“Todas as vacinas terão prioridade no SUS”, diz ministro da Saúde

Plano Nacional de Operacionalização da Vacina foi apresentado na manhã desta quarta-feira (16); governo federal não definiu datas para início da imunização

Bruna Stroisch Florianópolis

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O governo federal lançou nesta quarta-feira (16), em cerimônia que iniciou por volta das 10h30 no Palácio do Planalto, o Plano Nacional de Operacionalização da Vacina contra a Covid-19. Não foram divulgadas datas para o início da vacinação.

O evento contou com a presença do presidente Jair Bolsonaro (sem partido) e do ministro da Saúde, Eduardo Pazuello. O governador Carlos Moisés da Silva (PSL) também viajou a Brasília para acompanhar o lançamento. 

Presidente Jair Bolsonaro recebe o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19. – Foto: Reprodução/Facebook/NDPresidente Jair Bolsonaro recebe o Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19. – Foto: Reprodução/Facebook/ND

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, disse em seu discurso, que a vacinação dos brasileiros será toda custeada pelo SUS (Sistema Único de Saúde).

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“Todas as vacinas terão prioridade no SUS, seja de qualquer laboratório. Todos os brasileiros receberão as vacinas de forma grátis desde que registradas e garantidas em sua segurança e eficácia. Não podemos brincar com a saúde da população”, destacou.

Já a logística da vacinação contará com o apoio de empresas aéreas que teriam se oferecido para os serviço de forma gratuita.

O ministro também falou sobre as quatro fases do plano e o comparou com uma “guarda-chuva”, ao afirmar que as regras serão escalonadas para estados e municípios.

A primeira fase é o planejamento inicial, com a apresentação do plano. As próximas fases contarão com o auxílio do Ministério da Defesa.

Segundo Pazuello, na sequência, o governo federal distribuirá as vacinas aos estados que, por sua vez, serão os responsáveis pelo repasse aos municípios, que vão executar, efetivamente, a vacinação.

O Ministério da Defesa fará o encaminhamento da logística, segurança e inteligência de todo o percurso da vacina.

Características da vacina

O secretário de Vigilância em Saúde da pasta, Arnaldo Medeiros, apresentou as fases do plano de vacinação.

As vacinas selecionadas para imunizar a população contra a Covid-19 deverão conferir proteção contra a doença grave e moderada; ter elevada eficácia; segurança; indução de memória imunológica; possibilidade de uso em todas as faixas etárias e grupos populacionais e apresentar tecnologia com baixo custo de produção.

O Brasil estuda a adesão às vacinas do Consórcio entre laboratórios Covax Facility, Oxford/AstraZeneca, Pfizer, Instituto Butantan, Bharat Biotech, Moderna e Janssen.

Campanha de comunicação

Uma campanha de comunicação também está prevista no plano do governo federal.

A Fase 1 tem o intuito de transmitir segurança à população em relação à eficácia dos imunizantes que serão eventualmente adotados pelo país. A Fase 2 da campanha ocorrerá quando houver definição das vacinas.

Presidente Jair Messias Bolsonaro participa do lançamento do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19 – Foto: Reprodução/Facebook/NDPresidente Jair Messias Bolsonaro participa do lançamento do Plano Nacional de Operacionalização da Vacinação Contra a Covid-19 – Foto: Reprodução/Facebook/ND

“Pressão” pela apresentação do plano

O ministro da Saúde, Eduardo Pazuello, reclamou da “pressão” pela apresentação do plano. “Temos um dos melhores programas de imunização do mundo. Somos os maiores produtores de vacina da América Latina. Não entendo o motivo dessa angústia”, frisou.

De acordo com o plano divulgado pelo Ministério da Saúde a imunização será feita em quatro grupos prioritários que somam 50 milhões de pessoas. Serão necessárias 108,3 milhões de doses de vacina, já incluindo 5% de perdas.

A prioridade será para trabalhadores da saúde, idosos, pessoas com doenças crônicas (hipertensão de difícil controle, diabetes mellitus, doença pulmonar obstrutiva crônica, doença renal, entre outras), professores, forças de segurança e salvamento e funcionários do sistema prisional.

Segundo o plano, o governo federal já garantiu 300 milhões de doses de vacinas contra a Covid-19 por meio de acordos.

O presidente, Jair Bolsonaro, afirmou que, nos próximos dias, deve destinar R$ 20 bilhões para a compra da vacina “que se encaixar nos critérios de segurança e efetividade da Anvisa”.

Até agora, nenhum imunizante está registrado e licenciado pela Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária), etapa prévia obrigatória para que a vacinação possa ser realizada.

O planejamento da vacinação nacional é orientado em conformidade com o registro e licenciamento de vacinas, que no Brasil é de atribuição Anvisa.

SC segue plano de vacinação nacional

O governador de Santa Catarina, Carlos Moisés, também acompanhou a cerimônia de lançamento do Plano Nacional de Operacionalização da Vacina contra a Covid-19. O Estado diz que segue alinhado com o governo federal.

Contudo, nesta segunda-feira (14), o secretário de Estado da Saúde, André Motta Ribeiro, se reuniu com representantes do laboratório Sinovac, que produz a vacina Coronavac em parceira com o Instituto Butatan e com membros da embaixada italiana para falar sobre a vacina Moderna.

Após os encontros, o governo de Santa Catarina informou que já trabalha com a hipótese de importar a vacina chinesa diretamente do fabricante.

A expectativa é de que o plano de vacinação de Santa Catarina seja divulgado ainda nesta quarta-feira. Com informações dos repórteres Otávio Augusto e Flávia Said, do Metrópoles.