina contra a Covid-19, a Rússia afirmou ter dado um largo passo. O país anunciou que uma vacina que está sendo produzida no país passou no período de testes em humanos nesta segunda-feira (13), passando a ser a primeira nação a cruzar esta linha.
A previsão do começo da circulação do imunizante é para a metade de agosto ainda deste ano, embora haja controvérsia quanto a rapidez dos resultados. Os pesquisadores de campo se mostram céticos com o fato de os testes terem sido feitos em dois grupos e começado em junho.
Atualmente 21 vacinas estão na fase de testes em humanos e a mais avançada é a de Oxford – Foto: Reprodução/Pixabay/NDO questionamento se dá, também, com relação ao fato de o país dar a notificação sem aguardar demais resultados e reações. Foram testados um grupo de 38 voluntários saudáveis, de 18 a 65 anos, e um grupo de 47 militares.
SeguirTodos ficaram cerca de 28 dias isolados, para evitar outras infecções, e mostraram-se imunes e sem reações anormais. Alguns tiveram, depois de 24 horas, algumas dores de cabeça e alta na temperatura corporal.
“A pesquisa foi concluída e provou que a vacina é segura”, disse Yelena Smolyarchuk, chefe do centro de pesquisa clínica da Universidade Sechenov, à agência de notícias russa TASS.
Atualmente, existem ao menos 21 vacinas em estado de testes em humanos, segundo a OMS (Organização Mundial da Saúde).
Destas, estão no Brasil a de Oxford e a do Instituto Butantã, ambas na terceira fase de testes. No total são 141 candidatas sendo investigadas, e a em estágio mais avançado é a de Oxford.
Outras vacinas desenvolvidas rapidamente
A vacina mais rápida já produzida foi a da caxumba, que levou quatro anos, na década de 1960. Especialistas afirmam que a primeira vacina a ser concluída não deve ser, necessariamente, a melhor.
A mais avançada, de Oxford, demonstrou algumas falhas em testes com macacos. Apesar de os animais não terem ficado doentes, foi encontrado o vírus na mucosa nasal deles, mostrando que a transmissão ainda poderia ser possível.
A viabilidade da chegada de alguma vacina desenvolvida no Brasil dependerá de estrutura e de aparato que pode depender da formulação.
Assim a estrutura exigida para uma vacina produzida hoje pode ser muito maior do que uma exigida para uma vacina “à moda antiga”, segundo a microbiologista Natalia Pasternak, pesquisadora do Instituto de Ciências Biomédicas da USP, divulgadora científica e criadora do Instituto Questão de Ciência. Ela integra grupo que está desenhando cinco projetos de pesquisa para buscar uma vacina.
“Ao mesmo tempo, elas são mais fáceis de fazer em laboratório, rendem mais por litro. Então vamos ter de pensar numa estrutura se quisermos trabalhar com essas vacinas mais modernas. E tem a questão de distribuição. DNA é uma molécula mais estável, mais fácil de armazenar e de transportar. RNA é super frágil. Temperatura afeta muito sua estabilidade. Vamos ter de pensar como acondicionar, como transportar para não degradar. Tudo isso vai influenciar como a gente produz e distribui”, diz, em debate promovido pelo jornal O Estado de S. Paulo.