A aceleração dos casos de coronavírus em Joinville, no Norte de Santa Catarina, preocupa as autoridades, que podem decretar toque de recolher ainda nesta segunda-feira (8), como ação para frear a disseminação do vírus.
Caso suspeito foi atendido no dia 17 de fevereiro e infectologista alerta para explosão de casos – Foto: Carlos Júnior/NDPorém, o aumento de casos pode ser ainda maior nas próximas semanas, explica o infectologista do Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP (Universidade de São Paulo), Max Igor Lopes, após a notícia de que há, na cidade, um caso suspeito da variante inglesa do novo coronavírus.
A variante B.1.1.7 é considerada muito mais contagiosa e letal do que o vírus original. Resultados científicos sugerem que a variante pode ser de 50% a 70% mais contagiosa e de 30% a 40% mais letal.
SeguirAlém disso, o infectologista explica que após o surgimento da variante em uma comunidade, os casos “explodem” em até dois meses. O caso joinvilense foi atendido no dia 17 de fevereiro, o que sugere que a variante inglesa pode dominar a cidade em um mês.
“A partir do momento que ela é detectada, a variante começa a ser predominante em dois meses. Ela acaba sendo transmitida a ponto de quase todos os infectados terem sido contaminados com ela neste período. Identificar um caso às vezes indica que há um problema muito maior”, fala.
O especialista explica, ainda, que a transmissão dessa variante é muito mais intensa e a carga viral mais elevada, o que a torna tão perigosa. “A transmissão é maior, mais rápida, mais intensa. Então, a tolerância à falha é menor. O que acontece é que em um encontro com 10 pessoas, o vírus original pode contaminar de dois a três indivíduos, a variante inglesa pode contaminar oito, nove pessoas. A carga de vírus é maior e essa infecção leva a uma evolução mais grave”, diz.
Lopes diz, ainda, que há alguns questionamentos sobre como a alta transmissibilidade pode afetar todo o sistema de saúde e tornar a variante ainda mais mortal. “O número de casos explode e é preciso entender se isso não acaba refletindo na disfunção do serviço de saúde que colapsa e aumenta o número de mortes. Por outro lado, a letalidade precisa ser entendida pelo aspecto da transmissão com maior carga de vírus”, salienta.
Por isso, alerta o infectologista, é fundamental que as medidas restritivas se antecipem ao “caos” causado pela rápida transmissão da variante, que domina uma comunidade em apenas dois meses.
“O momento de ter maior restrição é antes, para restringir, também, a transmissão. Ninguém gosta de parar, mas é uma estratégia que funciona e, enquanto isso, há tempo para melhorar as outras, como isolamento, testagem. Isso favorece a implantação de outras políticas em um momento que ainda se pode fazer algo”, finaliza.