Sem leitos de UTI (Unidade de Terapia Intensiva) e enfermaria para pacientes com Covid-19, o município de Xanxerê, no Oeste de Santa Catarina, emitiu, por meio do prefeito Oscar Martarello, um grito de socorro ao Brasil.
Vinte e sete pacientes aguardam leitos de UTI em Xanxerê – Foto: HRSP/Divulgação/NDCom 20 pessoas internadas na UTI e 8 na enfermaria, o HRSP (Hospital Regional São Paulo), referência no atendimento no município, está sofrendo com a superlotação.
Nesta quinta-feira (25), o hospital conta com 27 pessoas aguardando leitos de UTI e uma aguardando leito de enfermaria. Assim como em Chapecó, o colapso na saúde está se expandido para municípios da região Oeste e para todo o Estado de Santa Catarina.
SeguirNas últimas horas, o município registrou a 61ª morte por coronavírus. A vítima foi uma mulher de 74 anos que estava internada na UTI do Hospital Regional São Paulo. De acordo com a Vigilância Epidemiológica do município, a idosa estava internada desde o dia 11 de fevereiro e tinha outras comorbidades.
Número de mortes cresce de forma acelerada
O médico coordenador da emergência e da UTI Covid do Hospital Regional São Paulo, Vinicius Chies de Moraes, afirmou que a situação é desesperadora. De acordo com ele, não é algo que está por acontecer, mas já está acontecendo.
“Pessoas estão morrendo uma atrás da outra. As famílias quando recebem a notícia que um ente querido conseguiu um leito de UTI elas se renovam de esperança, mas esses pacientes chegam extremamente graves. Temos um empilhamento de pessoas na emergência do hospital. Não temos condições técnicas de atender”, disse.
O médico salientou que a história de escolher quem vai ter a opção de ser entubado ou não, não é uma realidade da Itália, é uma realidade que já está acontecendo. “Teremos mortes em grande escala. É desesperador”, acrescentou.
Prefeito pede socorro
O prefeito de Xanxerê, Oscar Martarello, enfatizou que a cidade precisa da ajuda do governo federal, do governo estadual, das Forças Armadas. “Precisamos remover esses pacientes para outros lugares. Não dá mais para falar em montar leitos de UTI aqui. Não temos mais tempo para isso. Estamos desesperados, todos unidos, trabalhando e virando a noite”, disse em coletiva de imprensa na quarta-feira (24).
Martarello citou que a administração municipal vem se mobilizando, inclusive com as restrições adotas por meio de decretos. “Prefiro fechar as portas de um estabelecimento que não respeita regras, do que não ter vaga para um paciente no hospital”, enfatizou.
O prefeito de Xanxerê informou, na manhã desta quinta-feira (25) que o governo do estado, o próprio ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, e as Forças Armadas entraram em contato prestando suporte. “Amanhã cedo o Ministério da Saúde enviará três técnicos para prestar apoio ao HRSP. Acredito que nas próximas horas novas ajudas virão. Esse grito ecoou por vários estados do nosso país”.
Município vive pior momento da pandemia – Foto: HRSP/Divulgação/ND“Colapso total”
O diretor geral do HRSP, Fábio Lunkes, afirmou que o hospital está em colapso total. Segundo ele, não há mais condições de atender pacientes nesse fluxo.
“Estamos com pacientes sendo atendidos em corredores e salas improvisadas. A equipe está esgotada. Vamos começar a perder pacientes na porta do hospital, dentro de ambulâncias ou até mesmo em suas casas”, acrescentou.
Lunkes reforçou, ainda, que o hospital, somente com sua equipe de trabalho, ‘não conseguirá vencer essa guerra’. “Não temos mais pessoal, estrutura e os insumos estão no limite. Equipe técnica desfalcada e reduzida”.