Saiba por que o mosquito prefere você e não a pessoa que está ao seu lado

Mosquitos como o pernilongo foram os protagonistas de um estudo que entendeu por que nem todo mundo sofre com seus ataques

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Redação ND Florianópolis

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Certamente você já viveu situações em que parou para se perguntar por que pernilongos o escolhem, mas não aquela pessoa que está a seu lado. E enquanto se coça e tenta se livrar dos ataques, a outra pessoa está ali, sem ser incomodada. Não se desespere, pois não se trata de maldição ou “aquelas coisas que só acontecem com você”. A ciência explica.

Mosquitos realmente escolhem as vítimas e preferem um tipo específico – Foto: – Foto: iStock/divulgação/NDMosquitos realmente escolhem as vítimas e preferem um tipo específico – Foto: – Foto: iStock/divulgação/ND

Lesleie Vosshall, que é professora da Rockefeller University, em Nova York, estudou a situação cientificamente e entendeu o que acontece nesses casos. O tema virou artigo publicado na revista “Cell”, na última terça-feira (18). De fato, os mosquitos são mais atraídos por alguns humanos em detrimento de outros. Mas, como isso acontece?

Meias de nylon

A cientista Maria Elena De Obaldia, à frente do estudo, utilizou uma cúpula de vidro acrílico. Nela, foram inseridas meias de nylon, utilizadas por 64 voluntários. Eles usaram essas meias durante algumas semanas, seis horas por dia, deixando “rastros” como secreção corporal – suor, por exemplo.

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Depois de retiradas, duas das meias foram colocadas dentro da câmara de vidro. Por isso a experiência foi batizada como “ensaio olfatômetro de duas escolhas”. Com duas meias por vez inseridas na câmara, os pesquisadores colocaram no mesmo ambiente mosquitos Aedes aegypti, transmissores da dengue e febre amarela. A ideia era observar qual das meias atrairia mais os insetos.

Estudo usou voluntários e mosquitos como o Aedes aegypti, que transmite dengue e febre amarela  – Foto: pxhere/Divulgação/NDEstudo usou voluntários e mosquitos como o Aedes aegypti, que transmite dengue e febre amarela  – Foto: pxhere/Divulgação/ND

Desse modo, foi possível detectar a quem os mosquitos escolhiam e o contrário. Em seguida, os “imãs de pernilongos” – aqueles que usaram as meias prediletas pelos mosquitos – tiveram a pele examinada. Assim, os cientistas identificaram 50 compostos moleculares mais evidentes nesses voluntários. Uma coincidência que levou à conclusões.

Aqueles preferidos pelos pernilongos tinham taxas de ácido carboxílico muito altas em sua pele, se comparados aos que menos atraíam os mosquitos. As pessoas com peles mais hidratadas têm maior potencial para atrair esses insetos. Esses ácidos carboxílicos são comuns no sebo, que cria uma barreira natural. Assim, ajuda a pele a ficar mais hidratada. O preço, no entanto, são as picadas.

A química atrativa acontece quando “bactérias boas” trituram esses ácidos e, nesse processo, “produzem o cheiro característico dos humanos”, diz Lesleie Vosshall. É justamente esse odor, de acordo com a pesquisadora, que atrai os pernilongos.

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