Os Estados Unidos declararam nesta quinta-feira(4) emergência de saúde pública devido à varíola dos macacos. Na mesma data, o governo de São Paulo anunciou uma série de medidas para conter o avanço da doença.
EUA declararam emergência de saúde à varíola dos macacos – Foto: Unsplash + CDC/Divulgação/NDSegundo a Agência de Notícias AFP, a decisão do governo americano permite que sejam destinados recursos, coleta de dados e mobilização de profissionais adicionais ao combate à doença.
Com validade de 90 dias e possibilidade de renovação, a emergência foi declarada no dia em que 6.600 casos foram registrados no país. Um quarto deles está no estado de Nova York. Especialistas acreditam em uma subnotificação porque, muitas vezes, os sintomas são brandos, como lesões simples.
Seguir“Estamos preparados para elevar a resposta a este vírus a outro patamar e instamos a todos os americanos a levar a sério a varíola dos macacos e assumir a responsabilidade de nos ajudar a enfrentar este vírus”, disse o secretário de Saúde e Serviços Humanos, Xavier Becerra.
Os Estados Unidos entregaram cerca de 600 mil doses da vacina comercializada como Jynneos na América do Norte (Imvanex na Europa), desenvolvida inicialmente contra a varíola humana. O número é baixo considerando que cerca de 1,6 milhão de pessoas estão no grupo de alto risco no país.
Cerca de 99% dos casos registrados nos Estados Unidos são de homens que têm relações sexuais com outros homens, informou o Departamento de Saúde na última semana. Esta é a população prioritária à vacinação.
São Paulo
Já na capital paulista, as medidas incluem deixar 93 hospitais e maternidades de retaguarda, ampliar a testagem e vigilância genômica nas redes pública e privada e criar um protocolo especial de atenção às gestantes que se infectarem. As informações foram divulgadas pelo portal UOL.
O Estado de São Paulo já confirmou 1.298 casos da doença, a maior parte no município de São Paulo – atualmente duas pessoas estão internadas.
Gestantes
Outra orientação feita pelo governo paulista é que puérperas (mulheres que acabaram de dar à luz) infectadas suspendam a amamentação por 14 dias para se precaverem da transmissão. De acordo com o governo, ainda não está claro se a doença pode ser transmitida por leite materno.
A decisão vem na mesma semana que o Ministério da Saúde divulgou por meio de nota técnica algumas orientações para profissionais da saúde, gestantes, lactantes e puérperas que apresentem sintomas ou casos positivos da varíola dos macacos.
Entre as primeiras recomendações feitas pelo Governo para gestantes está o afastamento de pessoas que apresentem sintomas suspeitos como febre e lesões de pele-mucosa.
A nota recomenda que, caso a grávida, puérpera ou lactante apresente algum sintoma suspeito, deverá procurar assistência médica para que se estabeleça diagnóstico clínico e, eventualmente, laboratorial.
Governo de SP orienta que puérperas (mulheres que acabaram de dar à luz) infectadas suspendam a amamentação por 14 dias para se precaverem da transmissão. – Foto: pexels/Divulgação/NDO governo paulista também anunciou a criação de um Centro de Controle e Integração. Nele, o estado diz que terá assessoramento no combate à varíola dos macacos além da projeção de cenários epidemiológicos, discussão de medidas e identificação de oportunidades para o combate à doença.
E em Santa Catarina?
Questionada, a SES/SC (Secretaria do Estado da Saúde de Santa Catarina) informou que está “desenvolvendo as estratégias e acompanhando os casos”.
Florianópolis
De acordo com a médica epidemiologista e gerente da Vigilância Epidemiológica de Florianópolis, Ana Cristina Vidor, a “sala de situação” local, com dados epidemiológicos aos profissionais de saúde, já faz o monitoramento e assessoramento às ações do governo.
“Sobre o apoio aos profissionais de saúde em Florianópolis nós já temos. Isto acontece pelo telefone da vigilância epidemiológica que está disponível 24h por dia, sete dias por semana para tirar dúvidas dos profissionais de saúde”, explicou.
Surgimento da doença
De acordo com um estudo feito por pesquisadores da Universidade de Oxford, da IDSA (Sociedade de Doenças Infecciosas da América) e da HIVMA (Associação de Medicina do HIV), o surto de varíola dos macacos gerou interesse internacional significativo.
Os pesquisadores definem a doença como “um vírus outrora negligenciado, endêmico da África Ocidental e Central”. O documento explica ainda que a varíola dos macacos foi identificada pela primeira vez em 1958 em primatas não humanos mantidos para pesquisa na Dinamarca.
O primeiro caso em humanos foi relatado em 1970 na República Democrática do Congo. Nos últimos 50 anos, surtos esporádicos têm sido relatados principalmente em países africanos. Os pesquisadores definem que lá há “milhares de casos humanos registrados”.
Os cientistas relatam ainda que há a preocupação de que o vírus da varíola dos macacos e outros “poxvírus zoonóticos” (grupo de vírus que infectam várias espécies de seres vivos, dentre eles cães, gatos, bovinos, caprinos, equinos, primatas não humanos e seres humanos) possam se expandir ao longo do tempo para preencher o lugar que era ocupado pelo vírus da varíola.
Cientistas já temiam avanço do vírus Monkeypox para ocupar o lugar da varíola comum – Foto: Cynthia S. Goldsmith/CDC/AFP/Divulgação/NDEles definem o surgimento da doença com os efeitos combinados de desmatamento, crescimento populacional, invasão de habitats de reservatórios de animais. Estes fatores listados pelos pesquisadores tornou o avanço da doença mais real nos últimos 20 anos.