Na última semana, a farmacêutica Moderna divulgou uma promissora vacina contra câncer de pele, conhecida como V940 ou mRNA-4157. O dermatologista Gustavo Borchardt, contudo, ressalta que a evolução científica não substitui o uso de protetor solar.
Vacina contra o câncer de pele não substitui protetor solar, diz médico – Foto: Unsplash/Divulgação/NDSegundo o médico, imunizantes como este, anteriormente utilizados durante a pandemia de Covid-19, estão auxiliando os cientistas na busca por novos tratamentos, uma consequência positiva desse período desafiador.
Borchardt esclarece que, apesar da notícia animadora, a vacina não serve como “prevenção” ao câncer de pele, mas sim como um “tratamento”, especialmente eficaz para o melanoma, o tipo mais grave e fatal da doença.
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Explicando o funcionamento da vacina, o médico destaca que o DNA do câncer do paciente é extraído, sequenciado em 34 partes de RNA contendo o DNA cancerígeno e, em seguida, essa “mistura” é aplicada ao paciente. Assim, o indivíduo desenvolve imunidade através da injeção, capacitando o próprio corpo a combater o câncer.
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Apesar do otimismo, Borchardt lembra que os ensaios da fase 3 da vacina já haviam sido divulgados em julho deste ano. O tratamento proposto envolve a combinação da vacina com outra medicação chamada pembrolizumab, disponibilizada no SUS há três anos.
O médico destaca a complexidade e os custos associados a esse processo, levantando questionamentos sobre a viabilidade de tornar a vacina acessível a todos os pacientes gratuitamente.
Encerrando sua análise, Borchardt ressalta a importância da cautela diante de novos tratamentos, destacando a necessidade contínua de medidas preventivas, como o uso de filtro solar, controle da exposição ao sol e a adoção de hábitos saudáveis.
O que é o câncer de pele?
Segundo o Ministério da Saúde, o câncer de pele é uma condição maligna que se origina nas células da pele, sendo uma das formas mais comuns de câncer. Caracteriza-se pelo crescimento anormal de células que podem se tornar invasivas e se espalhar para outras partes do corpo.
Este tipo de câncer pode ser dividido em dois grupos principais: carcinoma basocelular e carcinoma espinocelular, ambos geralmente associados à exposição excessiva aos raios ultravioleta do sol.
O carcinoma basocelular é o tipo mais comum e costuma se desenvolver em áreas expostas ao sol, como face e pescoço. Embora raramente se espalhe para outras áreas do corpo, pode causar danos locais significativos.
Já o carcinoma espinocelular é mais agressivo e pode se espalhar para outras partes do corpo, se não for tratado precocemente. Ele também está associado à exposição solar, bem como a fatores como tabagismo e infecções virais.
É fundamental estar atento aos sinais de câncer de pele, como mudanças em manchas, feridas que não cicatrizam, ou crescimentos anormais. A prevenção é centrada na proteção solar, com o uso regular de protetor solar, vestuário adequado e limitação da exposição direta ao sol, especialmente nos horários de pico.