Varíola dos macacos em Joinville: veja sintomas, perfil dos casos, tratamento e isolamento

A cidade é a segunda com o maior número de casos em Santa Catarina, com 13 pessoas com diagnóstico confirmado

Juliane Guerreiro Joinville

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A cidade de Joinville, no Norte de Santa Catarina, é a segunda com o maior número de casos confirmados de varíola dos macacos no Estado. Com 13 pessoas contaminadas, fica atrás apenas de Florianópolis, com 34.

Joinville é a segunda cidade com maior número de casos de varíola dos macacos em SC – Foto: Freepik/ReproduçãoJoinville é a segunda cidade com maior número de casos de varíola dos macacos em SC – Foto: Freepik/Reprodução

Embora o número de casos seja muito pequeno se comparado aos recentes indicadores da pandemia do coronavírus, o momento é de alerta na cidade, segundo o secretário municipal de Saúde, Andrei Kolaceke.

“A situação exige cuidados e alerta constante para evitar que a disseminação aconteça de forma acelerada”, destaca. Segundo ele, Joinville iniciou o monitoramento da doença antes mesmo de a varíola dos macacos chegar ao Brasil, já que faz parte do CIEVS (Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde).

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“É uma doença endêmica da África que já existe há bastante tempo e, quando começou a se espalhar pelo mundo, começamos a fazer o monitoramento. Assim, quando o primeiro caso surgiu em Joinville, já tínhamos o plano de resposta pronto”, destaca.

Embora a doença não tenha alta letalidade – no Brasil foram registradas duas mortes – a preocupação é pela evolução incômoda ao paciente. “É um período de isolamento prolongado, com lesões na pele aparentes e que deixam marcas”, explica Andrei.

Além disso, não se descarta a possibilidade de complicações e óbito, principalmente se o paciente tiver comorbidades. Outro ponto é a questão socioeconômica diante do isolamento, que termina ao fim dos sintomas e, assim, pode chegar a até quatro semanas.

“A pessoa é obrigada a se afastar das atividades por um período relativamente longo. Se houvesse a disseminação descontrolada, teríamos um impacto bem grande na economia e na vida das pessoas”, avalia.

O cenário da varíola dos macacos em Joinville

Joinville contabiliza 13 casos confirmados de varíola dos macacos e, segundo o secretário, outros 25 estão em investigação. Entre as pessoas contaminadas, 12 são homens. Veja idades e regiões:

  1. Homem, 29 anos – zona Norte
  2. Homem, 39 anos – região Central
  3. Homem, 26 anos – zona Leste
  4. Homem, 22 anos – zona Sul
  5. Homem, 35 anos – zona Oeste
  6. Mulher, 38 anos – zona Leste
  7. Homem, 27 anos – zona Sul
  8. Homem, 28 anos – zona Leste
  9. Homem, 25 anos -zona Sul
  10. Homem, 21 anos – zona Leste
  11. Homem, 24 anos – zona Oeste
  12. Homem, 26 anos – zona Leste
  13. Homem, 39 anos – região Central

De acordo com o secretário, o perfil de maioria masculina é comum também no cenário mundial. “Existem estudos em andamento e ainda não existe um consenso, mas o que se vê é a prevalência de pacientes do sexo masculino e de jovens”, fala.

Apesar disso, a recomendação é para que todas as pessoas fiquem em alerta para a doença, cuja transmissão se dá pelo contato íntimo e de exposição prolongada, o que favorece a transmissão pela via sexual.

Lesões na pele são o sintoma diferencial da doença – Foto: Freepik/ReproduçãoLesões na pele são o sintoma diferencial da doença – Foto: Freepik/Reprodução

Quais são os sintomas e como funciona o tratamento

O secretário de Saúde explica que os sintomas da varíola dos macacos são muito semelhantes aos de outras viroses, o que dificulta o diagnóstico. O desafio é ainda maior porque as lesões de pele, que são um diferencial dessa doença, nem sempre aparecem logo no início dos sintomas.

Os sintomas mais comuns, além das lesões de pele, são dor de cabeça, febre alta e súbita e gânglios inchados pelo corpo. Diante do surgimento dos sinais, o paciente deve procurar uma unidade de saúde, onde o médico fará a avaliação clínica.

Caso haja suspeita de varíola dos macacos, é feita a coleta de sangue, que é encaminhada ao Lacen (Laboratório Central de Saúde Pública), em Florianópolis. Até o resultado sair, o que leva cerca de sete dias, o paciente deve ficar em isolamento.

Se o diagnóstico for positivo, o tratamento é feito o chamado tratamento de suporte, com medicamentos que amenizam os sintomas. “Não é no sentido de curar a doença porque ela é autolimitada, tem um período de desenvolvimento da fase ativa e costuma desaparecer sozinha”, diz.

O isolamento deve seguir até o fim completo dos sintomas. “As leões precisam ter cicatrizado completamente. Por isso, o isolamento é muito mais longo, podendo chegar a 21 dias ou a até quatro semanas se não houver remissão total dos sintomas”, ressalta o secretário.

Durante o período, o paciente é monitorado pela Secretaria de Saúde e ganha atestado médico. Além disso, as pessoas com as quais a pessoa contaminada teve contato também são monitoradas.

Por enquanto, ainda não se sabe quando a vacina para a doença, que teve aprovação provisória para importação, deve chegar ao município.

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