Testes de Covid-19 são flagrados no lixo em cidade de SC

Prefeitura de Rio do Oeste vai instaurar sindicância para investigar o ocorrido, mas ressalta que não haviam usado porque os testes seriam "ineficazes"

Julia S. Schaefer Blumenau

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Centenas de testes rápidos para detecção de anticorpos da Covid-19, da fabricante Basall, foram encontrados no Centro de Triagem e Compostagem de Rio do Oeste, no Alto Vale do Itajaí, para onde vai o lixo domiciliar da cidade. Por meio de vídeo divulgado na internet, a prefeitura justificou, na última quarta-feira (19), que fez o descarte porque eles seriam “ineficazes”. As caixas tinham validade até junho.

Testes foram descartados pela prefeitura de Rio do Oeste – Foto: Divulgação/NDTestes foram descartados pela prefeitura de Rio do Oeste – Foto: Divulgação/ND

Em vídeo publicado pela prefeitura nesta quarta-feira (19), o secretário de Saúde, Odair José Martins, diz que a prefeitura vai instaurar sindicância para investigar o ocorrido, mas ressalta que não haviam usado porque os testes seriam “ineficazes”. As caixas foram recolhidas pela Vigilância Sanitária, onde ficarão durante a apuração dos fatos.

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“Assim que elucidados todos os fatos envolvidos e concluídas as investigações informaremos o resultado a toda a população”, esclarece o secretário de Saúde.

Ainda no mesmo vídeo a médica do sistema público de saúde do município, Mariela Paese, afirma que os testes foram recebidos do Governo Federal no início da pandemia e reforça que foram descartados por não serem antígenos, e sim detectarem a presença de anticorpos.

A médica conta que a prefeitura está recebendo do Governo do Estado o teste rápido antígeno, e que por isso os da fabricante Basall não foram utilizados.

“A gente nunca indicou porque não eram eficazes, não tinham confiança suficiente”, conta. Mariela ainda finaliza dizendo que não vê motivo “para esse auê todo que estão fazendo”.

Vídeo mostra caixa cheia de testes

Um vídeo no Centro de Triagem e Compostagem de Rio do Oeste mostra dezenas de caixas lacradas do kit de testagem rápida para detecção de anticorpos da marca Basall. Os testes tinham validade até junho deste ano.

Assista

Vídeo mostra caixa cheia de testes no Centro de Triagem e Cospostagem de Rio do Oeste – Vídeo: Divulgação/ND

O teste jogado fora

De acordo com a fabricante, o kit foi desenvolvido para a detecção qualitativa de anticorpos COVID-19 IgM/IgG em amostras de soro humano, plasma ou sangue venoso, como diagnóstico auxiliar da infecção por Covid-19.

Segundo a fabricante, o resultado é determinado em dez minutos, com sensibilidade de 95,86% e especificidade de 100% e a empresa tem registro na Anvisa.

O teste é mesmo ineficaz?

De acordo com nota técnica divulgada pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), os testes para a pesquisa de anticorpos possuem limites de detecção em função do desenvolvimento do produto e ao estado imunológico do paciente.

“Sendo assim, resultados não reagentes (negativos) não excluem a infecção por SARS-CoV-2 e resultados reagentes (positivos) não devem ser usados como evidência absoluta de infecção,  devendo ser interpretado por profissional de saúde em associação com dados clínicos e outros exames laboratoriais confirmatórios”.

O documento ainda reforça que a exclusão ou confirmação do diagnóstico não deve ser feita por avaliação isolada de testes rápidos.

A nota também orienta que os testes de pesquisa de anticorpos (sorológicos) sejam feitos com no mínimo oito dias de sintomas.

Diferença dos testes rápidos antígenos

Diferente dos testes sorológicos, que identificam anticorpos, os testes antígenos são utilizados para identificar com maior precisão se um indivíduo está infectado no momento da testagem.

Ainda assim, a Anvisa ressalta que testes rápidos para pesquisa de antígenos não substituem o PCR-RT, que é considerado o padrão para diagnóstico de Covid-19.

Eles devem ser priorizados em casos de suspeitos leves e, ocasionalmente, para contatos de pacientes confirmados. O uso não é recomendado para assintomáticos.

A reportagem do ND+ entrou em contato com a Secretaria de Saúde de Rio do Oeste, mas não houve retorno até a publicação na noite desta quinta-feira (19). O espaço segue aberto.

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