Vacina contra a Covid-19 comprada pelo Brasil tem testes suspensos; e agora?

Vacina produzida pela Universidade de Oxford tem parceria com a Fiocruz e país encomendou 30,4 milhões de doses iniciais para dezembro; número pode chegar a 100 milhões se comprovada sua eficácia

Redação ND Florianópolis

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A vacina produzida pelo laboratório AstraZeneca em parceria com a Universidade de Oxford, na Inglaterra, teve seus testes suspenso pelos cientistas responsáveis pelo projeto. O anúncio foi feito nesta terça-feira (8) e pegou o mundo de surpresa.

O Brasil é um dos países que compraram doses da imunização e firmaram acordo para a sua produção em território nacional, por meio do Instituto Oswaldo Cruz, a Fiocruz. Foram 30,4 milhões em dezembro e janeiro e mais 70 milhões na sequência, em caso de sucesso.

Vacina contra a Covid-19 é esperada pelo mundo todo – Foto: Pixabay/NDVacina contra a Covid-19 é esperada pelo mundo todo – Foto: Pixabay/ND

De acordo com a universidade, um dos voluntários teve uma reação adversa e, por isso, os testes – que já estão em sua fase final – foram pausados até que se descubra as circunstâncias do ocorrido. Isso significa que nenhum outro voluntário será vacinado neste momento.

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“Em grandes ensaios, os eventos adversos acontecem ao acaso, mas devem ser revistos de forma independente para verificar isso cuidadosamente”, afirma parte da nota enviada à imprensa pela Oxford.

Mas a pergunta que fica é: e agora? Corremos o risco de ficar sem a vacina?

A expectativa era que as primeiras doses chegassem ao Brasil já em dezembro, com alguns palpites mais otimistas até para antes. Porém, em entrevista ao canal por assinatura CNN, o diretor da Fiocruz, Julio Croda, afirmou que recebeu o comunicado sobre a pausa no estudo e que isso vai atrasar o processo. “Não há previsão para iniciar a vacinação”, disse.

Porém, outras vacinas estão em testes no mundo e têm o Brasil como potencial público-alvo. Uma delas é a Coronavac, produzida pela chinesa Sinovac e também com acordo de transferência de tecnologia com outro laboratório brasileiro renomado, o Instituto Butantan, em São Paulo.

O Governo paulista encomendou 45 milhões de doses dela e ela também pode chegar ao Brasil até dezembro de 2020. Até maio o número pode ser de 100 milhões. Ela não estaria disponível apenas para o estado governado por João Dória, mas também integraria a rede do SUS (Sistema Único de Saúde) para todos os brasileiros.

Uma terceira via passou a ganhar força nos últimos dias. A Sputnik V, anunciada pela Rússia recentemente teve resultados publicados pela revista científica Lancet, referência mundial em estudos científicos. Apesar de contestações ao método feito pela publicação, o governo russo garante a eficácia e já liberou o primeiro lote para a sua população, além de anunciar sua comercialização no México.

No Brasil, o governo do Paraná firmou acordo para testá-la e o da Bahia também negocia com o Kremlin acordo semelhante.