Santa Catarina vira assunto nacional após vídeos de festas lotadas no Réveillon

Perfil no Instagram reúne vídeos de festas que desrespeitam as medidas de segurança no combate à Covid-19; virada do ano teve baladas lotadas no litoral do Estado

Foto de Drika Evarini e Ian Sell

Drika Evarini e Ian Sell Joinville e Florianópolis

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Santa Catarina virou assunto nacional após o registro de festas de Revéillon lotadas.

Baladas, shows e festas estavam lotados em SC na virada do ano – Foto: Reprodução/Redes SociaisBaladas, shows e festas estavam lotados em SC na virada do ano – Foto: Reprodução/Redes Sociais

Se na Justiça o embate entre governo do Estado e Ministério Público continua por conta da liberação de hotéis, eventos sociais e casas noturnas, na virada de ano as aglomerações não se limitaram às praias.

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Mesmo em meio à situação crítica da pandemia, o Ano-Novo foi marcado por aglomerações em Santa Catarina. Conforme o mais recente boletim do governo estadual, são 497.345 casos confirmados e 5.314 mortes em decorrência da Covid-19.

Perfil expõe festas em Santa Catarina

Com inúmeras denúncias que circulam nas redes sociais, o perfil @brasilfedecovid foi criado no Instagram para expor e denunciar festas e aglomerações no Brasil. Entre elas estão festas no litoral de Santa Catarina.

O registro trouxe indignação e gerou debate por parte dos usuários, que consideraram as aglomerações como “falta de respeito e bom senso”.

“Isso nos prova que a ignorância não tem nada a ver com classe social”, escreveu uma usuária. “E quem morre é o pobre que trabalha pra essa gente”, disse outra.

“Espero que essas pessoas não prejudiquem seus familiares, que não tem culpa da irresponsabilidade deles”, disse outro internauta.

Entre os locais citados estão casas noturnas conhecidas e badaladas de Santa Catarina, como o Café de La Musique, em Florianópolis, o Habbitat, em Itajaí, e o Hakkô Club, em Porto Belo.

“Boate Habbitat, na Praia Brava, em Santa Catarina. Uma das campeãs de denúncias nas últimas hora”, escreveu o perfil em uma das publicações. Em todos os vídeos, a página marca o perfil do governador Carlos Moisés e do Ministério Público.

Contrapontos

O ND+ entrou em contato com as casas de shows e beach clubs. O Cafe de La Musique, que foi flagrado recentemente com aglomeração durante um ‘brunch’, se manifestou por meio de nota alegando que “está operando com capacidade de público reduzida, sem listas ou venda de ingressos, apenas com reserva de mesas”. O local afirma, ainda, que tem cumprido com as medidas exigidas.

Confira a nota na íntegra:

“O Cafe de la Musique – Jurerê Internacional está operando com capacidade de público reduzida. Sem listas ou venda de ingressos, apenas com reserva de mesas.

Nos cercamos de todas as medidas exigidas: distribuição de máscaras para todos os clientes ao entrar, aferição de temperatura, uso de máscaras por toda a equipe, álcool em gel por toda a parte e divisor de acrílico entre as mesas (piscinas) do deck e bangalôs, talheres e itens do restaurante higienizados e embalados individualmente. 

Nossos seguranças e equipe de salão atua intensamente no controle dos clientes em suas respectivas mesas, solicitando que fiquem em seus espaços, minimizando a circulação e aglomeração”.

Em contato com a reportagem do ND+, um dos sócios da Habittat, Jonathan Lugano, afirmou que a casa vem seguindo todas as normas de ocupação durante o verão e que não desrespeitou as regras.

“No nosso Réveillon montamos todo o clube, que tem liberação dos bombeiros para 1.800 pessoas, como restaurante, com DJ, tudo conforme liberado. O clube é muito grande e não teve nenhum fechamento da polícia por desrespeito às regras”, afirma.

“No Réveillon estávamos com a nossa capacidade de 50% como restaurante. Foram fechadas todas as outras casas, então o pessoal começou a vir para a frente do Habittat, causando ‘muvuca’, tentando entrar sem poder, usando a força”, explica Lugano.

Ainda segundo o sócio, imagens do dia mostram que o número de pessoas registradas respeita o estipulado pelo decreto do governo de Santa Catarina.

“Nós também não temos culpa que o decreto muda toda hora. Trabalhamos com antecipações, contratamos decoração, montagem e artistas antes, toda hora isso muda, fica complicado”, reclama. Lugano finaliza dizendo que o assunto será tratado de maneira jurídica.

A reportagem tenta contato desde domingo (3) com a Hakkô Club, em Porto Belo, por telefone, WhatsApp e redes sociais. No entanto, não obteve retorno e está aberta ao posicionamento.

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