Sem a possibilidade de imunização as crianças de 0 até 4 anos, estatisticamente mais vulneráveis ao agravamento da Covid-19, ficam ainda mais vulneráveis diante do aumento da transmissão da doença em razão da Ômicron. O vírus matou quatro vezes mais crianças nessa faixa etária em comparação com as crianças acima de 5 anos.
O Ministério da Saúde planeja a inclusão do grupo no PNO (Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação contra Covid-19) quando houver imunizantes aprovados pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária). As informações são do R7.
Vacinação de crianças contra a Covid-19 em Florianópolis ocorreu de forma simultânea – Foto: Cristiano Andujar/ PMFDessa vez, não há previsão de realizar novas consultas e reuniões públicas para debater o tema, diferentemente do que ocorreu no caso das crianças de 5 a 11 anos.
SeguirA medida gerou críticas por parte de associações médicas, que destacaram atraso desnecessário no início da vacinação de crianças, além de despertar desconfiança dos pais em relação à segurança das aplicações.
Ao discutir a inclusão de outras faixas etárias, o ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, afirmou não ser necessário mais debate. “A questão da audiência pública foi justamente para ampliar a discussão sobre um tema que é sensível”, disse, sinalizando a intenção de incorporar “qualquer vacina que seja aprovada para qualquer faixa etária”.
Autorização emergencial
A farmacêutica Pfizer/BioNTech já solicitou o uso emergencial da vacina contra a Covid-19 em crianças de 6 meses a 4 anos nos Estados Unidos. A expectativa é que pedido no Brasil seja feito depois que a FDA (Food and Drug Administration), dê o aval para a expansão do uso do imunizante.
A perspectiva é que ampliação do uso da Coronavac para crianças de 3 a 5 anos saia mais rápido, com possibilidade de reanálise pela Anvisa em março. O processo já corre na agência reguladora e aguarda dados adicionais dos estudos realizados em população humana no Chile.
O médico Eduardo Jorge da Fonseca Lima, membro do Departamento Científico de Imunizações da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria) explica que a variante Ômicron transmite até 17 vezes mais no ambiente familiar “as casas em que o pai adoece, a mãe adoece, é muito difícil que as crianças não adoeçam”.
“A diferença é que o vírus encontrou um cenário em que adultos e idosos estão vacinados e as crianças menores de 12 anos não, uma vez que a vacina para o público de 5 a 11 anos é muito recente”, destaca Lima.
Um em cada quatro Estados está com níveis críticos de ocupação das UTIs pediátricas, segundo as secretarias de estado de Saúde. O Distrito Federal, por exemplo, iniciou o mês de fevereiro com 100% de taxa de ocupação dos leitos para crianças.
A alta nas internações de crianças devido à Ômicron é um fenômeno mundial. Nos Estados Unidos, 3,2% do total de internações por Covid-19 são crianças menores de 4 anos. Desde o começo da pandemia, em março de 2020, mais de 10,6 milhões de crianças americanas testaram positivo para a doença.
Sem vacina
A doença se manifesta de forma mais grave nas crianças que não têm possibilidade de se vacinar. A faixa etária de 0 a 4 anos é a que mais registrou mortes por Covid-19 entre o público infantil.
Desde o início da pandemia, foram 3.249 mortes entre menores de 5 anos, sendo os pequenos de 1 ano para baixo os que mais morrem por Covid no Brasil (2.238).
O pediatra e infectologista Renato Kfouri, representante da SBIm (Sociedade Brasileira de Imunizações) e da SBP (Sociedade Brasileira de Pediatria), afirma que em razão da fragilidade imunológica, a chance de crianças mais novas evoluírem para formas graves da Covid é de 2,3 a 2,5 vezes maior na comparação com a faixa etária de 5 a 11 anos.
“Nas idades próximas à adolescência, o comportamento da doença vai sendo mais parecido com o de adultos, tendendo à menor gravidade. É uma característica da Covid diferente do que acontece com outras doenças da infância em que a gravidade é maior apenas na primeira infância”, completa.
Forma de proteção
Enquanto a vacina não chega para a faixa etária de 0 a 4 anos, a forma de proteger as crianças é a higienização das mãos com álcool em gel, o uso de máscara, além de aumentar a cobertura vacinal do restante da população para se criar barreiras contra o vírus.
Mais de 2,5 milhões de crianças de 5 a 11 anos já receberam a primeira dose pediátrica contra a Covid, segundo o Vacinômetro do Painel Covid-19 – Estatísticas do Coronavírus, plataforma criada pelo analista de sistemas e matemático Giscard Stephanou com base em dados das secretarias de Saúde dos estados.
O Ministério da Saúde distribuiu quase 10 milhões de doses de vacinas ao público de 5 a 11 anos. Até 15 de fevereiro, a pasta calcula que terá entregue vacinas suficientes para atender a toda a faixa etária.