SC chega a 558 mortes por SRAG, mas Estado nega subnotificação da Covid-19

Número de casos notificados de SRAG também teve disparada no Estado, com 3.922 neste ano contra 677 no mesmo período de 2019

Catarina Duarte Florianópolis

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O número de mortes por SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave) aumentou 675% em Santa Catarina até o dia 8 de junho, em relação ao mesmo período do ano passado.

Dados divulgados pela Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica) mostram que, neste ano, houve 558 mortes pela síndrome no Estado. Em 2019, no mesmo intervalo, foram 72 óbitos. O órgão, no entanto, nega relação com o novo coronavírus, que também causa a complicação respiratória.

Mortes por Síndrome Respiratória aumentam em Santa Catarina – Foto: Reprodução/NDMortes por Síndrome Respiratória aumentam em Santa Catarina – Foto: Reprodução/ND

A comparação foi realizada com base nos boletins da Influenza, vírus que pode causar a gripe. O documento mais recente foi divulgado no dia 8 de junho e compreende casos de SRAG notificados desde 29 de dezembro de 2019, até a data da publicação.

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O boletim de 2019 usado para comparativo entre os dados foi divulgado no dia 7 de junho pela Dive. Ele corresponde aos casos notificados entre 30 de dezembro de 2018 até a data da publicação do documento. Em 2019, foram registrados 240 mortes pela SRAG, número que foi superado já em maio deste ano.

O mês de maio foi o que teve o maior percentual de aumento no número de óbitos. Eram 283 no primeiro boletim do mês, divulgado no dia 11, chegando a 498 mortes notificadas em 1º de junho. Isso representa um aumento de 75% em cerca de três semanas.

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Além das mortes, o número de casos notificados de SRAG também disparou em 2020 no Estado, com um aumento de 479%. O boletim mais recente registrou 3.922 casos da síndrome, contra 677 em 2019.

Casos podem ter sido causado pela Covid-19

O boletim da Influenza divide os casos de SRAG pelas causas que podem ter levado à complicação do quadro. Os boletins dividem as mortes pela síndrome em cinco tópicos principais:

  1. Por influenza (incluindo suas subtipagens, como H1N1 e H3N2)
  2. Não especificada (vírus desconhecido, já descartadas influenza e Covid-19)
  3. Em investigação (aguardando resultado do laboratório)
  4. Por outros agentes etiológicos (como fungos e protozoários)
  5. Por outros vírus respiratórios (aqui inclui suspeitas da Covid-19)

É nesta última que estão casos da síndrome que podem ter sido causados pela Covid-19.

Em Santa Catarina, a causa exata de 872 ocorrências de SRAG não é especificada. De acordo com o boletim, esses casos podem ter sidos causados pelo VSR (Vírus Sincicial Respiratório), o adenovírus, o rinovírus e o Sars-Cov2 – que provoca a Covid-19. Das 558 mortes pela síndrome, 170 também se enquadram neste cenário.

Questionada pela reportagem sobre qual seria o número de casos da Covid-19 entre essas ocorrências, a Dive/SC afirmou que todos foram testados e confirmados por um dos vírus citados anteriormente. A Diretoria, no entanto, não especificou quantos desses casos pertencem a cada um. O motivo seria o foco do boletim no vírus Influenza.

Contudo, a Dive afirma que os caso de SRAG positivos para a Covid-19 já foram contabilizados nos dados oficiais sobre a doença no Estado.

Segundo o último boletim divulgado pela Secretaria de Estado da Saúde, na noite deste domingo (14), Santa Catarina tem 13.360 casos confirmados e 195 mortes pelo novo coronavírus.

Por que os casos de SRAG aumentaram?

A Dive/SC foi questionada sobre o que justificaria o aumento no número de casos de SRAG em Santa Catarina. Segundo a Diretoria, era esperado um crescimento nas notificações da Influenza a partir de março, início de um período de sazonalidade do vírus na região Sul.

“Além disso, a pandemia da Covid-19 colaborou para que houvesse um aumento de pacientes internados com SRAG e uma procura maior dos pacientes pelos serviços hospitalares, além de maior sensibilização dos profissionais de saúde para notificação dos casos”, disse a Dive/SC por meio da assessoria.

A Diretoria garantiu, ainda, que testou todas as mortes por SRAG para a Covid-19, incluindo as confirmadas entre os óbitos causados por “outros vírus respiratórios”. Segundo o órgão, mesmo com aumento no número de internações pela síndrome, “o sistema público de saúde, com leitos de UTI e enfermaria, tem conseguido atender a demanda neste momento”.

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