Paralelamente à Covid-19, a dengue também tornou-se ameaça e um desafio à saúde pública. Joinville, no Norte do Estado, atingiu uma marca preocupante esta semana, ultrapassando os 10 mil casos. Nesta quarta-feira, dia 9, o painel dengue da Prefeitura de Joinville marcava 10.566 casos com três mortes.
Na rede privada de Joinville há vacinas contra dengue disponíveis para venda – Foto: Ronaldo Daros/Divulgação NDPor conta disso, o município de Joinville pretende comprar a vacina da dengue. A quantidade ainda não está definida; vai depender dos resultados da aplicação dos testes rápidos.
Com o agravamento dos casos, o município já está se preparando para os próximos anos, segundo o secretário de Saúde de Joinville, Jean Rodrigues.
Seguir“Além de continuar combatendo o lixo a fim de evitar novos focos, estamos pensando nas pessoas que terão dengue com agravamento nos próximos anos. Por isso, entra a questão da vacina, que só pode ser aplicada em quem já teve a dengue, prevenindo que a próxima vez que tenha não seja hemorrágica”, explica o secretário.
O edital para compra do imunizante contra a dengue deve ser publicado em 60 dias e até outubro/novembro deste ano Joinville deve estar aplicando a vacina. Pelo menos essa é a expectativa.
Segundo Jean Rodrigues, a vacina da dengue não é cara e há pelo menos duas 0pções consolidadas no mercado (Sanofi Pasteur e Butantan), ambas com eficácia comprovada. Outras marcas que tiverem eficácia comprovada também poderão concorrer ao edital, que vai detalhar valores e características pretendentes do imunizante.
Por que não há vacina para quem nunca pegou dengue?
Como há pelo menos quatro configurações (sorotipos) do vírus, ou seja, a pessoa pode pegar até quatro vezes dengue, a composição da cepa é diferenciada e, por isso, não é possível fazer uma vacina para quem nunca pegou a doença.
“O grande desafio é a composição da cepa”, reforça o secretário da Saúde de Joinville, lembrando que a prioridade da vacina é evitar mortes.
Diante da epidemia, Jean Rodrigues renova o apelo à população: “a compra da vacina da dengue é o final do processo. O importante é atacar o início do processo, que é combater os focos e evitar pegar a doença.”
Testes rápidos
Hoje, Joinville tem uma estimativa de casos de dengue baseada em estatísticas de casos confirmados. Entretanto, com a compra de testes rápidos, haverá uma base de dados mais confiável.
A cidade pretende comprar cerca de 400 mil testes rápidos e vai aplicá-los em todas as pessoas que apresentarem sintomas.
Com os testes rápidos, a confirmação da doença ocorre em um período de 20 a 30 minutos após a coleta.
Essa é a primeira vez que esse tipo de teste será utilizado na rede pública de Joinville. O pregão para a compra ocorre no próximo dia 17 e a estimativa é de que os produtos comecem a ser disponibilizados nas unidades de saúde a partir de julho.
Vacina na rede privada
Enquanto a vacina não chega na rede pública, a rede privada de Joinville já conta com o imunizante contra dengue. Laboratórios e clínicas dispõem das doses, que custam entre R$ 240 a R$ 300 cada dose. São três doses com intervalo de seis meses para completar o ciclo de imunização e proteção ideal.
Estima-se que 70% das pessoas tiveram contato com a dengue e não sabem. São assintomáticos. Essas pessoas, por meio de um exame, podem se beneficiar da proteção da vacina.
Pessoas com câncer (precisa avaliar a fase do tratamento), gestantes e mulheres que estão amamentando não podem tomar a vacina.
Idade liberada para vacina
Pessoas entre 9 a 45 anos. Já há estudos avaliando a liberação para pessoas acima de 45 anos, porém, hoje, no Brasil e seguindo a bula, a vacina está autorizada dentro da faixa etária de 9 a 45 anos.
Para fazer a vacina na rede privada, é preciso prescrição médica e resultado do exame de sorologia, explica Juliane S. Dressel, enfermeira e proprietária de uma clínica particular em Joinville. A vacina é aplicada no braço.
Quanto a eventuais reações, Juliane comenta que a vacina tem uma tolerância muito boa, há pouquíssimos casos de reações em todos os pacientes que tomaram e são acompanhados pela clínica.
A vacina da dengue existe no mercado brasileiro há pelo menos quatro anos, mas ainda hoje muitas pessoas desconhecem, inclusive profissionais da saúde.
Juliane S. Dressel comentou que em anos anteriores a procura pela vacina da dengue em Joinville era quase zero. Hoje, no entanto, a clínica chega a vender cerca de 250 doses por mês.
Principais sintomas da dengue (Ministério da Saúde)
- Febre alta > 38.5ºC.
- Dores musculares intensas.
- Dor ao movimentar os olhos.
- Mal estar.
- Falta de apetite.
- Dor de cabeça.
- Manchas vermelhas no corpo.
Normalmente, a primeira manifestação da dengue é a febre alta (39° a 40°C), de início abrupto, que geralmente dura de 2 a 7 dias, acompanhada de dor de cabeça, dores no corpo e articulações, além de prostração, fraqueza, dor atrás dos olhos, erupção e coceira na pele. Perda de peso, náuseas e vômitos são comuns. Em alguns casos também apresenta manchas vermelhas na pele.
A forma grave da doença inclui dor abdominal intensa e contínua, vômitos persistentes e sangramento de mucosas. Ao apresentar os sintomas, é importante procurar um serviço de saúde para diagnóstico e tratamento adequados, todos oferecidos de forma integral e gratuita por meio do Sistema Único de Saúde (SUS).
Sinais de alerta
- Dor abdominal intensa e contínua, ou dor à palpação do abdome.
- Vômitos persistentes.
- Acumulação de líquidos (ascites, derrame pleural, derrame pericárdico).
- Sangramento de mucosa ou outra hemorragia.
- Aumento progressivo do hematócrito.
- Queda abrupta das plaquetas.
A epidemia em Joinville
Joinville vive uma epidemia de dengue e alcançou um novo número expressivo de casos confirmados nesta semana: a cidade ultrapassou os 10 mil casos da doença e ainda tem outros 5 mil em investigação.
Joinville ultrapassou os dez mil casos de dengue – Foto: Divulgação/FiocruzOs números preocupam, assim como a gravidade da doença. Em 2021, o município teve a primeira morte por dengue e, atualmente, já soma três óbitos. Além disso, o número de focos do mosquito Aedes aegypti também assusta: são mais de 7,4 mil contabilizados até agora.
Conforme o Painel da Dengue, plataforma da prefeitura que divulga dados sobre a doença, pessoas entre 20 e 50 anos são a maioria das vítimas. Porém, a doença também já alcançou 17 bebês menores de um ano e 931 idosos com mais de 60.
Os bairros da zona Sul têm concentrado a maioria dos casos confirmados, com o Petrópolis na dianteira, contabilizando 1.345. O Itaum também ultrapassou os mil casos, com 1.033.
- Colaborou Ronaldo Daros, repórter da NDTV Record Joinville.