Vacina contra a Covid-19 para adolescentes é segura e eficaz?

Confira o que apontam estudos e a perspectiva de médicos sobre a aplicação das vacinas contra a Covid-19 em adolescentes de 12 a 17 anos

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Felipe Bottamedi Florianópolis

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O ministro da Saúde, Marcelo Queiroga, pediu na última semana a suspensão da vacina contra a Covid-19 em adolescentes. A maior parte das secretarias estaduais de Saúde, incluso a de Santa Catarina, optou por manter o calendário por conta dos estudos de eficácia.

Nesta segunda-feira (20), o próprio Queiroga voltou atrás. Mas o ruído já tinha provocado desinformação. Afinal, a vacina Pfizer contra o novo coronavírus é segura e eficaz em adolescentes com mais de 12 anos?

Vacinação de adolescentes contra a Covid-19 foi alvo de ruído na última semana, após fala de ministroMinistro da Saúde voltou atrás e passou a, novamente, recomendar vacinação de todos os adolescentes – Foto: Breno Esaki/Secretaria de Saúde do Distrito Federal/Divulgação/ND

O biomédico imunologista Jefferson Russo Victor é enfático em dizer que sim. “Tivemos relato de apenas um caso grave no Brasil, que foi comprovado não ter relação com a vacina. Os relatos de efeitos adversos que preocupam são tão pouco frequentes que são difíceis de calcular – é menor que  0,005%”, diz Russo, que também é professor de medicina na Unisa (Universidade de Santo Amaro).

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O caso grave em questão é a morte de uma jovem paulista de 16 anos sete dias após tomar a vacina da Pfizer. Era também a principal justificativa de Queiroga. Na sexta-feira (17), um estudo conduzido por 70 especialistas apontou que a causa na verdade foi uma doença autoimune, grave e rara conhecida como PPT (Púrpura Trombótica Trombocitopênica) – sem relação com o imunizante.

“Agora não temos nenhum fator biológico ou científico que justifique a proibição ou alteração da norma da imunização. Há milhares de vacinados sem reação grave”, explica o médico.

O que dizem os estudos?

A Anvisa (Agência Nacional de Vigilância Sanitária) liberou apenas o imunizante da Pfizer para adolescente de 12 a 17 anos. Até o último dia 15, o órgão recebeu 32 notificação de efeitos adversos relacionados a Pfizer a serem investigados – em um universo de milhões de vacinados.

Nos Estados Unidos,  quase metade deste grupo já tinha tomado a primeira dose até o fim de julho. Um terço já completara o esquema vacinal. Para a liberação do imunizante dois estudos foram apresentados pela farmacêutica, publicados nos dias 11 de dezembro de 2020 (referente aos jovens com mais de 16 anos), e em 10 de maio (com resultados da aplicação entre adolescentes de 12 a 15).

A conclusão é que os benefícios são bem maiores que os riscos potenciais. Somente nesta última pesquisa, 2260 participantes foram observados. Destes 1132 foram de fato vacinados e outros 1129 receberam placebo – a escolha foi feita de forma aleatória. Foi constatado que a eficácia da vacina e a produção de anticorpos é tão alta como a registrada em adultos.

Quais efeitos a Pfizer provoca nos adolescentes?

Os efeitos colaterais são semelhantes aos que ocorrem em adultos, e duram de um a três dias – são as reações comuns do imunizante. Em adolescentes, eles são mais recorrentes após a D2: dor no local, cansaço, dor de cabeça, febre, dor no músculo, calafrios e dores nas articulações.

Russo destaca que, se levarmos em conta a experiência com outros imunizantes, crianças e adolescentes geralmente respondem melhor que os adultos. “A maioria absoluta dos imunizantes, cerca de 99%, são administradas em pessoas com até 14 anos. Eles respondem muito bem”.

Alérgicos, miocardites e pericardite

A Pfizer não recomenda o imunizante para pessoas com histórico de alergias severas, como anifilaxia ou aos componentes da vacinas. A farmacêutica considera as inflamações miocardite e pericardite como eventos adversos “extremamente raros”.

“Os casos ocorreram com mais frequência em homens jovens, após a segunda dose da vacina e em até 14 dias após a vacinação. Geralmente são casos leves e os indivíduos tendem a se recuperar dentro de um curto período após o tratamento padrão e repouso”, informa a farmacêutica.

“É importante alertar que a miocardite e a pericardite são mais comuns em pessoas com a infecção por Covid-19, e os danos ao coração podem ser graves após a infecção”, aponta o comunicado.

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