O governo de Santa Catarina descartou a possibilidade de iniciar uma campanha emergencial de vacinação contra a Covid-19 com a tríplice viral. De acordo com o coordenador da pesquisa da UFSC (Universidade Federal de Santa Catarina), Edison Natal Fedrizzi, a decisão foi informada em uma reunião no dia 15 de março, e teria sido justificada pela falta de condições de realizar mais uma campanha em todo o Estado.
Estado recusa campanha de vacinação com tríplice viral após receber resultados preliminares de estudo da UFSC – Foto: Marcelo Camargo/Agência BrasilA Dive (Diretoria de Vigilância Epidemiológica) e SES (Secretaria de Estado da Saúde), emitiram notas ressaltando que os resultados preliminares ainda são insuficientes e aguardam a publicação oficial do artigo científico.
No início do mês de março, os pesquisadores da UFSC enviaram ao Estado resultados preliminares de um estudo que indica uma redução de 76% no número de internações por Covid-19.
SeguirA ideia era solicitar uma campanha emergencial de imunização em massa para o público dos grupos não prioritários, que ainda não têm previsão de receber a vacina específica contra a doença.
Segundo informações passadas pelo coordenador da pesquisa, durante uma reunião realizada no dia 15 de março o governo catarinense teria avisado que não há condições de promover uma terceira campanha de vacinação simultaneamente em todo o Estado, visto que, além da vacinação contra a Covid-19 em curso, em abril começa a imunização contra a gripe.
Governo diz que aguarda o fim da pesquisa
A reportagem do ND+ entrou em contato com a Dive e com a SES (Secretaria de Estado da Saúde), mas o retorno é de aguardo para a conclusão oficial do estudo.
A Dive emitiu uma nota destacando que a decisão se deu porque o órgão ainda não possui dados concretos da pesquisa.
“Até o momento a Diretoria de Vigilância Epidemiológica (DIVE/SC) que é vinculada à Superintendência de Vigilância em Saúde (SUV), da Secretaria de Estado da Saúde Santa Catarina, não recebeu os resultados definitivos da pesquisa.
Assim, só é possível tomar uma decisão com os resultados finais da pesquisa, que devem ser disponibilizados para a comunidade científica e revisado por pares.”
Já a SES alega que os resultados preliminares ainda são insuficientes.
“A SES/SC informa que os resultados preliminares da pesquisa apresentados até o momento não servem de base para a recomendação do uso da VTV (vacina tríplice viral) para a Covid-19 como medida de saúde pública. Recomenda-se o prosseguimento da pesquisa, para que mais informações possam ser coletadas.
A prioridade no momento é a vacinação contra a Covid-19, realizada com as vacinas já autorizadas pela Anvisa, e a vacinação contra a influenza (gripe), programada para iniciar na segunda quinzena de abril.”
Segundo o coordenador da pesquisa, Edison Fedrizzi, a UFSC deve publicar o artigo de forma oficial na segunda metade de abril.
Prefeitura não tem autonomia para adotar vacinação
Com a repercussão dos resultados preliminares do estudo da UFSC, o prefeito de Florianópolis, Gean Loureiro, se mostrou interessado na pesquisa, e chegou a participar de uma reunião com os responsáveis.
“Nós temos muito interesse nesse assunto, caso todas as análises se mostrem positivas. E sim, eu já estou correndo atrás de um planejamento em caso positivo. Isso não tira nosso foco no combate à Covid-19″, disse Loureiro, na ocasião.
No entanto, como ainda não há uma decisão favorável por parte de Estado, tampouco a pesquisa foi publicada de maneira oficial, a Prefeitura de Florianópolis não pode iniciar uma campanha de vacinação.
A pesquisa
A vacina da tríplice viral está disponível pelo SUS (Sistema Único de Saúde) no calendário de vacinação desde 1992, e é utilizada contra caxumba, sarampo e rubéola.
Pesquisadores da UFSC iniciaram um estudo desde a metade do ano de 2020, ainda no início da pandemia, para avaliar a eficácia do imunizante contra o novo coronavírus.
Com os testes em fase final, os resultados se mostraram animadores. Demonstram uma eficácia de 76% contra casos mais graves de internação hospitalar e de 42% contra os sintomas em casos mais leves.
A eficácia da Coronavac, por exemplo, é de 50,38% para sintomas, e 100% para casos graves.
A pesquisa recebeu 430 voluntários, entre homens e mulheres de 18 a 60 anos, que foram mensalmente avaliados e examinados para a doença.
O principal objetivo do uso da tríplice viral contra a Covid-19 é utilizá-la emergencialmente no público não-prioritário da imunização da Covid-19, que é o que mais circula e transmite a doença, e que ainda não tem previsão de receber doses da vacina específica.
De acordo com o coordenador da pesquisa, crianças e adolescentes não precisariam tomar a vacina novamente, pois já estão protegidos.
A campanha de vacinação com a tríplice viral poderia, então, ser realizada com toda a população entre 18 e 60 anos, sem comorbidades.
Por ser uma vacina com vírus vivo, ela não é indicada para indivíduos imunossuprimidos, ou seja, que têm o sistema imunológico com baixa atividade.
Gestantes também não devem receber a vacina tríplice viral.