Saúde alega ‘alterações técnicas’ após suspender divulgação de dados sobre Covid-19 em SC

Desde início de abril, boletins epidemiológicos do Estado deixaram de divulgar dados sobre a pandemia no formato PDF

Redação ND Florianópolis

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As recentes mudanças no formato de divulgação de dados da pandemia da Covid-19 em Santa Catarina vem dividindo opiniões. Desde início de abril, a SES (Secretaria de Estado de Saúde) deixou de divulgar os boletins epidemiológicos no formato PDF , que podiam ser baixados e apresentavam um resumo das informações de forma mais didática.

Último boletim epidemiológico divulgado no formato PDF – Foto: SES/Divulgação/NDÚltimo boletim epidemiológico divulgado no formato PDF – Foto: SES/Divulgação/ND

Por meio de nota, a SES justificou a ausência e disse que o site que engloba os dados do novo coronavírus no Estado “passa por alterações técnicas que se fazem necessárias”. Ainda que não estejam mais sendo divulgados no formato PDF, o órgão estadual reforçou que os dados continuam disponíveis de forma completa na plataforma.

“O website www.coronavirus.sc.gov.br permite a pesquisa em doze páginas, com opções de filtros por região e localidade. O mecanismo pode ser acessado na aba transparência\painéis\casos e óbitos.”, explicou a nota.

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Boletim da UFSC fala em prejuízo

O Necat (Núcleo de Estudos de Economia) da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina) se baseava nos boletins da Saúde para construir uma série de indicadores que apontavam as principais tendências semanais da Covid-19 em Santa Catarina.

Em nota de esclarecimento divulgada nesta terça-feira (20), o Necat afirma que a interrupção da divulgação dos dados nos boletins teria causado “implicações diretas sobre séries estatísticas que foram sendo construídas e analisadas ao longo do primeiro ano de pandemia.”

A interrupção coincide com a troca de gestão na saúde efetuada pelo governo interino em Santa Catarina. Segundo o professor Lauro Mattei, que coordena o Necat, as mudanças prejudicam a divulgação de “informações relevantes”.

Mattei destaca, por exemplo, que os arquivos em PDF eram relevantes “porque permitiam a formação de uma base de dados de cada município que poderia ser consultada a qualquer momento.”

Além disso, diz que os dados acumulados de casos por municípios não estão mais disponíveis e registra também a ausência de informações relativas à ocupação dos leitos de UTI, “bem como a demanda não atendida pela falta desses equipamentos hospitalares, ou seja, a fila de espera por uma UTI para tratamento da Covid-19”.

O professor fala em “precarização da publicização das informações relativas à pandemia”. Sobre os leitos de UTI, a SES destacou que a plataforma é atualizada duas vezes ao dia e disponibiliza filtro por unidade hospitalar.

Confira o último boletim epidemiológico em PDF:

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