O tomógrafo do Hospital Florianópolis, na Capital catarinense, está quebrado há pelo menos 45 dias, desde o dia 9 de março. A situação foi denunciada por familiares de pacientes, que evidenciaram a dificuldade para realizar um dos exames mais importantes no diagnóstico e acompanhamento da Covid-19. A unidade hospitalar é referência no tratamento da doença na região da Grande Florianópolis.
Tomógrafo quebrado atrasa tratamento da Covid-19 no Hospital Florianópolis – Foto: Reprodução/Google MapsNesta quinta-feira (21), o MPSC (Ministério Público de Santa Catarina) cobrou esclarecimentos sobre a situação à direção do hospital. Em um ofício, o órgão estadual deu prazo de 48 horas para a unidade se manifestar.
O hospital confirma que o equipamento está em manutenção e diz que nenhum paciente ficou desassistido. Os casos são geridos pelo Núcleo Interno de Regulação e avaliados por um corpo técnico. Quando é apontada a necessidade de realização do exame, os pacientes são levados até outras unidades da rede pública ou clínicas particulares, onde são submetidos ao procedimento.
De acordo com o diretor técnico do hospital, Luís Pires, de um a dois pacientes são transportados em UTI móvel para realizar o exame por dia. “A gente avalia caso a caso, qual paciente tem uma real indicação e qual o custo benefício de se fazer este exame e só temos transportado e realizado estes exames em pacientes que não apresentem o risco de serem transportados”.
O diretor explica que existem também pacientes em quadro instável, casos em que não é recomendável que saiam da UTI para realizar o exame em outra área do próprio hospital. “Esses pacientes, aguardamos até que estabilize melhor o quadro para avaliar a necessidade ou não da realização do exame”, completou.
Conforme o MPSC, a AHFLOR (Associação de Amigos do Hospital Florianópolis) comprou a peça necessária para o conserto do tomógrafo, que estava previsto para o dia 15 de março. Segundo Pires, o equipamento da unidade chegou a ser consertado, mas a assistência responsável teria identificado problemas em outro componente, que precisou ser importado, durante a troca de peças.
“Devido a problemas de logística pela pandemia, essa placa que vem de fora, segundo eles, demorou um pouco para chegar e está previsto a chegada e o conserto desta placa na próxima segunda-feira. Então, esperamos que no próximo dia 26 o nosso aparelho de tomografia volte a pleno funcionamento”, disse o diretor técnico.
Enquanto isso, pacientes e familiares aguardam apreensivos. A técnica de enfermagem Suelem de Souza Rosa está preocupada com o futuro do tratamento do pai. “O Hospital Florianópolis não fez a tomografia no meu pai, que é para saber o nível de comprometimento do pulmão dele. O médico precisa saber como que está a situação do paciente para poder dar o tratamento correto para ele e isso não está acontecendo”, falou.
Pai de Leize Magalhães Cordeiro estava internado no hospital e precisou do exame – Foto: Reprodução/NDTV RecordTVO pai da empresária Leize Magalhães Cordeiro também foi internado no Hospital Florianópolis após receber o diagnóstico de Covid-19. Depois de cinco dias na enfermaria da unidade, ele foi transferido para a UTI.
“Ele já não tinha mais respostas neurológicas, respostas físicas e os médicos comentaram que poderia ser um AVC (derrame cerebral) que ele tinha tido em coma, na UTI. Mas, para que eles comprovassem isso e soubessem o que fazer a partir disso, como proceder, precisaria da tomografia. E a gente já tinha conhecimento de que o tomógrafo do hospital não estava funcionando há algum tempo”, lembrou Leize.
O pai dela só foi submetido ao exame depois que a família entrou com um pedido no MPSC. Segundo a empresária, a unidade informou que o exame foi feito no Hospital Celso Ramos. Infelizmente, o pai de Leize não resistiu às complicações da Covid-19 e faleceu 22 dias após dar entrada na internação.
“É um aparelho importante. Soubemos até que outros pacientes precisavam, não era só o meu pai, e que esse aparelho já estava há bastante tempo para ser consertado. Então, a gente fica revoltado, chateado”, lamenta Leize.