Vacina brasileira contra cocaína e crack vence prêmio de inovação em saúde

Votação foi aberta a médicos de 17 países da América Latina e vacina brasileira ganhou destaque

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Redação ND Florianópolis

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A vacina terapêutica brasileira para o tratamento da dependência em cocaína e crack (batizada de Calixcoca) venceu a categoria Inovação Tecnológica Aplicada à Saúde do Prêmio Euro 2023 e agora concorre como Iniciativa Destaque. O vencedor dessa etapa receberá 500 mil euros.

O projeto desenvolvido na Faculdade de Medicina da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais) já concluiu todas as etapas pré-clínicas que consideraram o imunizante seguro e eficaz.

Vacina contra dependência de crack e cocaína Vacina contra crack e cocaína desenvolvida em Minas Gerais é finalista de prêmio – Foto: Divulgação/UFMG -Vitor Maia Ferreira/ND

Atualmente não existem tratamentos registrados em agências regulatórias para essas dependências. As alternativas disponíveis são comportamentais ou usam medicamentos com função sintomática, ou seja, que ajudam a tolerar a abstinência ou diminuir a impulsividade.

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Só para se ter uma ideia, o crack e a cocaína são consumidos por mais de 18 milhões de pessoas no mundo, segundo o Escritório da ONU para Drogas e Crimes. Desse total, 25% vão se tornar dependentes, sendo o Brasil o segundo maior consumidor, atrás apenas dos Estados Unidos.

O medicamento desenvolvido na UFMG induz o sistema imune a produzir anticorpos que se ligam à cocaína na corrente sanguínea. Essa ligação transforma a droga numa molécula grande, que não passa pela barreira hematoencefálica.

“Demonstramos a redução dos efeitos, o que sugere eficácia no tratamento da dependência. Pensamos em utilizar o fármaco para evitar recaídas em pacientes que estão em tratamento, dando mais tempo para eles reconstruírem sua vida sem a droga”, aponta o professor do Departamento de Saúde Mental da Faculdade de Medicina e pesquisador responsável, Frederico Garcia.

Anticorpos em grávidas

Outra possibilidade de uso foi observada nos testes em ratas grávidas, que produziram níveis significativos de anticorpos.

“A vacina impediu a ação da droga sobre a placenta e o feto. Observamos menos complicações obstétricas, maior número de filhotes e maior peso do que as não vacinadas”, relata o professor Frederico.

Nova aliada: vacina contra dependência de crack e cocaína Vacina ganhou o prêmio, agora concorre como destaque – Foto: Divulgação/UFMG -Vitor Maia Ferreira/ND

A proposta da vacina quer enfrentar a dependência em cocaína e seus derivados, como o caso do crack, que é uma mistura da substância com bicarbonato de sódio ou amônia. O projeto já concluiu os testes pré-clínicos e busca financiamento para avançar até a etapa com humanos.

Prêmio Euro

O Prêmio Euro Inovação na Saúde reconhece grandes inovações da área médica e incentiva o desenvolvimento de soluções. Nesta segunda edição, serão contemplados três vencedores em quatro categorias diferentes.

A vacina anticocaína venceu a categoria Inovação Tecnológica Aplicada em Saúde. Agora, concorre ao prêmio de Grande Destaque.

Podem votar profissionais de medicina com registro ativo na Argentina, Bolívia, Brasil, Chile, Uruguai, Paraguai, Peru, Equador, México, Colômbia, Guatemala, El Salvador, Nicarágua, Panamá, Costa Rica, Honduras ou República Dominicana.

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