Os casos de influenza estão crescendo em Chapecó e em todo estado de Santa Catarina e o cenário preocupa os órgãos públicos. Enquanto a vacinação na rede pública ainda não iniciou, nas clínicas particulares do país já estão com a vacina contra a gripe.
Vacina da gripe já está disponível na rede privada de Chapecó — Foto: Rovena Rosa/Agência Brasil/NDA vacinação na rede privada, em Chapecó, já iniciou com a vacina tetravalente, disponível para a população acima de 6 meses. Na rede pública da cidade, a previsão é para estar disponível em abril e será ofertada a versão trivalente do imunizante para os grupos prioritários estabelecidos pelo Ministério da Saúde.
“A vacinação contra a gripe se tornou uma barreira e cuidado muito importante para as pessoas não ficarem doentes. É a melhor ferramenta que a ciência dispõe no combate a doenças infecciosas como a gripe, que é uma doença grave, sistêmica e que impacta diretamente na qualidade de vida da população”, afirma Fabiana Funk, CEO da Prevenção Vacinas e presidente do Conselho de Administração da ABCVAC (Associação Brasileira das Clínicas de Vacinas).
SeguirNa esteira da influenza, destaca ela, vêm outras doenças que podem ser potencialmente graves, o que pode sobrecarregar os sistemas público e privado de saúde.
A gripe pode levar a consequências graves, principalmente na população acima de 60 anos, pois com o envelhecimento, o sistema imune passa por um processo natural de enfraquecimento, chamado imunossenescência.
“Como resultado desse declínio progressivo do sistema imunológico, o organismo fica mais suscetível a algumas doenças e infecções e pode também ocorrer diminuição da resposta vacinal. Como exemplo, um estudo demonstrou que idosos permaneceram com maior risco de AVC até dois meses após uma infecção pelo vírus influenza, o vírus da gripe. Além disso, pessoas com mais de 65 anos representam nove em dez óbitos e 63% das hospitalizações relacionadas à doença”, afirma Fabiana.
Comprovadamente, segundo a ABCVAC, a nova vacina tem proteção 24% superior contra a infecção por gripe em idosos, quando comparada com a vacina de dose padrão. Além disso, contribuiu para a redução de complicações decorrentes da doença, como diminuição de 27% de hospitalizações por pneumonia e de 18% nas internações por eventos cardiorrespiratórios.
Quem pode se vacinar na rede privada?
Todas as pessoas acima de 6 meses podem se vacinar na rede privada com a vacina quadrivalente contra a influenza. “Todas as pessoas que pertençam aos grupos prioritários, idosos, pessoas com comorbidades, podem se vacinar na rede pública com a vacina trivalente, mas isso não impede que estas pessoas optem por tomar a vacina quadrivalente na rede privada. Mas quem não faz parte dos grupos contemplados encontra ampla oferta na rede privada de vacinação”, esclarece Fabiana.
A especialista em vacinas ainda acrescenta: “Há ainda uma forte presença na vacinação empresarial, já que o Brasil possui ao menos 30 mil empresas com mais de 100 funcionários e isso totaliza 30 milhões para se vacinarem diretamente no mercado privado.”
Qual a diferença entre a vacina ofertada na rede pública e na rede privada?
Na rede privada a vacina é composta por quatro sorotipos diferentes de Influenza. A nova vacina também é quadrivalente e protege contra duas cepas de Influenza B e duas do Influenza A, apresentando quatro vezes mais antígenos, com diferencial de gerar maior estímulo ao sistema imunológico.
Na rede pública, é composta por três sorotipos diferentes de Influenza.
Os imunizantes utilizados no Sistema Único de Saúde (SUS) são trivalentes, produzidos pelo Instituto Butantan e distribuídos para toda a rede pública de saúde. A composição da vacina muda a cada ano, de acordo com as cepas do vírus que mais circulam no momento, informadas nas orientações da Organização Mundial da Saúde (OMS).