O ano de 2021 deixou cenas tristes causadas pela Covid-19 na memória. A esperança de frear as mortes chegou a Santa Catarina no mês de fevereiro, com as doses dos imunizantes, mas a vacinação demorou para ganhar fôlego. Muitas vezes, virou alvo de polarização política.
Atendimentos podem ser paralisados no HRO e no Hospital da Criança. – Foto: Mauricio Vieira/Divulgação/NDAnúncios do governo federal eram feitos sem haver conversa com as secretarias estaduais de Saúde. Novas faixas etárias entravam no calendário sem que detalhes técnicos fossem debatidos. Para fazer um panorama deste ano, o Balanço Geral Florianópolis conversou com o secretário estadual da Saúde, André Motta Ribeiro.
“Nós tivemos quatro ministros da Saúde em dois anos de pandemia. Isso é um fator complicador. O nosso colegiado de secretários de Estado da Saúde sempre teve um diálogo muito aberto com o Ministério [da Saúde], sempre trouxe questões técnicas. Fomos surpreendidos, sim, por algumas falas. Mas, mesmo as falas antecipando uma ação ou outra, não nos pegaram de surpresa ou despreparados, tanto que nós rapidamente nos adaptamos a isso”, disse Ribeiro.
Mesmo com atritos e discordâncias, avançamos na imunização. Aí, começou o debate de liberar ou não o uso de máscaras ao ar livre. Teve quem se antecipou: “Tem regras que são muito claras e precisam ser cumpridas. É uma doença infectocontagiosa que as pessoas transmitem para as pessoas por via aérea. (…) Eu entendo que eventualmente algumas angústias, decepções, desilusões ou necessidades tenham interferido no processo de gestão, mas rapidamente esses deslizes foram consertados”, lembrou o secretário.
Hoje, com mais de 70% da população geral com o esquema vacinal completo, é hora de pensar em outro problema. Uma montanha de cirurgias eletivas se acumulou nos últimos anos. São mais de 100 mil procedimentos na fila de espera.
Em setembro, o governo lançou o desafio de fazer 40 mil cirurgias eletivas em seis meses. O secretário de Saúde garantiu ao BG Floripa que não se tratava de uma meta inatingível: “Das 40 mil que entraram, 22 mil já [foram] realizadas, várias delas, e algumas em fase de até final de janeiro, fevereiro. A nossa expectativa é que a gente consiga tirar esse sofrimento das pessoas muito em breve. Talvez mais rápido até do que nós imaginávamos.”
A precariedade no atendimento do Samu também foi pauta na área da Saúde em 2021 e tomou contornos dramáticos. Salários e direitos de trabalhadores atrasados, greves, ambulâncias sem médicos. Foram inúmeras ameaças de romper o contrato entre o Estado e a OZZ.
Agora, o contrato está prestes a terminar e ainda não foi escolhida uma nova empresa. O que só deve acontecer nesta quinta-feira (23). Se acontecer algum problema no processo, o serviço pode parar em pleno fim de ano.
Segundo o secretário de Saúde, o processo “poderia ter sido antecipado se nós não fossemos afastados em abril. O contrato termina em 31 de dezembro deste ano. Nós estamos organizando uma nova forma de gestão, melhor do que a anterior. Se tudo que estava programado não tivesse sido desconstruído, talvez a gente pudesse eventualmente fazer uma ruptura de contrato. O fato é o seguinte: o contrato está terminando. Nós temos soluções pra isso. A empresa foi notificada, melhorou o seu processo de trabalho e agora vamos partir para um novo capítulo dessa história, muito melhor do que o anterior”.
Ribeiro se referiu ao processo de impeachment do governador, que foi inocentado no caso dos respiradores. O processo segue na Justiça.
Para finalizar, o secretário falou sobre os desafios para 2022. “Ativar a política hospitalar catarinense. Nós saímos de 117 hospitais para 173, de R$ 310 milhões ao ano para R$ 630 milhões ao ano. Avançar ainda mais na terapia renal substitutiva, porque a questão das diálises tá resolvido. Estamos trazendo uma nova forma de gestão pro Samu. Então, nós iremos, sim, regionalizar o acesso às pessoas, diminuir o tempo de espera e qualificar ainda mais os serviços ofertados”, disse Ribeiro.
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