Os trabalhadores do Samu (Serviço de Atendimento Móvel de Urgência) da Grande Florianópolis planejam paralisar parcialmente os serviços na próxima semana.
Trabalhadores do Samu organizam paralisação parcial na próxima semana – Foto: Divulgação/PMB/NDA decisão foi tomada em assembleia organizada pelo SindSaúde/SC (Sindicato do Trabalhadores em Estabelecimentos de Saúde Pública Estadual e Privado de Florianópolis e Região). O encontro foi realizado na noite desta quinta-feira (11).
Segundo o SindSaúde/SC, a data para realização do ato ainda não foi definida, mas deve ser anunciada até segunda-feira (15). A ideia é interromper os serviços por um dia.
SeguirOutras paralisações ou paralisações mais amplas podem ocorrer caso os impasses com a OZZ Saúde, empresa privada que faz a gestão do Samu em Santa Catarina, não sejam solucionados.
O que foi discutido
Uma das pautas do encontro desta quinta diz respeito à liminar emitida pela Justiça do Trabalho no início de fevereiro que permitiu o bloqueio de R$ 167 mil da OZZ Saúde.
A ação coletiva foi movida pelo SindSaúde/SC que cobrou reajustes salariais e pagamentos de direitos trabalhistas atrasados e parcelados.
A empresa terceirizada teria entrado com ação judicial pela suspensão do bloqueio. Na reunião, os trabalhadores decidiram se posicionar pela manutenção do bloqueio dos valores, como forma de garantir o pagamento por parte da OZZ Saúde.
Os trabalhadores informarão essa posição no processo, mas a decisão final sobre a manutenção ou suspensão do bloqueio cabe à Justiça.
Em dezembro, reportagem do ND+ relatou o drama vivido por trabalhadores do Samu, que denunciaram problemas no recebimento do 13º salário, no depósito do FGTS (Fundo de Garantia do Tempo de Serviço) e no reajuste salarial.
Sistema de atendimento das ocorrências
Além das questões relacionadas aos pagamentos dos trabalhadores, impasses envolvendo serviços essenciais aprofundam ainda mais a crise no Samu.
O SindSaúde informou que o sistema de regulação das ocorrências dos atendimentos do Samu (CR-SAMU) em todo o Estado estava fora do ar na noite desta quinta-feira.
Desta forma, as ocorrências tiveram que ser organizadas pelos trabalhadores manualmente. Isso acarreta no aumento do tempo-resposta do atendimento das ocorrências, impactando na qualidade da assistência ao cidadãos.
Nesta sexta-feira (12), o SindSaúde/SC informou que o sistema está funcionando, mas que apresenta instabilidade.
Iminência do desligamento
No início de fevereiro, a OZZ Saúde encaminhou ofício ao governo estadual comunicando que havia sido notificada pela prestadora de serviço de tecnologia do Samu sobre o iminente desligamento do sistema CR-Samu, marcado para acontecer a partir da meia noite desta quinta-feira. A interrupção ocorreria por falta de pagamento das faturas.
Em ofício anterior, a OZZ comunicou o Estado sobre o corte da internet nas centrais de regulação de Chapecó, Lages e Joaçaba.
Os pagamentos do software que opera o sistema de regulação e da internet das centrais, de acordo com a OZZ, seria de responsabilidade do Estado. Contudo, quem estaria arcando com os custos desde o início do contrato seria a terceirizada.
A Secretaria de Estado da Saúde informou, por meio da Superintendência de Urgência e Emergência, que o contrato firmado com a OZZ é amplo e engloba toda a prestação de serviço para gerir o Samu.
Disse que a nota referente ao desligamento da internet era inverídica já que o Estado buscou soluções para evitar o problema, como a migração de rede para instituições próprias.
Segundo a Superintendência, a OZZ já vinha sendo notificada e cobrada quanto ao descumprimento de cláusulas contratuais.
Sistema não chegou a ser interrompido
Conforme a empresa, o sistema de regulação não chegou a ser suspenso como estava previsto porque o Estado teria feito um acordo com a gestora do software.
O governo do Estado e a OZZ Saúde reafirmaram na manhã desta sexta-feira (12), que o sistema de regulação não foi desligado em nenhuma central de regulação e que segue ativo e operando normalmente.