Um teste rápido e mais preciso para a detecção da Covid-19 está sendo desenvolvido pela doutoranda Rahisa Scussel, da Unesc (Universidade do Extremo Sul Catarinense).
O investimento de R$ 100 mil da Fapesc (Fundação de Amparo à Pesquisa e Inovação de Santa Catarina) tem como objetivo que, até setembro, a pesquisadora possa concluir o teste, que pode estar disponível já em dezembro.
Como resultado, o teste pode ser utilizado também em novas pandemias ou para o diagnóstico de outras doenças. A pesquisadora afirma que deve seguir pesquisando a Covid-19 até pelo menos 2023.
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Pesquisa utiliza-se de bioinformática, possibilitando análises dos dados biológicos – Foto: Divulgação/Unesc/NDComo funciona
O estudo consiste em desenvolver uma plataforma de detecção de aminoácidos pontuais do vírus que se ligam aos anticorpos da pessoa infectada.
Atualmente, estão sendo feitas análises com utilização de método com nanomateriais magnéticos, o que possibilita um teste mais preciso.
“Queremos selecionar essa região específica para que não tenha uma reatividade cruzada com outras doenças, com outros vírus. Isso vai garantir a especificidade no nosso teste. A gente vai conseguir, então, diferenciar os indivíduos com a Covid-19 de outros tipos de enfermidades, como a influenza (gripe), por exemplo”, explica a pesquisadora.
O orientador e professor Ricardo Andrez Machado de Avila, que mudou o foco dos seus estudos para a Covid-19, afirma que busca conseguir resultados o mais rápido possível, com a possibilidade de que o teste esteja disponível em dezembro.
“Vamos baratear o teste sorológico e dar mais segurança no resultado do teste rápido”, destaca o professor.
Com isso, o resultado esperado é de um diagnóstico rápido e mais eficiente do que os utilizados atualmente, que tendem a ter uma precisão inferior ao PCR, por exemplo – que leva cerca de dois dias úteis para diagnosticar o vírus.
“Comparando com teste de ELISA tradicional (para detecção de anticorpos), por exemplo, com o de nanomaterial magnético, a gente notou que tende a apresentar maior sensibilidade e uma maior precisão dos resultados em um espaço de tempo menor”, explica Avila.
O estudo envolve, além da Unesc, as universidades federais do Amazonas, de Minas Gerais, de Santa Catarina e a Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz).
Os R$ 100 mil destinados pela Fapesc são para a etapa de análises clínicas, por meio de edital que visa financiar pesquisa para combater a Covid-19. O montante será para insumos e custos como transporte e armazenamento das análises.