O comunicador e advogado catarinense Evandro Saad, de 50 anos, morreu na tarde desta terça-feira (20), em Florianópolis. Ele realizava uma cirurgia para a retirada de um dreno, no início da tarde.
Saad descobriu um câncer no início deste mês, após uma série de complicações de saúde desde que contraiu a Covid-19, ainda em 2020.
Evandro Saad publicou uma foto em uma ambulância nesta segunda-feira (20) – Foto: Reprodução/FacebookA informação foi confirmada pelo ex-vice prefeito de Florianópolis, João Batista Nunes. Amigo próximo de Evandro Saad, ele destacou a força de vontade e perseverança do amigo.
Seguir“Começamos a fazer política juntos, na área comunitária e esportiva. Ele sempre foi um guerreiro, de uma trajetória invejável, sempre trabalhou muito para alcançar seus objetivos. Perdemos além de um amigo uma liderança emergente da nossa cidade”, lamenta João Batista Nunes.
Ainda na tarde desta terça, Simone Saad, prima de Evandro, confirmou a morte em nome da família.
“Queridos amigos. Com tristeza comunico a passagem do meu primo, Evandro Saad, que veio morar aos 9 anos com a nossa família, portanto o tinha como irmão, no Hospital Regional de São José, onde lutava contra um câncer, descoberto há pouco tempo, porém, em estágio avançado”.
Evandro Saad começou a carreira como comunicador. Trabalhou em diversos veículos de Santa Catarina, a RCE TV e a TV Barriga Verde. Depois, se formou em Direito. Ele era advogado pós-graduado em Direito Penal e Direito Processual Penal, além de empresário e foi uma pessoa de grande influência no Estado.
Complicações da “Covid longa” e câncer
Evandro Saad contraiu Covid-19 ainda no ano de 2020, mas segundo as próprias palavras, “não teve mais paz” desde então.
Ele frequentemente atualizava o quadro de saúde em publicações na sua conta no Facebook. “Falando por mim, tive Covid no ano passado e desde então nunca mais tive paz. Um período foi inchaço nas pernas, depois veio a fase da febre em conjunto com a sudorese (quatro trocas de roupas por noite, incluindo a roupa de cama), posterior, problemas no pulmão. […] Não está sendo nada fácil, tem dia que me sinto com 200 anos para me movimentar. Por fim, a Covid é uma doença que tem muito ainda a ser estudada, se cuidem, fiquem com Deus e me incluam nas orações de vocês”, escreveu, no dia 24 de junho deste ano.
Saad estava internado no Hospital Regional de São José desde o dia 26 de junho. No dia 1º de julho, ele informou nas redes sociais que descobriu um mieloma múltiplo (câncer nas células plasmáticas).
“Continuo internado com possível transferência para o Hospital do Cepon ou Celso Ramos. Hora agora é de eu não desistir e muito menos desanimar”, disse.
Sua última atualização foi nesta segunda-feira (19), quando o comunicador e advogado comemorava ter conseguido uma vaga no Cepon.
Às 14h30 desta terça-feira (20), Evandro realizava uma cirurgia para a retirada de um dreno dos pulmões, no Hospital Regional. De acordo com informações do jornalista Urbano Salles, sua esposa relatou que os médicos tentaram reanimá-lo por 30 minutos, mas sem sucesso.
Infectologista explica os efeitos da doença
De acordo com o médico e infectologista Martoni Moura e Silva, a Covid longa é uma questão que envolve um diagnóstico difícil, visto que a Covid-19 ainda é muito pouco conhecida.
“Não se tem uma regra, não se tem uma definição de quais sintomas são presentes nele, mas é algo bem factível. Tem muitos casos acontecendo, inclusive muitos casos onde a pessoa nem percebe mas pode estar com Covid prolongada”, explica.
Ao relatar os sintomas destes casos, o médico destaca que em muitas oportunidades a doença chega a se manifestar com mais força mesmo muito tempo depois da infecção.
“Os sintomas são cansaço persistente, uma dor de cabeça persistente… e muitas vezes aparecem até sintomas que não se apresentaram na fase aguda da doença. Existem pacientes que apresentam até traumas psicológicos, como síndrome do pânico, depressão, após o episódio da Covid-19, pessoas jovens até”.
No entanto, não existem indicativos de que a Covid possa ter influenciado no câncer que afetou o comunicador catarinense.
“Até então, não temos indícios de que a Covid tenha a ver com lesões malignas, como um câncer de qualquer espécie”.
Moura e Silva destaca, no entanto, que são maiores as chances de problemas de saúde serem diagnosticados quando não se sabe ao certo o que há de errado com um paciente.
“Este caso específico, acredito eu que tenha sido uma coincidência de fatores, até porque quando um paciente que está tendo sintomas que não sabemos direito o que é, fazemos uma investigação diagnóstica mais minuciosa, e assim possivelmente podemos encontrar outras patologias que já existiam ou passaram a existir.”