Vacina contra Covid-19 para adolescentes é suspensa, confirma Queiroga

Apenas menores de 18 anos de idade com deficiências permanentes, comorbidades ou privados de liberdade poderão receber imunizante

Redação ND Florianópolis

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Foi confirmada na tarde desta quinta-feira (16) pelo ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, a suspensão de vacina contra a Covid-19 para adolescentes entre 12 e 17 anos.

A recomendação de aplicação do imunizante agora fica restrita aos menores de 18 anos com deficiências permanentes, comorbidades ou privados de liberdade.

O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, suspende vacinas para adolescentes menores de 18 anos sem comorbidades no Brasil – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/NDO ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, suspende vacinas para adolescentes menores de 18 anos sem comorbidades no Brasil – Foto: Fabio Rodrigues-Pozzebom/Agência Brasil/ND

No começo deste mês, o próprio Ministério publicou uma nota informativa recomendando a vacinação desse público.

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No entanto, durante a entrevista coletiva desta quinta, o ministro disse que “de forma intempestiva” quase 3,5 milhões de crianças e adolescentes entre 12 e 18 anos foram vacinados. Desse total, 1,5 mil (0,04%) apresentaram eventos adversos, segundo informações do portal R7.

Marcelo Queiroga criticou o fato de os Estados começarem as aplicações antes da data prevista na nota técnica anterior. Secretários de Saúde demonstraram surpresa pela suspensão da imunização de crianças e adolescentes sem uma deliberação tripartite.

“Quem fica surpreso sou eu”, disse o ministro. “Porque a vacinação deveria iniciar no dia 15 [de setembro] e, inclusive, foram feitas imunizações com vacinas fora das recomendações da Anvisa”, completou o chefe da pasta.

Motivos da mudança

Segundo o ministro, a mudança foi feita “por conta dos eventos adversos e porque o próprio Reino Unido retirou […]. A evidência científica não é sólida.”

Ele também explicou que os adolescentes que já tomaram a primeira dose não devem completar o esquema vacinal, a não ser que façam parte dos grupos prioritários. A nova orientação vale “até que se tenha mais evidências para seguir adiante.”

Já os adolescentes com comorbidades que receberam a primeira dose de imunizante diferente da Pfizer também terão o esquema vacinal interrompido, conforme a recomendação do Ministério.

“Não vou autorizar intercambialidade de doses nessa faixa etária”, afirmou Queiroga.

Como fica nos Estados

Após a divulgação dessa nova recomendação pela imprensa nesta quinta, as capitais Natal (RN) e Salvador (BA) já anunciaram a suspensão.

No Distrito Federal, o governador Ibaneis Rocha (MDB) afirmou ao R7 que o início da vacinação contra a Covid-19 para adolescentes a partir de 13 anos está suspenso. Minutos antes, Rocha havia anunciado a ampliação da campanha para essa faixa etária já nesta sexta-feira (17). Veja a publicação de Rocha na internet:

Ainda segundo o R7, Ibaneis terá nesta sexta-feira (17) uma reunião com o Ministério da Saúde para obter mais informações sobre o prosseguimento da imunização de adolescentes abaixo dos 18 anos. O chefe do Executivo assegurou que adolescentes de 14 e 15 anos continuarão a ser imunizados na capital federal.

Ao contrário, o governador de São Paulo, João Doria, disse que a vacinação de adolescentes continuará no Estado:

Em Goiânia,a prefeitura anunciou que vai manter a vacinação para adolescentes a partir dos 17 anos. Essa decisão estaria embasada na reunião da Comissão Intergestores Bipartite (CIB) realizada na manhã desta quinta-feira (16), na capital goiana.

Nova recomendação

O documento com a nova orientação, que consta no Sistema Eletrônico de Informação (SEI), diz que a “Secretaria Extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, na Nota Técnica nº 40/2021-SECOVID/GAB/SECOVID/MS, revisou a recomendação para imunização contra COVID-19 em adolescentes de 12 a 17 anos, restringindo o seu emprego somente aos adolescentes de 12 a 17 anos que apresentem deficiência permanente, comorbidades ou que estejam privados de liberdade, apesar da autorização pela Anvisa do uso da Vacina Cominarty (Pfizer/Biontech).”

No documento constam algumas justificativas para a não imunização do grupo, como: a Organização Mundial de Saúde não recomenda a imunização de criança e adolescente, com ou sem comorbidades; a maioria dos adolescentes sem comorbidades acometidos pela Covid-19 apresentam evolução benigna, apresentando-se assintomáticos ou oligossintomáticos; somente um imunizante foi avaliado em ECR; os benefícios da vacinação em adolescentes sem comorbidades ainda não estão claramente definidos.

O documento está assinado eletronicamente pela secretária extraordinária de Enfrentamento à Covid-19, Rosana Leite de Melo, em 15 de setembro, às 21h30.