SC tem a pior cidade no tratamento à aids e HIV do Brasil

Posição no ranking, que considera cidades acima de 100 mil habitantes, acende alerta para que município e Estado reforcem ações de prevenção, diagnóstico do HIV e tratamento da aids

Foto de Gabriela Ferrarez

Gabriela Ferrarez Florianópolis

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Lages, na Serra catarinense, é o pior município do Brasil no tratamento de aids e HIV, conforme um ranking divulgado pelo Ministério da Saúde na quinta-feira (30). A classificação leva em conta um cruzamento de dados: taxas de detecção da doença, mortalidade, casos entre menores de 5 anos e diagnóstico.

SC tem a cidade que mais falha no tratamento a Aids e HIV do brasilLages tem o pior índice composto entre todas as cidades brasileiras com mais de 100 mil habitantes – Foto: Arquivo/Marcelo Camargo/Agência Brasil/Reprodução/ND

O boletim epidemiológico foi divulgado pelo Ministério da Saúde na quinta-feira (30), véspera do “Dia Mundial de Luta Contra à Aids”, que abre o Dezembro Vermelho, mês para conscientização da doença.

Duas cidades catarinenses no top 10 do ranking

O índice de 7,228 coloca Lages no 1º lugar ranking dos 100 municípios com mais de 100.000 habitantes com o índice composto mais alto. Além de Lages, Florianópolis ocupa o 9º lugar do ranking, com 6,311.

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Regina Valim, médica infectologista e gerente de Vigilância das ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis) da Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina), explicou que o ranking determina como está a situação do município.

“Quanto mais perto da 100ª posição, melhor a situação epidemiológica daquele município, mas de preferência [o município] não fazer parte desse ranking”, pontua.

O ranking leva em consideração a média de sete indicadores relacionados à aids:

  • Taxa de detecção na população geral nos últimos três anos
  • Variação média anual da taxa de detecção na população geral nos últimos cinco anos
  • Taxa de mortalidade na população geral nos últimos três anos
  • Variação média anual da taxa de mortalidade na população geral nos últimos cinco anos
  • Taxa de detecção em menores de 5 anos em menores de 5 anos nos últimos três anos
  • Variação média anual da taxa de detecção em menores de 5 anos nos últimos cinco anos
  • Média do primeiro CD4 (nível de vulnerabilidade imunológica no diagnóstico)

A médica explica que o nível de CD4 determina se o diagnóstico do portador de HIV foi feito tardiamente ou não.

“O CD4 é uma célula de imunidade que é atacada pelo vírus, o receptor do vírus se liga ao CD4. Só que o CD4 é uma das nossas principais células do sistema imunológica, então, quanto mais baixa [a contagem], pior a situação da pessoa”, explica.

Conforme Regina, o momento ideal do diagnóstico é quando o portador de HIV tem um CD4 acima de 500. Quando o índice está abaixo de 200, mais vulnerável a pessoa está a uma doença oportunista, e consequentemente, à aids.

A média de CD4 entre portadores de HIV no momento do diagnóstico é de 299 em Lages e de 399 em Florianópolis.

Veja as taxas que levaram Lages ao 1º lugar no ranking

SC tem a pior cidade no tratamento à aids e HIV do BrasilÍndice composto é formado pela média de sete indicadores – Foto: ND

Posição no ranking acende alerta para municípios

Segundo Regina, a posição no ranking faz com que o município e o Estado tenham que reforçar ações de prevenção, diagnóstico e tratamento da doença.

“São vários pontos em que o município e claro, o Estado, vão ter que fazer ações para melhorar: o diagnóstico, o seguimento dessas pessoas, evitar que as pessoas interrompam o tratamento, oferta de testagens”, listou.

Tratamento do HIV e da aids

Pessoas vivendo com HIV podem iniciar o tratamento e realizar cuidados de rotina em postos de saúde e hospitais, com médicos e enfermeiros devidamente qualificados. Uma pessoa que vive com HIV, recém diagnosticada, pode iniciar o tratamento no mesmo dia.

O que dizem Lages e Florianópolis

Lages informou que recebeu o “Selo Prata de Boas Práticas rumo à Eliminação da Transmissão Vertical de HIV” do Ministério da Saúde pela diminuição de casos entre 2020 e 2021.

Já Florianópolis informou que o índice composto foi afetado pelo aumento dos casos entre gestantes e crianças menores de 5 anos. No entanto, a prefeitura informou que, entre 2019 e 2022, houve redução em mais de 20% nos novos casos de HIV e mais de 26% nos casos de aids.

Entre as medidas, a prefeitura de Florianópolis esclarece que realiza forte sensibilização dos profissionais e da população para testagem e detecção do HIV em CTRs (Centros de Testagem e Resposta rápida, um em cada policlínica) para tratamento da doença e acompanhamento no pré-natal, além de ofertar autotestes de HIV.

Residentes de Florianópolis também podem solicitar autotestes de HIV pelo site www.ahoraeagora.org. Os testes podem ser recebidos pelo correio, retirados em um armário digital, localizado no Terminal Rodoviário Rita Maria, ou em unidades de saúde.

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