Sem a BCG, mortes por Covid-19 no Brasil poderiam ser 14 vezes maior

Estudo da Universidade de Michigan revelou que taxas mais baixas de infecção e morte se repetem em todos os países onde a vacina é obrigatória

Foto de Estadão Conteúdo

Estadão Conteúdo Rio de Janeiro

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Um estudo da Universidade de Michigan, nos Estados Unidos, publicado no início deste mês na revista Science concluiu que o número de mortes por Covid-19 no Brasil poderia ser 14 vezes maior se a vacina contra o causador da tuberculose o bacilo Calmette-Guérin (BCG) não fosse obrigatória no país.

Vacina BCG contra a tuberculose é obrigatória no Brasil – Foto: PixabayVacina BCG contra a tuberculose é obrigatória no Brasil – Foto: Pixabay

O trabalho revelou que taxas mais baixas de infecção e morte se repetem em todos os países onde a vacinação é obrigatória. Foi analisada a taxa diária de infecções em 135 países e de óbitos em 134 ao longo dos primeiros 30 dias da pandemia em cada nação.

Em 15 de abril, o número de mortes registrado no Brasil era de 1.736. Mas poderia ter chegado a 24.399, se o País não adotasse a política de vacinação obrigatória na infância, estimam os pesquisadores.

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Entre os países que têm a BCG obrigatória estão China, Brasil e França. Algumas nações revisaram a exigência porque a tuberculose deixou de ser ameaça, como Austrália e Espanha. Outras nunca exigiram, como EUA e Itália.

Estudos sugerem que a vacina tem efeitos benéficos na imunidade contra muitas infecções pulmonares, o que a tornaria candidata importante na prevenção da Covid-19.

Os cientistas ressaltam, porém, que ainda é necessária pesquisa mais ampla.

“O Brasil está com um problema horrível. Mas poderia ser pior”, afirmou ao jornal O Estado de S. Paulo Shinobu Kitayama, principal autor do estudo.

Confira abaixo a entrevista:

Por que vocês resolveram estudar a eficácia da vacina BCG na prevenção contra a Covid-19?

Vários estudos no passado já indicavam que a proteção oferecida pela BCG se estendia a outros problemas pulmonares, além da tuberculose, como o câncer de pulmão. A Covid-19, essencialmente, causa problemas no pulmão. Seria uma candidata a ser examinada neste contexto.

O senhor recomendaria vacinação em massa com a BCG como forma de reduzir a gravidade dos casos de Covid-19 e sua letalidade, enquanto um imunizante específico não for descoberto?

No sentido de ser recomendada a vacinação nos próximos meses? Não. Nós não sabemos se a vacina é eficaz em adultos, é uma vacina tipicamente dada a crianças. Ela poderia até aumentar temporariamente a vulnerabilidade à covid-19, nós não sabemos. Seria uma conclusão muito prematura tomar essa decisão sem nenhum teste clínico. Mas acho que, a longo prazo, recomendaria aos países que ainda não têm o sistema de vacinação obrigatória na infância que começassem a fazer isso. Eu acredito que essa seja uma boa estratégia para o futuro.

O Brasil está enfrentando uma epidemia muito grave de Covid-19, a despeito de ter vacinação obrigatória de BCG na infância. Como o senhor explica isso?

Sim, vocês estão com um problema horrível, a despeito de tomarem a BCG. Mas poderia ser bastante pior. Essa vacina diminui a probabilidade de infecção, a gravidade dos sintomas da doença e também a letalidade no futuro. Mas não adianta pensar que, porque você tomou, não precisa se preocupar. Não é uma proteção completa.

As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.

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