O TCE-SC (Tribunal de Contas de Santa Catarina) divulgou nesta segunda-feira (14) um estudo que mostra o aumento de 1.800% nos casos de dengue no Estado nos últimos seis anos. Segundo o levantamento, de 2016 a 2023 os casos da doença em Santa Catarina saltaram de 56 para mais de 1.071 casos a cada 100 mil habitantes.
Relatório mostra que casos de dengue dispararam em Santa Catarina – Foto: Prefeitura de Gaspar/Divulgação/NDDe acordo com o TCE, o resultado do estudo foi encaminhado para a SES/SC (Secretaria do Estado da Saúde de Santa Catarina) e aos 285 municípios catarinenses.
Luiz Eduardo Cherem, relator do processo, diz que o objetivo do levantamento é que sejam adotadas medidas mais efetivas para sanar ou minimizar os problemas apontados, entre eles a situação epidêmica em 37 municípios, registrada pela Diretoria de Vigilância Epidemiológica da SES.
SeguirEm 19 de junho de 2023, o município de Saudades, no Extremo-Oeste, era o que tinha a maior taxa de incidência no ano: 447 casos em uma população de pouco mais de 10 mil habitantes – 4,35% da população tinha sido infectada. Em seguida vinha a cidade de União do Oeste, na região Oeste, com 116 casos para cerca de 2.800 habitantes.
Já a cidade com o maior número de casos confirmados em 2023, até aquela data, era Joinville, no Nordeste do Estado, com 17.679 registros, sendo 616.323 o número de moradores. As regiões da Foz do Rio Itajaí, do Oeste, da Grande Florianópolis e do Nordeste concentravam 78,38% dos municípios em situação epidêmica no estado de Santa Catarina naquele momento.
Com relação à chikungunya, houve um incremento de 141% de casos confirmados ao se comparar os seis primeiros meses de 2023 e 2022. Por outro lado, ao se comparar o período de 1º de janeiro de 2023 a 19 de junho de 2023 com o mesmo período do ano de 2022, verificou-se uma redução de 70% no número de casos notificados de zika.
100 mil casos de dengue
Santa Catarina ultrapassou os 100 mil casos de dengue só neste ano. O novo boletim da DIVE (Diretoria de Vigilância Epidemiológica), divulgado na última sexta-feira (11), aponta 103.070 mil registros confirmados da doença até o dia 9 de agosto, além de 91 mortes – uma a mais do que na semana passada.
Sobrecarga na Saúde
Com o aumento dos casos de dengue, o TCE apontou para risco de sobrecarga dos sistemas de saúde em Santa Catarina. Isso porque, com mais casos, mais pessoas buscam atendimento médico e testagem para a doença.
O tribunal propõe que o Estado estude, se for o caso, inovações que possam ajudar no controle do mosquito Aedes aegypti.
Sem profissionais cadastrados corretamente
Outro ponto de alerta muito importante feito pelo TCE é uma possível irregularidade em Santa Catarina. Isso porque o número de ACEs (Agentes Comunitários de Saúde) é menor do que os cadastrados no sistema da União, do Ministério da Saúde.
O TCE aponta que essa diferença pode estar onerando as fontes de recursos próprias do Estado e dos municípios, que deixam de receber parte ou tudo o que teriam direito, já que muitos têm mais agentes do que o considerado pelo Ministério.
De acordo com informação da Diretoria de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado, o cálculo da proporção de agentes utilizado pelo Governo Federal leva em consideração o perfil epidemiológico de 2014, momento em que a dengue não era tão disseminada no Estado.
Em nota, a Secretaria de Estado da Saúde disse que entrou em contato com o Tribunal de Contas do Estado, a qual foi informada que o órgão encaminhará o levantamento para a Saúde Estadual.