Santa Catarina atinge recorde de casos de dengue em 2021

Primeiro semestre de 2021 já superou todo o ano de 2020 em número de casos; cidades do Norte do Estado já enfrentam epidemia da doença

Redação ND Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

Santa Catarina atingiu um número recorde nas confirmações de casos de dengue nesta sexta-feira (11). Somente em 2021, mais de 12 mil catarinenses já foram infectados pelo vírus que é transmitido pelo mosquito Aedes aegypti. Esse número supera o registrado em 2020, que foi de 11.376.

97% dos casos registrados neste ano são autóctones – Foto: Secom/Divulgação/ND97% dos casos registrados neste ano são autóctones – Foto: Secom/Divulgação/ND

Segundo dados divulgados pela Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica), dos 12.002, 97% deles, ou seja, 11.720, são autóctones, o que significa que a transmissão da doença ocorreu dentro do próprio Estado.

O mosquito do Aedes aegypti foi identificado em 217 municípios de Santa Catarina, o que mostra um aumento de 96,9% nos focos de mosquitos no período entre 1 de janeiro e 5 de junho deste ano.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

A Dive/SC também relata que as cidades de Joinville, Navegantes e Santa Helena enfrentam uma situação de epidemia por conta do número elevado de contaminações. A OMS (organização Mundial da Saúde) considera epidemia quando a taxa de incidência supera os 300 casos por 100 mil habitantes.

O diretor da Dive/SC, João Augusto Brancher Fuck, ressalta a necessidade de cada cidadão “vistoriar” a cidade. “O mosquito está presente em Santa Catarina. Então, é preciso estar atento às condições do município e aos sinais do paciente para suspeitar da doença e realizar o manejo clínico correto”.

Sinais e sintomas

Uma pessoa infectada pela dengue costuma apresentar, primeiramente, febre alta (39° a 40°C) de início abrupto, com uma duração média de dois a sete dias. Também é comum apresentar episódios de dor de cabeça, fraqueza, dores no corpo, nas articulações e no fundo dos olhos.

Manchas pelo corpo podem estar presentes em 50% dos casos, e há possibilidade da coloração atingir locais com a face, tronco, braços e pernas. A perda de apetite, náuseas e vômitos também podem acometer os infectados.

Transmissão da doença

Num geral, o mosquito Aedes aegypti pode transmitir três doenças: dengue, zika vírus e chikungunya.

“A melhor estratégia de prevenção dessas doenças continua sendo a eliminação de locais que possam acumular água. O cenário do estado só reforça que as medidas de prevenção são necessárias e fundamentais para evitar novos casos e até óbitos”, destaca Ivânia Folster, gerente de zoonoses da Dive/SC.

O problema é grave porque até 100 ovos são colocados por vez em um único local, mas o mosquito pode usar mais de um depósito ao mesmo tempo, o que pode causar uma grande população destes insetos que transmitem a doença.

Nesses locais os ovos podem durar até um ano e meio. Em contato com a água, os ovos se desenvolvem e evoluem rapidamente. O mosquito adulto surge num ciclo de aproximadamente sete dias.

Orientações para evitar a proliferação do Aedes aegypti

Por fim, vale ressaltar alguns dos hábitos que se deve adotar para frear a criação e contaminação do mosquito:

  • evite usar pratos nos vasos de plantas. Se usá-los, coloque areia até a borda;
  • guarde garrafas com o gargalo virado para baixo;
  • mantenha lixeiras tampadas;
  •  deixe os depósitos d’água sempre vedados, sem qualquer abertura, principalmente as caixas d’água;
  • plantas como bromélias devem ser evitadas, pois acumulam água;
  • trate a água da piscina com cloro e limpe-a uma vez por semana;
  • mantenha ralos fechados e desentupidos;
  • lave com escova os potes de comida e de água dos animais no mínimo uma vez por semana;
  • retire a água acumulada em lajes;
  • dê descarga, no mínimo uma vez por semana, em banheiros pouco usados;
  • mantenha fechada a tampa do vaso sanitário;
  • evite acumular entulho, pois ele pode se tornar local de foco do mosquito da dengue;
  • denuncie a existência de possíveis focos de Aedes aegypti para a Secretaria Municipal de Saúde;
  • caso apresente sintomas de dengue, chikungunya ou zika vírus, procure uma unidade de saúde para o atendimento.

Tópicos relacionados