A Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina) confirmou nesta quinta-feira (16) a identificação de sete casos da Influenza H3N2, variante do vírus da gripe que tem provocado surtos e preocupações em outros centros do país.
Todos esses casos foram registrados entre o final de novembro e o início de dezembro. Um alerta com medidas de prevenção, vigilância e manejos clínicos está sendo elaborado pela Dive e será emitido aos municípios.
Surtos de gripe preocupa autoridades de Saúde no Brasil – Foto: PixabayDe acordo com o órgão, foram identificados 10 casos de Influenza entre os meses de janeiro e dezembro em Santa Catarina. Destes, foram dois da Influenza B e oito da Influenza A (1 da h1N1 e sete da H3N2).
Seguir“A vigilância da Influenza ocorre através de Unidades Sentinelas para Síndrome Gripas e SRAG (Síndrome Respiratória Aguda Grave), assim como para os casos de SRAG internados em UTI e óbitos”, esclarece a Dive, em nota.
Por conta do aumento incomum de casos observado, e com base nos surtos que acontecem em estados como São Paulo, Rio de Janeiro e Bahia, por exemplo, o órgão abre os olhos para a situação.
“Dessa forma, o Estado mantém a vigilância da doença, buscando identificar com isso uma mudança no perfil epidemiológico, de forma a orientar oportunamente os serviços de saúde”, completa o órgão.
Além disso, um comunicado já está sendo elaborado para ser emitido aos municípios. “Considerando o cenário em outros estados brasileiros, a equipe técnica da Dive/SC está elaborando um alerta para os serviços de saúde, reforçando a necessidade da vigilância, manejo clínico oportuno e as medidas de prevenção”, concluiu a nota.
Surto de gripe em adolescentes de Florianópolis após festa
A adolescente Geovana Stella de Moraes, de 17 anos, começou a sentir sintomas de gripe na madrugada do último sábado (11), depois de ter ido a uma festa de formatura, em Florianópolis.
Ela estava com um grupo de mais sete amigos, e relata que todos eles também ficaram doentes. “Bastante gente que eu não conhecia ficou doente também. Os estudantes eram do Rio de Janeiro, e lá já estava acontecendo esse surto”, conta Geovana.
Ela e os amigos realizaram o teste para Covid-19, que resultou negativo. “Como bastante gente que estava no show também pegou a Influenza, a gente teve certeza também que era isso”.
Além disso, o que chama a atenção da adolescente é que ela tomou a vacina contra a Influenza, em abril de 2021. No entanto, Geovana ainda não tem a confirmação se trata-se ou não da nova variante da gripe.
Brasil tem primeira morte pela H3N2 confirmada
O governo da Bahia confirmou na noite desta quarta-feira (15) a primeira morte por gripe provocada pela nova cepa da Influenza A, identificada como H3N2.
A vítima, uma idosa moradora de Salvador, tinha 80 anos e não estava vacinada contra o vírus da Infuenza, segundo as informações do portal UOL.
O vírus H3N2
O vírus H3N2 é uma das categorias do vírus influenza A. Conhecido oficialmente como influenza A (H3N2), esse vírus é sazonal.
Circula entre humanos desde uma pandemia em Hong Kong em 1968, mas somente a partir de 2005 começou a circular pelo mundo.
Vacina contra a gripe – Foto: Tânia Rêgo/Agência Brasil/NDEmbora a H3N2 tenha aparecido no país chinês, uma nova mutação foi identificada há seis meses na Austrália, segundo informou o virologista da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas) José Luiz Proença Módena, ao UOL. A nova cepa foi batizada de Darwin, em referência à cidade em que ela foi sequenciada na Austrália.
Vacina contra Influenza
Os vírus da Influenza passam por mais mutações do que o coronavírus e, como qualquer outra vacina, precisa mudar todos os anos para garantir eficácia. A vacina contra a gripe usada no Brasil já possui em sua composição a H3N2, mas não se trata da variante Darwin.
Ainda assim, a vacina utilizada “ajuda a reduzir hospitalização”, diz Cristina Bonorino, imunologista da SBI (Sociedade Brasileira de Infectologia).
“Essa variante não está na vacina, mas a H3N2 está. Então, a vacina oferece alguma proteção”, acrescenta Bonorino.