Santa Catarina já registrou sete casos de febre amarela em humanos em 2021. Duas pessoas morreram em decorrência da doença. O aumento nas notificações e confirmações em macacos acendem o alerta para a circulação do vírus no Estado.
Blumenau registrou morte por febre amarela – Foto: Prefeitura de BlumenauDe acordo com a Dive (Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina), os casos confirmados da doença foram nas cidades de Águas Mornas, Anitápolis, Blumenau, Imbituba, São Bonifácio e Taió. Um morador de Águas Mornas e outro de Blumenau, mais recentemente, acabaram morrendo.
O Estado recebeu a notificação de 473 casos suspeitos em macacos em 56 municípios, segundo o boletim mais recente divulgado pela Dive no início de maio.
SeguirDestes, 121 foram confirmados com a doença, 298 tiveram a causa da morte indeterminada, 21 foram descartados e 33 permanecem em investigação.
Em caso de suspeita da doença, o caso deve ser comunicado às autoridades de saúde por telefone ou e-mail em até 24 horas. Ainda segundo a Dive, as notificações de adoecimento ou mortes de macacos são importantes, uma vez seja possível detectar a circulação do vírus precocemente e adotar medidas de controle.
Estudo explica como doença avança
Estudos de avaliação de risco vem sendo realizados pela Dive em parceria com os estados do Paraná, Rio Grande do Sul e São Paulo, Ministério da Saúde e Fiocruz. Com isso, é possível estimar a velocidade de deslocamento do vírus pelos corredores ecológicos em 3 quilômetros por dia.
Ainda segundo o relatório, o vírus está percorrendo as regiões do Nordeste, Planalto Norte, Médio Vale do Itajaí e Alto Vale do Rio do Peixe. Além disso, está se expandindo para a região da Serra, Alto Vale do Itajaí e Xanxerê.
Na imagem abaixo é possível visualizar a avaliação de risco nas regiões do Estado. As áreas destacadas em vermelho, indicam onde existe maior potencial de circulação e disseminação do vírus, por conta da baixa cobertura vacinal.
Febre Amarela em Santa Catarina – Foto: Dive/Reprodução“É fundamental a vacinação de todas as pessoas não vacinadas, especialmente aquelas que residem ou trabalham em áreas silvestres ou próximas as matas. Ressalta-se que toda a expansão da circulação do vírus está associada à ocorrência do ciclo silvestre da doença, não havendo até o momento nenhum indício da sua urbanização”, ressalta a Dive.
A doença
A febre amarela é causada por um vírus transmitido por algumas espécies de mosquitos. A transmissão não é feita diretamente de uma pessoa para outra.
Vacina contra a febre amarela está disponível nos postos de saúde equipados com sala de vacina – Foto: Divulgação/Prefeitura de Blumenau/NDPara isso, é necessário que o mosquito pique uma pessoa infectada e, após o vírus ter se multiplicado (entre nove a 12 dias), pique um indivíduo que ainda não teve a doença e não tenha sido vacinado.
Os sintomas aparecem, em média, entre três e seis dias após a picada do mosquito transmissor infectado. No entanto, a doença pode demorar até 15 dias para se manifestar.
As primeiras manifestações da doença são repentinas: febre alta, calafrios, cansaço, dor de cabeça, dor muscular, náuseas e vômitos por cerca de três dias.
A forma mais grave da doença é rara e costuma aparecer após um breve período de bem-estar (até dois dias), quando podem ocorrer insuficiências hepática e renal, icterícia (olhos e pele amarelados), manifestações hemorrágicas e cansaço intenso.
A maioria dos infectados se recupera bem e adquire imunização permanente contra a febre amarela.
Como tratar?
Não existem remédios para a doença. A única forma de prevenção da febre amarela é a vacina, que fornece imunização com apenas uma dose em 95% a 99% dos vacinados.
A vacina contra Febre Amarela é elaborada a partir de vírus vivo atenuado, que estimula a produção de anticorpos contra a doença. Está indicado no calendário vacinal a partir dos nove meses de idade, exceto para aquelas em situação com condições de imunização especial.
Segundo a Dive, até o mês de dezembro de 2020, a cobertura vacinal em Santa Catarina é de 76,74%.
Vacinação da febre amarela em Santa Catarina – Foto: Dive/Reprodução