Vacinação infantil: SC destoa da região Sul e aparece abaixo da média nacional

Nota técnica encaminhada pela Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) mostra, com preocupação, a pouca cobertura vacinal entre as crianças; SC puxa esse índice para baixo

Foto de Diogo de Souza

Diogo de Souza Florianópolis

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A Fiocruz (Fundação Oswaldo Cruz) divulgou uma nota técnica, na última quarta-feira (16), que simboliza os primeiros 30 dias da vacinação infantil no País. E a conclusão é preocupante: a cobertura da 1ª dose no Brasil, nesse momento, ainda é baixa.

Santa Catarina, inclusive, aparece como um dos estados que puxa esse índice para baixo já que, nesse momento, está com o índice sob a média nacional.

Nota técnica assinada pela Fiocruz mostra preocupação com a baixa cobertura vacinal em todo o País; SC “ajuda” a puxar esse dado para baixo. – Foto: Leonardo Sousa/PMFNota técnica assinada pela Fiocruz mostra preocupação com a baixa cobertura vacinal em todo o País; SC “ajuda” a puxar esse dado para baixo. – Foto: Leonardo Sousa/PMF

O estudo, denominado Observatório Covid-19 Fiocruz, atribui a baixa cobertura vacinal às “informações falsas” que tem “provocado a resistência das famílias” acerca da eficácia da imunização.

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O resultado desse descrédito traz preocupação, conforme a nota, pois o baixo índice de crianças de 5 a 11 anos vacinadas com a primeira dose coloca em cheque o retorno das atividades escolares em modelo presencial.

Contexto preocupante

O documento apresenta um panorama atual da vacinação contra Covid-19 entre as crianças, aponta a grande heterogeneidade no nível subnacional e reforça a necessidade de articulação de todas as esferas de gestão para a expansão da cobertura vacinal no país.

Em um cenário em que apenas este grupo não está imunizado, ele se torna particularmente vulnerável à infecção e à disseminação do vírus, inclusive entre outros grupos etários.

Os pesquisadores citam que o crescente movimento antivacina possui contorno diferente daquele observado em outros países. “Trata-se aqui de um receio seletivo para a vacina contra a Covid-19. Mais do que nunca, cabe o devido esclarecimento à sociedade civil, com linguagem simples e acessível sobre a importância, efetividade e segurança das vacinas, envolvendo a responsabilidade de todos os níveis de gestão da saúde no país”, pontuam.

Nesse sentido, a volta às aulas é necessária, mas com a devida proteção às crianças. O documento destaca que a urgência, nesse momento, é por acelerar a distribuição de vacinas para todas as Unidades da Federação e o fortalecimento de uma rede colaborativa que faça os esclarecimentos necessários junto à população.

SC abaixo da linha nacional

Entre as unidades federativas do Brasil, apenas sete estão acima da média nacional, que é de 21% da aplicação das doses: Rio Grande do Norte (32,6%), Sergipe (23,9%), Espírito Santo (21,9%), São Paulo (28,1%), Paraná (28,6%), Rio Grande do Sul (23,2%) e o Distrito Federal (34,6%).

Gráfico mostra SC pouco a baixo da média nacional – Foto: Fiocruz/Divulgação/NDGráfico mostra SC pouco a baixo da média nacional – Foto: Fiocruz/Divulgação/ND

Santa Catarina fica atrás na região Sul onde, conforme mostra o índice, os estados vizinhos estão a frente da régua nacional. Os catarinenses aparecem com 20,25%, o que o coloca em uma posição inferior às unidades mencionadas.

Apagão de dados

O estudo, embora manifeste a preocupação com o baixo índice, faz uma ponderação envolvendo a possibilidade de “prejuízo” dos números, em função do apagão de dados do Ministério da Saúde, que durou  mais de 30 dias.

“É importante saber também que o apagão de dados, ocorrido entre dezembro de 2021 e janeiro de 2022, possivelmente, ainda traz repercussão. Há relatos frequentes de municípios que referem dificuldade em inserir os dados, e optam por fazer a notificação e o monitoramento apenas dentro de suas rotinas de vigilância, causando discrepâncias entre os dados oficiais do Ministério da Saúde e os das Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde”.