Saúde investiga se morte de bebê em hospital de SC está relacionada à falta de leitos de UTI

Secretaria de Estado da Saúde informou que 19 crianças estão à espera de leitos de UTI oferecidos pelo SUS no Estado

Bruna Stroisch Florianópolis

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Um bebê de dois meses morreu no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis, na madrugada do último sábado (11), após sofrer três paradas cardiorrespiratórias.

A SES (Secretaria de Estado da Saúde) investiga se a morte pode ter ocorrido pelo fato do recém-nascido não ter sido transferido para um leito de UTI.

Bebê de dois meses morreu no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis – Foto: Mariana Passuello/NDBebê de dois meses morreu no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis – Foto: Mariana Passuello/ND

O painel de leitos de UTI oferecidos pelo SUS, atualizado na manhã desta segunda-feira (13), mostra que todos os 29 leitos ativos da unidade estão ocupados.

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Por meio de nota, a SES informou que até o momento, não há confirmação de que a criança tenha morrido por não ter sido transferida para uma UTI.

A SES disse ainda que está em contato com o hospital para entender a situação clínica do recém-nascido desde a entrada na unidade até o momento do óbito. O bebê já havia sido internado em outra ocasião.

Segundo a pasta, a morte foi causada por uma bronquiolite, que é uma infecção nos bronquíolos, ramificações dos brônquios que levam oxigênio aos pulmões.

Ao ND+, a presidente da Sociedade Catarinense de Pediatria, Nilza Perin, informou que o estado de saúde do bebê era muito grave. Todo o atendimento à criança foi feito na emergência. Perin também reiterou que não havia leitos de UTI disponíveis no momento.

“O primeiro atendimento foi feito. Era um caso muito grave. Infelizmente, mesmo apesar de todo o atendimento dentro do hospital, quem trabalha com saúde sabe que óbitos acontecem tanto na UTI quanto na emergência”, disse.

O MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) informou que a 10ª a Promotoria de Justiça da Capital está ciente do caso e requereu informações à Secretaria de Estado Saúde. O órgão aguarda retorno para avaliar a situação.

Cenário estadual dos leitos

No cenário estadual, a taxa de ocupação de leitos de UTI pediátricos é de 98,9%. Resta um leito disponível na região do Planalto Norte e Nordeste.

Já os leitos de UTI neonatais atingiram a capacidade máxima de atendimento. Todos os 173 leitos ativos estão ocupados.

De acordo com informações da SES, obtidas pelo ND+ na manhã desta terça-feira (14), 19 crianças estão à espera de leitos de UTI oferecidos pelo SUS no Estado.

São 11 pacientes que aguardam uma vaga em leito de UTI pediátrica. Destes, 10 apresentam problemas respiratórios e um possui necessidade de serviço especializado de UTI para outra doença.

Eles estão divididos nas regiões do Estado, sendo quatro no Sul, um no Planalto Norte e Nordeste, cinco na Serra, e um no Grande Oeste Catarinense .

Na UTI neonatal, há oito pacientes aguardando transferência. Todos eles apresentam necessidade de serviço especializado de UTI para outras doenças, que não são respiratórias. Dois estão no Vale do Rio Itajaí e seis no Grande Oeste Catarinense.

Há também dois pacientes aguardando transferência para leito de UTI adulto nos hospitais de referência.

Um deles está relacionado a doenças respiratórias e o outro possui necessidade de serviço especializado de UTI para outra doença. Ambos estão localizados na Foz do Rio Itajaí.

Abertura de novos leitos

A SES afirmou que, até o momento, já foram abertos seis novos leitos de UTI neonatal e oito de cuidados intermediários pediátricos. As novas unidades estão divididas entre a Grande Florianópolis, Meio-Oeste e Serra.

Segundo a pasta, esses são os primeiros dos 82 leitos previstos, entre pediátricos e neonatais, que farão parte dos atendimentos do serviço único de saúde.

Além disso, 10 novos leitos de UTI e 17 de enfermaria voltadas ao atendimento de adultos foram entregues no Hospital Florianópolis, localizado na parte continental da Capital.

Veja a nota da SES:

A Secretaria de Estado da Saúde investiga as causas da morte de um bebê registrada no Hospital Infantil Joana de Gusmão, em Florianópolis.

Até o momento, não há qualquer confirmação de que o lamentável fato tenha ocorrido em decorrência da não transferência do paciente para a Unidade de Terapia Intensiva (UTI). A situação está sendo averiguada junto à unidade hospitalar para entender a situação clínica do recém-nascido desde a entrada no hospital até o momento do óbito.

Assim que os fatos forem devidamente apurados, a SES emitirá nota oficial sobre o caso.

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