SC tem redução na fila, mas ainda soma mais de 400 pacientes na espera por UTI

Ainda são 34,9 mil casos ativos da Covid-19 em SC, gerando uma alta volatilidade nos hospitais, que ainda sofrem com poucos leitos em relação à fila de espera

Redação ND Florianópolis

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Após uma leve baixa na ocupação, Santa Catarina soma 414 pacientes na fila de espera para o tratamento em um leito de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) durante esta sexta-feira (19), sendo que o colapso ainda atinge o Estado em decorrência do pico de casos da Covid-19.

São 42 pacientes a menos na fila do que a atualização epidemiológica anterior, contudo, a ocupação ainda beira os 99% dos leitos adultos, segundo os dados oficiais, que são “virtualmente inferiores à realidade”, conforme diz a própria secretaria de saúde.

sc; uti; leitos; covid-19; casos; mortes; fila; esperaApesar da baixa na fila da UTI, expectativa de vida dos pacientes na internação ainda é baixa, com uma média de 6 mortos a cada 10 internações, segundo dados nacionais – Foto: HRSP/Divulgação/ND

Há um total de 975 pacientes da Covid-19 que estão internados dentre um total de 1.378 leitos de UTI adulto. A ocupação fica em 98,4%, mas na prática, ainda ocorre a indisponibilidade de leitos, considerando a volatilidade das interações.

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Cada paciente tende a ficar cerca de 14 dias na UTI, ao passo que o número de internações acaba crescendo drasticamente, em virtude da alta de casos. Atualmente, nesta sexta (19), são 34,9 mil casos ativos em todo o Estado.

Com a situação crítica, os hospitais já ensaiam a adoção do protocolo internacional de saúde, que prevê ofertar  assistência para quem tem maior probabilidade de sobreviver.

Conforme já foi publicado pelo ND+, os três hospitais que atendem casos de Covid-19 em Blumenau, no Vale do Itajaí, informaram que estão se preparando para selecionar os pacientes que terão prioridade de acesso aos leitos de UTI.

São 1.676 leitos ativos ao longo da rede pública do Estado, que compreende 55 hospitais. Contudo, mesmo os mais bem estruturados sofrem com o colapso, somando lotações de no mínimo 90%.

O agravamento da pandemia obrigou autoridades a enviarem pacientes para outros Estados, como o Espírito Santo.

Dentre os cinco pacientes que foram transferidos para o Estado capixaba, três morreram. A morte mais recente foi de Hércules Antonio Senger, de 59 anos, que faleceu na segunda (15).

Ele estava internado em Chapecó, no Oeste catarinense, e foi levado para Vitória (ES) no dia 9 de março, pelo avião Arcanjo-02 do BOA (Batalhão de Operações Aéreas) do Corpo de Bombeiros.

O que gera o colapso?

Uma porcentagem média dos casos da Covid-19 acaba sendo de casos mais graves, que necessitam de hospitalização, e, em alguns casos, de um leito de UTI. Com isso, quando há um pico no número de casos, a tendência é de alta no número de hospitalizações.

Atualmente Santa Catarina e boa parte dos Estados vivem um momento de alta na transmissibilidade. Apenas no território catarinense há 35,8 mil casos ativos, segundo a Secretaria de Saúde.

Pelos números, no mínimo cerca de 700 pessoas precisarão de um leito de UTI. Somado ao número de internações de pacientes com outras enfermidades, o sistema público acaba não suportando a alta volatilidade nas internações

“Quanto mais casos de coronavírus tivermos, mais casos precisarão de unidades de saúde e vão necessitar de hospitalização. 80% dos casos são assintomáticos ou leves, 20% terão que procurar uma unidade de saúde, e dessas, em média de 2% a 5% necessitam de uma UTI”, explica o Superintendente de Vigilância em Saúde, Eduardo Macário.

Atualmente, contudo, são 970 infectados na UTI, enquanto o número de casos segue crescendo em proporções altas. No boletim desta quinta (18), foram 5,4 mil novos casos confirmados ante 4,9 mil recuperados. Além disso, 126 mortes pelo vírus foram contabilizadas, sendo que o recorde, de 167 óbitos em 24h, foi registrado ainda nesta semana.

Fila reduz e regiões fica com menos de 80 pacientes na espera

Com a queda na fila, já citada, regionalmente também houve uma diminuição no número de pacientes que seguem no aguardo de um leito de UTI. Atualmente, a região Norte, no entorno de Joinville, é a que soma  a maior fila, com 78 pacientes.

Enquanto isso, o Oeste, na região de Chapecó, deixou uma fila que tinha mais de 100 pacientes, sendo a maior do Estado, e soma 67 pacientes atualmente.

O entorno de Chapecó foi a primeira parte de Santa Catarina que apresentou indício de colapso, que mais tarde veio a se estender por todo o Estado. Contudo, todas as regiões seguem sofrendo com o colapso do sistema de saúde, acumulando filas de no mínimo 20 pacientes.

Veja como está a fila à espera de um leito de UTI Covid em SC:

  • Grande Oeste – Chapecó: 67
  • Meio-Oeste – Joaçaba: 50
  • Serra – Lages: 30
  • Norte – Joinville: 78
  • Vale – Blumenau: 19
  • Foz – Itajaí: 27
  • Sul – Criciúma: 70
  • Grande Florianópolis: 73

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