SC apresenta aumento de casos de SRAG em crianças de 5 a 11 anos, aponta Fiocruz

Apesar do cenário nacional de queda nos casos de SRAG, faixa etária teve aumento de aproximadamente 309% na média móvel

Redação ND Florianópolis

Receba as principais notícias no WhatsApp

O boletim InfoGripe da Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) divulgado nesta quinta-feira (31) aponta que Santa Catarina foi um dos estados que apresentou aumento nos casos de SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) na faixa etária dos 5 aos 11 anos. O crescimento dos números está ligado ao início do ano letivo, apontam os pesquisadores.

SC apresenta aumento de casos de SRAG em crianças de 5 a 11 anos, aponta Fiocruz – Foto: PMP/Divulgação/NDSC apresenta aumento de casos de SRAG em crianças de 5 a 11 anos, aponta Fiocruz – Foto: PMP/Divulgação/ND

O boletim é referente à Semana Epidemiológica (SE) 12, que compreende o período de 20 a 26 de março de 2022. A investigação tem como base os dados inseridos no Sivep-Gripe (Sistema de Informação de Vigilância Epidemiológica da Gripe) até o dia 28 de março.

De acordo com os pesquisadores, apesar do cenário de queda nos casos de SRAG em todas as faixas etárias da população adulta, crianças de 5 a 11 anos apresentaram um aumento de aproximadamente 309% na média móvel.

Faça como milhões de leitores informados: siga o ND Mais no Google. Seguir

Isso ocorreu entre a primeira semana de fevereiro e a semana mais recente em diversos estados, incluindo Santa Catarina, e no Distrito Federal.

Já no grupo de 0 a 4 anos, os dados apontaram um aumento de cerca de 110% no mesmo período. Nas outras faixas etárias, Santa Catarina obteve tendência de queda nos casos de SRAG.

O ND+ questionou a Secretaria de Estado da Saúde sobre os dados apresentados pela Fiocruz e solicitou posicionamento do órgão, mas não houve retorno até a publicação desta reportagem. O espaço permanece aberto.

Veja a evolução dos casos por faixa etária em SC:

Casos de SRAG em SC por faixa etária – Arte: Fiocruz/Reprodução/NDCasos de SRAG em SC por faixa etária – Arte: Fiocruz/Reprodução/ND

Causas do crescimento

O documento indica, ainda, que na faixa etária de 0 a 4 anos os dados laboratoriais preliminares sugerem que o crescimento expressivo a partir desse período possa estar relacionado a um aumento nos casos associados ao VSR (vírus sincicial respiratório).

Já no grupo de 5 a 11 anos, os números sugerem interrupção de queda nos resultados positivos para Sars-CoV-2 (Covid-19) em fevereiro e aumento na detecção de outros vírus respiratórios em março.

“Nessas duas faixas etárias, o início do crescimento, que se mantém até o presente boletim, coincide com o início do ano letivo”, afirma o pesquisador Marcelo Gomes, coordenador do InfoGripe.

De acordo com o Vacinômetro SC, 38,1% das crianças entre 5 e 11 anos receberam a primeira dose da vacina contra a Covid-19 em Santa Catarina, segundo atualização desta quinta-feira.

Entre a população adulta, o estudo mostra uma desaceleração gradual na taxa de queda, indicando entrada em regime de estabilidade, com exceção da população acima de 70 anos, que ainda apresenta queda semanal expressiva, por terem sofrido maior impacto durante o pico do início do ano.

Casos de SRAG

Mais de 102.565 casos de SRAG foram notificados durante o ano epidemiológico 2022 até o dia 28 de março. Entre eles, 59.091 (57,6%) com resultado laboratorial positivo para algum vírus respiratório, 28.919 (28,2%) negativos, e ao menos 9.185 (9,0%) aguardando resultado.

Dentre os casos positivos do ano corrente, 5,6% são Influenza A, 0,1% se referem a Influenza B, 3,4% estão ligados ao vírus sincicial respiratório (VSR), e a maior fatia – 87,3% – tem relação com o SARS-CoV-2 (Covid-19).

De modo geral, a análise da Fiocruz indica que Santa Catarina apresenta tendência de queda nos casos de SRAG a longo prazo, ou seja, nas últimas seis semanas.

Já sete das 27 unidades federativas apresentam sinal de crescimento na tendência de longo prazo: são eles, Amapá, Ceará, Espírito Santo, Maranhão, Paraíba, Roraima e Sergipe.

Acre, Distrito Federal, Pernambuco, Piauí e Tocantins apontam para estabilidade na tendência de longo prazo. No entanto, três unidades apresentam sinal de crescimento apenas na tendência de curto prazo (últimas 3 semanas): Acre, Piauí e São Paulo.

Tópicos relacionados