SC tem seis aparelhos como usado por Paulo Gustavo, todos ocupados

Tratamento por ECMO não é padronizado pelo SUS, custa R$ 30 mil por dia e já salvou paciente em estado gravíssimo em Joinville

Bruna Stroisch Florianópolis

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Internado com um quadro grave da Covid-19, o ator e humorista Paulo Gustavo iniciou na sexta-feira (2) o tratamento por ECMO, sigla em inglês para “oxigenação por membrana extracorporal”.

A mesma terapia é utilizada por pacientes acometidos pela doença em Santa Catarina. Em março deste ano, o catarinense Marcos Drumm, de 38 anos, morreu vítima da Covid-19 à espera do equipamento.

Aparelho de ECMO usado por Paulo Gustavo trata pacientes com Covid-19 em Santa Catarina – Foto: CRBM/Divulgação/NDAparelho de ECMO usado por Paulo Gustavo trata pacientes com Covid-19 em Santa Catarina – Foto: CRBM/Divulgação/ND

De acordo com Roque Angerami, médico intensivista do Hospital Santa Catarina, de Blumenau, e membro da diretoria da Socati (Sociedade Catarinense de Terapia Intensiva), há em torno de seis aparelhos disponíveis em Santa Catarina. Todos estão sendo utilizados por pacientes infectados pelo novo coronavírus.

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A ECMO já era utilizada em cirurgias cardíacas e também em casos de pneumonia grave e H1N1. Com a pandemia da Covid-19, passou a ser aplicada também para auxiliar na melhoria do quadro de saúde dos infectados.

Utilização do equipamento em SC

O médico intensivista diz que o tratamento via ECMO é utilizado por pacientes em Santa Catarina há mais de 15 anos. Além de auxiliar na recuperação de internados, o equipamento também é utilizado no transporte de pacientes.

Em fevereiro de 2020, o Samu de Santa Catarina realizou pela primeira vez, o transporte de paciente utilizando ECMO durante o deslocamento. Na ocasião, um homem de 38 anos foi transportado do Hospital Regional São Paulo, em Xanxerê, para o Hospital Santa Isabel de Blumenau, em cerca de duas horas de voo, para ser submetido a um transplante do coração.

A tecnologia foi utilizada também pelo primeiro caso de paciente grave com Covid-19 na UTI do Centro Hospitalar Unimed, em Joinville, em março de 2020.

Diante do estado crítico do internado, foi necessária a instalação da ECMO. Após quase duas semanas, o equipamento foi retirado e, com mais algumas semanas de internação, o paciente recebeu alta. Foi o primeiro caso de Covid-19 de Santa Catarina a se beneficiar dessa modalidade de suporte.

Terapia mediante indicação

Por ser um equipamento de alta complexidade, é preciso que a terapia seja aprovada por uma equipe médica seguindo alguns critérios de indicação e contraindicação. Além disso, a instalação e o manuseio do aparelho requerem uma equipe especializada ligada à cirurgia cardiovascular.

“Se temos um paciente na UTI que está em falência respiratória e que não respondeu a outros tratamentos, como a ventilação mecânica, discutimos a utilização da ECMO e passamos ao cirurgião cardiovascular. Se ele der o ‘ok’, o hospital entra em contato com o fornecedor do aparelho”, explica.

Isso porque, segundo o médico, os equipamentos não ficam fixos nos hospitais. Eles circulam pelo Estado, conforme a necessidade. É preciso, ainda, obter autorização do plano de saúde do paciente. Os custos são elevados e passam dos R$ 30 mil por dia.

Tratamento não é oferecido pelo SUS

A SES (Secretaria de Estado da Saúde) informou, por meio de nota, que o tratamento de suporte de ECMO não é padronizado pelo SUS.

Por conta disso, foi formada uma comissão com representantes do serviço de cirurgia cardíaca do ICSC (Instituto de Cardiologia de Santa Catarina) e do Hospital Regional Hans Dieter Schmidt, unidades de referência para esse tratamento, “para a elaboração consensual de proposta final de realização da ECMO nos hospitais da rede própria.”

Segundo a Superintendência dos Hospitais Públicos, desde 2020 a SES contrata o serviço de ECMO para pacientes com indicação.

A SES disse, ainda, que em 2020 um paciente utilizou o tratamento no Hospital Regional de Joinville. E, atualmente, há um paciente na mesma unidade fazendo uso da terapia. Ambos foram internados com Covid-19.

“É um serviço terceirizado, de alto custo, sendo que o pagamento é feito de forma administrativa ou por meio de licitação. O hospital precisa ter equipe experiente e preparada em Terapia Intensiva para saber identificar o paciente que pode fazer uso da ECMO e realizar a técnica”, concluiu a SES.

Como funciona

A ECMO é uma técnica que utiliza dispositivos mecânicos para fornecer suporte respiratório e/ou cardíaco ao paciente. Através de um cateter chamado cânula, o sangue é drenado para o sistema, onde é impulsionado por meio de uma bomba para uma membrana, local em que acontecem as trocas gasosas e onde o sangue é aquecido, retornando ao paciente.

ECMO é uma técnica que utiliza dispositivos mecânicos para fornecer suporte respiratório e/ou cardíaco ao paciente – Foto: CRBM/Divulgação/NDECMO é uma técnica que utiliza dispositivos mecânicos para fornecer suporte respiratório e/ou cardíaco ao paciente – Foto: CRBM/Divulgação/ND

O procedimento de alta complexidade é realizado em casos graves nos quais o paciente sofre comprometimento severo pulmonar ou circulatório, que poderiam levar à morte, aumentando as chances de sobrevida.

O respirador, por exemplo, não substitui a função do pulmão do paciente, apenas fornece um fluxo de ar para o interior deles. Já a ECMO funciona como um pulmão adicional para pacientes com Covid-19 cuja função pulmonar foi muito reduzida, e possibilita que o paciente tenha tempo e condição clínica para se recuperar.

O médico intensivista afirma que a ECMO, assim como outros procedimentos médicos, apresenta riscos aos pacientes, como sangramentos, embolia e infecções.

Morador de SC morreu à espera de equipamento

O supervisor de vendas Marcos Drumm, de 38 anos, morador de Chapecó, morreu vítima da Covid-19 à espera do tratamento.

Drumm ficou internado no Hospital Regional Alto Vale, na cidade de Rio do Sul, com 90% do pulmão comprometido e não resistiu.

Catarinense Marcos Drumm, de 38 anos, morreu vítima da Covid-19 à espera do equipamento que realiza a ECMO – Foto: Arquivo pessoal/Reprodução/NDCatarinense Marcos Drumm, de 38 anos, morreu vítima da Covid-19 à espera do equipamento que realiza a ECMO – Foto: Arquivo pessoal/Reprodução/ND

A família ganhou judicialmente o direito de receber o tratamento gratuito, já que não é oferecido pelo SUS, mas ele não recebeu acesso ao aparelho em tempo hábil.

Na luta contra o tempo, a família chegou a realizar uma “vaquinha online” para arrecadar a quantia de R$ 200 mil para transferir Marcos para um hospital particular que oferecesse o tratamento, mas não conseguiram a tempo.

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