Tempo seco intensifica os casos de doenças respiratórias na primavera

A entrada da nova estação e a polinização são fatores que contribuem para o aumento no número de pessoas com asma, rinite ou bronquite; evitar o acúmulo de poeira em casa ameniza sintomas

Foto de Ana Caroline Arjonas

Ana Caroline Arjonas Florianópolis

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Com a mudança de temperatura e a predominância do tempo seco, as doenças respiratórias entram no radar daqueles que sofrem com asma, rinite ou bronquite, problemas causados por inflamações e alergias. No caso da auxiliar de escritório Stefani Amanda Lautenschlager, a história se repete todos os anos.

Paciente mostra como utiliza a bombinha de asma quando sua doença respiratória dá sintomas na primaveraNova estação e a polinização contribuem para o aumento de doenças respiratórias – Foto: Suyá Monteiro/Divulgação/ND

“Quando chega a primavera, começo a ficar com coceira; a rinite fica mais atacada, com mais frequência. Todos os dias tenho essa coceira na garganta, que me incomoda, e é algo que me atrapalha porque nem sempre passa”, comenta a jovem, que convive com o desconforto nos olhos e no nariz, motivos que impactam o convívio em família e o rendimento profissional.

Além da mudança nos termômetros, outra justificativa para o predomínio das doenças respiratórias é a mudança de estação, já que a primavera é o tempo em que as plantas florescem, contribuindo para o aumento na produção de pólen. “Devido à hipersensibilidade do sistema imunológico ao contato com os alérgenos (substâncias de origem animal), o tempo seco e as baixas temperaturas podem irritar a via aérea e as mucosas, causando o processo de inflamação”, explica o médico pneumologista do Instituto do Sono e Medicina Respiratória, Lucas Selistre Lersch. Conjuntivite e catapora também são patologias que surgem nesta época do ano.

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Para quem convive com a rinite e a bronquite, caso da autônoma Caliana Carla Moreira, a piora no bem-estar começa a surgir durante a noite — e a primeira crise da primavera já foi registrada. “Fico com os olhos inchados, lacrimejando, nariz com coriza quase sempre e até dores de garganta. Fico com dificuldade para fazer as tarefas normais porque me tira as forças”, diz a mulher, que foi diagnosticada ainda na infância e já reconhece a interferência na saúde. “As dores de cabeça e o pulmão ‘cheio’ me deixam fraca. Não consigo carregar peso ou até mesmo caminhar. Tudo o que faço é mais lento”.

Por mais que cada pessoa apresente sintomas distintos, há pontos em comum. “Existem diversas formas de desencadear um quadro de asma, sendo as mais comuns a alérgica e a inflamatória. Ao entrar em contato com fatores desencadeantes, como pólen, tempo seco, poeira, pó, mofo ou produtos de limpeza, é possível haver o surgimento da inflamação. A conjuntivite e a rinite, na maioria dos casos, acontecem da mesma forma”, menciona o médico, reforçando que aqueles que convivem com a asma precisam estar atentos às crises graves, mantendo o acompanhamento médico.

Cuidados compartilhados

Quando o assunto são as dicas para melhorar a qualidade de vida, existem medidas que podem ser aplicadas no dia a dia, amenizando as reações do organismo. Confira alguns pontos indicados pelo médico Lucas Selistre Lersch:

  • Acompanhe os índices de polinização e evite atividades externas quando estiver mais elevado;
  • Limpe regularmente tapetes, cortinas e superfícies com acúmulo de pó ou poeira; Lave as roupas para evitar contato prolongado com pólen;
  • Mantenha as vacinas em dia; Beba bastante água;
  • Após o diagnóstico, siga as orientações médicas;
  • Se houver sinais de alerta, procure atendimento médico.

O médico Lucas Selistre Lersch está sentado apoiado com os braços em uma mesa durante entrevista sobre doenças respiratórias na primavera em Santa CatarinaO médico Lucas Selistre Lersch relata aumento de casos de doenças respiratórias durante a primavera – Foto: Suyá Monteiro/Divulgação/ND

Fique atento aos sintomas das doenças respiratórias

Mesmo que os sinais principais sejam similares aos de outros problemas, como a gripe, é importante estar atento às respostas do corpo. “Em relação à asma, os principais sintomas são tosse seca, tosse com secreção, sibilância (chiado), sensação de pressão no peito, principalmente à noite, despertares durante a madrugada e cansaço ou falta de ar. Sobre a rinite, geralmente espirros, coriza e coceira”, fala o especialista.

Já a conjuntivite, que pode ser causada pela produção de pólen ou até mesmo pela poluição, tem como principal característica a vermelhidão ocular. “Pode causar irritação, lacrimejamento e aquela sensação de ‘areia nos olhos’, relata o profissional. A catapora, causada pelo vírus Varicela-Zoster, entra na lista das doenças mais comuns na primavera por conta da mudança de temperatura, cenário ideal para a proliferação de bactérias — mal-estar, febre e manchas pelo corpo são alguns dos sinais.

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