Santa Catarina vive um momento de alerta com relação à dengue. Porém, em Chapecó, no Oeste do Estado, apesar do aumento expressivo no número de focos do mosquito Aedes Aegypti nas últimas semanas, o número de casos positivados não acompanhou a mesma tendência de crescimento.
Em 2022 foram feitos 49 mutirões contra a dengue em Chapecó. – Foto: Prefeitura de Chapecó/Divulgação/NDO aumento de casos confirmados da doença na maior cidade do Oeste foi de 13% em 15 dias. Conforme dados do boletim divulgado pela Vigilância em Saúde Ambiental, no dia 27 de fevereiro o número de casos positivados era de 11 pacientes. Nesta segunda-feira (13) o município chegou a 20 pessoas com a doença.
Já o número de focos do mosquito transmissor da dengue cresceu, correspondendo a 41.6% a mais do que há 15 dias. O boletim mais recente mostra que o total de focos registrados em 2023, até o momento, é de 557. Foram descartados 369 casos e outros aguardam resultado de exames. Não houve nenhuma morte confirmada pela doença até o momento em 2023 e também não há nenhum caso de óbito em investigação.
SeguirJá em 2022, foram registradas 10 mortes por dengue em Chapecó durante todo o ano. No Estado o número de óbitos chegou a 90 em 2022, conforme dados da DIVE/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina).
Karina Giachini, coordenadora da Vigilância em Saúde Ambiental, cita que até março de 2022 o município já tinha o registro de mais de dois mil casos de dengue e duas mortes. Até o dia 14 de março deste ano o número de casos confirmados da doença é de 20.
“No ano passado, não só Chapecó, mas vários municípios de Santa Catarina e do Brasil viveram situação de epidemia por dengue. Este ano estamos com uma significativa redução de casos, porém com aumento no número de focos. O que nos preocupa é que esses 20 casos estão distribuídos por vários bairros do município, o que demonstra que a transmissão viral ocorre em vários pontos da cidade”, pontua Karina.
Segundo a coordenadora, o LIRAa (Levantamento Rápido de Índices para o Aedes aegypti), realizado na última semana em Chapecó, mostra que o município está em situação de alto risco de infestação.
“No mesmo período do ano passado tínhamos um número menor de focos, mas como estávamos em situação de epidemia não realizamos o levantamento de infestação para saber qual era o risco, uma vez que já vivíamos uma epidemia”, comenta.
Chapecó teve redução de casos positivados em comparação a 2022 – Foto: Prefeitura de Chapecó/Divulgação/NDKarina acredita que a redução de casos positivados em Chapecó tem a ver com a situação climática, uma vez que o inverno em 2022 foi rigoroso, com frio registrado até o mês de novembro. Além disso, ela cita que o período de epidemia é cíclico na história da doença.
“Em 2022 também tivemos o diferencial na realização de mutirões de combate ao mosquito transmissor da dengue. De março de 2022 até o fim do ano foram 49 mutirões feitos por agentes de combates a endemias para a eliminação de criadouros e tratamento de depósitos com larvicidas para a diminuição da proliferação e da transmissão dos casos. Também realizamos outras diversas atividades com foco na educação e saúde, drone de fiscalização com a Vigilância Sanitária e trabalho de limpeza em terrenos baldios”, acrescenta.
Santa Catarina investiga mortes
Santa Catarina investiga três mortes por suspeita de dengue em meio a alerta máximo para a doença. São dois casos em Palhoça, na Grande Florianópolis, sendo um homem de 70 anos e uma mulher, de 67, e um caso em Blumenau de um homem, de 69 anos.
A Dive/SC informou que não há um prazo estipulado para o levantamento de todas as informações dos atendimentos nos serviços de saúde, já que os dados precisam ser avaliados por profissionais da equipe da vigilância municipal e estadual.
Mesmo assim, o órgão diz que “deve levar o menor tempo possível” para confirmar ou descartar a causa das mortes. O alerta de risco muito alto para a doença foi emitido pela Defesa Civil estadual no sábado (11).
O Estado confirmou uma morte por dengue. A vítima é uma mulher de 34 anos, moradora do bairro Trindade, em Florianópolis.
Conforme o último levantamento divulgado pela Dive até 4 de março, já haviam sido confirmados mais de 1,3 mil casos da doença no território catarinense. Até o momento, 2.437 casos são investigados.
Na comparação com o mesmo período de 2022, quando foram confirmados 2.759 casos de dengue no Estado, observa-se uma diminuição de 52% no número de casos confirmados. Na época, foram registrados 1.330 casos de dengue em Santa Catarina.