SC registra o maior número diário de casos de Covid-19 em oito meses de pandemia

Secretaria de Estado da Saúde registrou mais de 5 mil novos casos nesta terça-feira (17), com 40 mortes; Acumulado chega a 302.578 confirmações desde o início da pandemia

Eduardo Vargas Florianópolis

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Santa Catarina registra nesta terça-feira (17) o maior número diário de casos de Covid-19 em oito meses de pandemia. Conforme o boletim epidemiológico da Secretaria de Estado da Saúde, foram incluídas 5.178 confirmações, com 40 mortes em um dia.

O número registrado não tem relação com testes represados, segundo a Saúde, e figura como a maior alta se desconsiderada a do dia 31 de agosto, que contabilizou mais de 30 mil confirmações em um só boletim em virtude de problemas técnicos. Anteriormente, o maior número era de 4,8 mil casos, registrados há exatos sete dias.

SC registra o maior número diário de casos de Covid-19 em oito meses de pandemia. Quebra do isolamento social foi apontada como principal fator para altas recentes – Foto: Anderson Coelho/NDSC registra o maior número diário de casos de Covid-19 em oito meses de pandemia. Quebra do isolamento social foi apontada como principal fator para altas recentes – Foto: Anderson Coelho/ND

Com isso, o Estado já soma 302.578 casos confirmados desde o início da pandemia, com 280 mil recuperados, cerca de 92% do total. O índice de recuperados tem apresentado retração nas últimas semanas.

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As mortes agora já são 3.370, com 40 registradas somente nesta atualização, um número também expressivo, se comparado ao dos últimos boletins, que oscilavam entre 10 e 30 registros diários.

Mesmo dentro das projeções mais pessimistas da gestão epidemiológica, esses números acabaram surpreendendo. Segundo a Superintendente de Vigilância em Saúde, Raquel Bitencourt, o principal fator que contribui para a situação mais crítica são as quebras de isolamento social.

“Sabíamos que [os casos] iam aumentar, mas não tanto. Na verdade, o que vemos é que as pessoas não estão seguindo as regras de distanciamento. Isso que nos preocupa muito. Pedimos que as pessoas no mínimo usem máscaras e respeitem o distanciamento”, afirma.

As altas coincidem com o período de aproximadamente duas semanas após o registro de aglomerações. É o caso, por exemplo, nos feriados, como na Praia do Rosa, em Imbituba, no primeiro dia de novembro.

Além disso, coincidem com eventos como baladas noturnas que são organizados de forma clandestina e desrespeitam regras sanitárias. “Você vai no comércio, que tem demarcação, mas as pessoas não se atentam que tem que manter o distanciamento. Elas veem o adesivo no chão e ignoram”, comenta a superintendente.

Novo mapa de risco

Agora as atenções se voltam para a divulgação do próximo mapa de risco para a pandemia. O levantamento – elaborado pelo Coes (Centro de Operações de Emergência em Saúde) e divulgado pelo Governo do Estado – deve ser divulgado entre esta quarta (18) e quinta-feira (19).

O monitoramento leva em consideração os dados das regiões, e serve como base para a ampliação das restrições ou liberações.

Atualmente, a região da Grande Florianópolis, juntamente com Xanxerê, figura isolada com sinal vermelho, em risco potencial gravíssimo, o maior da escala.

Apesar disso, a capital tem menos casos confirmados do que Joinville, que ainda acumula o maior número de confirmações. Contudo, Florianópolis subiu várias posições no ranking nas últimas semanas, e já é apontada por alguns especialistas como epicentro de uma suposta segunda onda.

Cidades com mais casos confirmados de Covid-19 em SC:

  • Joinville – 26.750
  • Florianópolis – 26.432
  • Blumenau – 17.454
  • São José – 14.893
  • Palhoça – 10.347
  • Balneário Camboriú – 9.914
  • Criciúma – 9.855
  • Itajaí – 9.838

A variação de casos, em percentual, é menor na Grande Florianópolis, mas a região tem os números absolutos mais críticos. Foram 5 mil casos confirmados na última semana, e 5,7 mil na anterior, o que significa uma queda de praticamente 11%, mas as demais regiões não possuem altas absolutas próximo disso.

Casos confirmados, hospitais superlotados

Desde que o Estado começou a confirmar mais de 2 mil casos por dia nos boletins epidemiológicos, o índice de ocupação das UTIs (Unidades de Terapia Intensiva) tem subido. Atualmente, são 76,4% dos leitos lotados, ou seja, 1.074 ocupados de um total de 1.406 ativos.

Dos ocupados, são 400 por pacientes do novo coronavírus, e 674 por pacientes com outras enfermidades, algo que pode ser explicado, em parte, pela liberação das cirurgias eletivas, que ficaram represadas há meses com decretos estaduais e municipais.

Apesar de ainda haver 332 leitos livres, Santa Catarina possui seis unidades hospitalares totalmente superlotadas. Os hospitais sem vagas são:

  • Hospital Bethesda, em Joinville
  • Hospital Maicé, em Caçador
  • Hospital Regional São Paulo, em Xanxerê
  • Hospital São José, em Jaraguá do Sul
  • Hospital Waldomiro Colautti, em Ibirama
  • Hospital São José, em Maravilha

Destes, somente o São José, em Maravilha, no Oeste, não possui pacientes da Covid-19. No total, as unidades ofertam 109 leitos de UTI, e estão com 45 pacientes da Covid-19.

Isolamento social na média

Refletindo dados colhidos na segunda-feira (16), foram 37,6% dos catarinenses em casa, um índice que fica na média nacional, que é de 37,9%.

No ranking de Estados, Santa Catarina ocupa a 16ª posição, e quem lidera são os Estados do Acre (43,7%), Amazonas (42,9%) e Rondônia (41,5%).

Os dados são da plataforma In Loco, que mapeia 1,5 milhão de catarinenses via smartphone.

Vale ressaltar que as quebras de isolamento foram o principal motivo apontado por especialistas da saúde quando questionados sobre as altas desta e da última terça (10 e 17), que ocorreu alguns dias depois de feriados com praias lotadas.

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