Venda e preço de oxigênio disparam e item vital pode faltar em Joinville

Pesquisa recente aponta que 625 municípios do país correm o risco de falta de oxigênio e medicamentos

Foto de Drika Evarini

Drika Evarini Joinville

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A pandemia da Covid-19 transformou itens desconhecidos em protagonistas, entre eles, cilindros de oxigênio, que pouco eram vistos rotineiramente. Um cilindro pequeno com uso ininterrupto “dura”, em média, dois dias para pacientes que dependem de sua utilização para sobreviver.

Demanda por cilindros de oxigênio medicinal para uso doméstico cresce e Joinville já sente os reflexos – DivulgaçãoDemanda por cilindros de oxigênio medicinal para uso doméstico cresce e Joinville já sente os reflexos – Divulgação

A compra particular do oxigênio medicinal para uso doméstico é comum para o tratamento de diversas patologias e, há mais de um ano, para garantir a recuperação da Covid-19.

No entanto, o custo pesa no orçamento. O valor de um cilindro de oxigênio pequeno saltou de uma média de R$ 200 para R$ 400. Ou seja, em uma semana, um paciente que depende do oxigênio para viver pode gastar mais de R$ 1,2 mil.

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O aumento no número de casos e da gravidade da pandemia já tem refletido em problemas no abastecimento dos cilindros para as casas joinvilenses.

“Eles correm o risco de ficar sem, aliás, correm o risco não, já estão sem. As pessoas querem e precisam ter em casa, mas a produção não está dando conta da demanda”, fala Bruno Henrique Fonseca, empresário que fornece oxigênio medicinal residencial.

Uma das pessoas que precisa ter uma “reserva” em casa é a aposentada Celina Sell. Com comprometimento pulmonar há anos, a aposentada utiliza um concentrador de oxigênio, mas o aparelho quebrou e, nestes casos, a alternativa é o cilindro de oxigênio. Sem concentrador e sem cilindro, a autonomia de respiração da aposentada é de apenas 14 minutos.

“Quando meu concentrador está com problema, em emergência, eu isso o oxigênio. Ele me ajuda, apoia, faz o trabalho. Sem nada, eu não consigo. Ele ainda me faz viver. Não sinto dor, mas tenho aquela falta de ar”, fala.

Celina Sell tem autonomia pulmonar de apenas 14 minutos e sem concentrador ou cilindro não consegue sobreviver – Foto: Adriano Mendes/NDTVCelina Sell tem autonomia pulmonar de apenas 14 minutos e sem concentrador ou cilindro não consegue sobreviver – Foto: Adriano Mendes/NDTV

Pacientes como Celina correm o risco de ficar sem cilindros de oxigênio em casa. A demanda do uso doméstico particular cresceu vertiginosamente neste ano. De acordo com Bruno, na empresa o aumento foi sentido em fevereiro a logística precisou ser adaptada. “Até dezembro estava tudo tranquilo, em fevereiro começou a aumentar muito. Tínhamos um estoque de 500 cilindros de oxigênio medicinal, nós dobramos essa quantidade e ainda está faltando. Teria lista de espera, mas eu já oriento a procurar outro local”, explica.

Atualmente, a empresa de Bruno atende cerca de 150 pacientes assistidos por um plano de saúde e pouco mais de 10 pacientes que compram o produto de forma particular. Além disso, disponibiliza o oxigênio para UPAs da região Norte, além de clínicas particulares.

O aumento da demanda e da produção do oxigênio medicinal para dar conta da procura já começa a dar sinais de prejuízo na indústria, conta ele. “Empresas já reverteram os caminhões que transportavam industrial para o medicinal. Em longo prazo deve faltar para a indústria, um exemplo disso são fornecedoras, como a do município de Joinville, que parou a produção do industrial para potencializar o medicinal em algumas unidades fabris”, diz.

Segundo uma pesquisa realizada pela CNM (Confederação Nacional de Municípios), 625 dos 1.141 municípios do país correm o risco de falta de oxigênio e medicamentos do kit intubação.

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