Socorrista do SAMU ajuda a salvar a vida do próprio pai na Grande Florianópolis

"É como se meu herói estivesse virando fantasma, e eu tivesse, de alguma forma, que agarrá-lo", descreve o filho

Foto de Ana Schoeller

Ana Schoeller Florianópolis

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Um técnico de enfermagem socorreu o próprio pai no começo de março deste ano. A história, contada com exclusividade pelo ND+, apresenta o relato emocionante do atendimento feito “com lágrimas nos olhos”. O socorro foi prestado por uma equipe do SAMU estadual.

Socorrista participa de reanimação do próprio pai – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/NDSocorrista participa de reanimação do próprio pai – Foto: Arquivo Pessoal/Divulgação/ND

Amantino Rodrigues Raulino, 34 anos, atua no SAMU há 11. Ele explica ao ND+ que participou do resgate do próprio pai,  que sofreu uma parada cardíaca na Beira-mar de São José, na Grande Florianópolis, no dia 17 de março.

“Eu estava em um outro atendimento com suporte básico, quando minha irmã me ligou contando que o pai estava passando mal na Beira-mar de São José”, explicou.

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Em um primeiro momento, o técnico de enfermagem e enfermeiro imaginou que ele estaria convulsionando. Isto porque, segundo o profissional, seu pai já tinha batido a cabeça em um acidente em que precisou ficar internado.

“Foi aí que entrei em contato com a central por rádio da viatura, perguntando sobre condições da vítima na Beira-mar de São José. A central informou que se tratava de uma PCR (Parada Cárdio respiratória)”, conta.

Ainda no telefone, o enfermeiro explicou que se tratava de seu próprio pai. O profissional se deslocou até o local para o atendimento.

Lágrimas nos olhos

“Cheguei no local e me identifiquei como filho. Em primeira instância, o médico me perguntou se eu teria condições de atender e que se estaria calmo o suficiente para dar continuidade. Eu disse que sim, com lágrimas nos olhos”, conta emocionado.

Ele explica que ajudou a pegar “um acesso venoso” para colocar remédios para parada cardíaca na veia. Ao todo foram 40 minutos reanimando o próprio pai.

“Meu herói”

“Se tem uma palavra que pode resumir atender meu próprio pai é uma mistura de pesadelo. É um pesadelo atender meu herói, o cara que é meu melhor amigo. Tratei dele em uma situação que é a pior do mundo para o ser humano, que é a parada cardíaca. Isso tudo misturado com razão, pois era eu junto à equipe. Se eu deixasse a emoção tomar conta eu atrapalharia”, explica.

O profissional ressalta que “queria fazer de tudo para alguém que fez de tudo por mim”. Ele descreve como “uma sensação muito estranha em você reanimar alguém que você ama muito”. E finaliza com: “É como se meu herói estivesse virando fantasma, e eu tivesse de alguma forma que agarrá-lo”.

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    Resgate foi feito com lágrimas nos olhos - Arquivo pessoal/Divulgação/ND
    Resgate foi feito com lágrimas nos olhos - Arquivo pessoal/Divulgação/ND
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    Filho relata emoção ao reanimar o próprio pai - Arquivo Pessoal/Divulgação/ND
    Filho relata emoção ao reanimar o próprio pai - Arquivo Pessoal/Divulgação/ND

Recuperação

Após o atendimento, o pai, Carlos Antônio Raulino, de 57 anos, ficou internado no Hospital Regional de São José durante um mês, além de outros três meses no Hospital de Caridade.

Carlos é ex-atleta e estava treinando no momento que teve uma parada cardíaca. Segundo o filho, hoje seu pai é acamado e depende de cuidados de sua mãe.

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