O Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, em Gaspar, no Vale do Itajaí, virou alvo de uma polêmica após a suspeita de contaminação do oxigênio fornecido pela unidade de saúde durante a pandemia da Covid-19.
Vereador denuncia suspeita de contaminação de oxigênio em hospital de Gaspar – Foto: Divulgação/Reprodução/NDO caso foi aberto durante uma sessão do Poder Legislativo do município, em um pronunciamento do vereador Dionísio Bertoldi (PT-SC), que expôs um relatório sobre a possível contaminação do oxigênio fornecido aos pacientes.
Vereador Dionísio Bertoldi (PT-SC) – Foto: Divulgação/Câmara de Vereadores/Reprodução/ND“Nos deixa muito preocupado porque isso foi apresentado para a comissão, sob responsabilidade do prefeito. O prefeito em momento algum abriu uma sindicância para de fato investigar se isso era verídico ou não”, afirmou o vereador Dionísio Bertoldi à reportagem da NDTV Blumenau.
SeguirA vistoria foi realizada nove meses depois do hospital ter sido notificado sobre a retirada dos equipamentos e cilindros da empresa Messer Gases for Life, após o não pagamento de dívidas que alcançaram R$ 1 milhão. O relatório de vistoria do sistema de gases medicinais, realizado pela empresa Multitexi Assessoria e Projetos Ltda, no dia 23 de julho de 2020, apontou irregularidades.
Veja os itens abordados no relatório de vistoria do hospital
O documento assinado pelo engenheiro mecânico Luiz Carlos Rodrigues pontua que “a central produz ar contaminado por compressor de pistão inadequado”. O relatório apontou que não havia tratamento de ar comprimido medicinal quanto à qualidade do ar, que rede deveria estar contaminada e os pacientes deveriam estar recebendo ar contaminado.
“Encontramos a bomba de vácuo instalada ao lado da central de ar comprimida medicinal sendo este procedimento proibido. A bomba de vácuo que aspira o ar contaminado de todo o sistema do hospital descarrega o mesmo na própria sala onde será succionado o ar a comprimir, com tratamento adequado para envio no consumo dos pacientes. Fica perceptível que os contaminantes descarregados por um sistema são captados pelo outro, conforme descrito no sistema de ar comprimido medicinal”, indica o relatório.
O relatório ainda orientou a instituição a trocar a válvula geradora do sistema, ajustar urgente as tubulações de ligações dos chicotes, fazer nova ligação entre o regulador e a rede de distribuição, retirar a central de óxido nitroso, retirar a central de backup de ar comprimido medicinal e verificar aspectos de fixação dos cilindros.
Relatório aponta uma possível contaminação do oxigênio fornecido pela instituição hospitalar durante a pandemia da Covid-19 – Foto: Divulgação/Reprodução/NDBertoldi cobra providencias do legislativo municipal, já que o hospital está sob intervenção do município desde 2014. “A gente vai pegar toda a documentação, juntamente com o meu jurídico, e vamos protocolar no Ministério Público, no Tribunal de Contas, na Polícia Civil, para que se investigue tudo”, afirmou o vereador.
A assessoria de comunicação de Dionísio Bertoldi informou à reportagem do Portal ND+ que a denúncia está sendo finalizada e deve ser protocolada nos próximos dias.
O que diz o hospital?
O Hospital de Gaspar se manifestou e disse que não é correto afirmar que houve contaminação do oxigênio hospitalar. De acordo com a instituição, o laudo apresentado foi produzido com base na análise do sistema de compressão, e não em toda a rede.
O hospital afirma ainda que o próprio relatório identifica a existência de sistema de filtragem, secagem e purificação do ar comprimido, que não foi analisado. Segundo a instituição, a análise não foi feita diretamente na qualidade do oxigênio.
Após receber o laudo, o Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro realizou a substituição e adequação do sistema de compressão. A instituição alega que não houve registro de pacientes que apresentaram qualquer problema relacionado à contaminação por oxigênio e que o laudo foi contratado pelo próprio hospital.
“Não tem nenhum registro oficial e nem registro que conste alguma contaminação de algum paciente do hospital em nenhum período até hoje com problema de qualidade de oxigênio”, disse o presidente da comissão interventora do Hospital Nossa Senhora do Perpétuo Socorro, Marcus da Cruz.
“Tudo o que laudo apontou foi feito, tanto que a rede implantada na época está até hoje, a empresa está fornecendo oxigênio, a infraestrutura de ar comprimido ela tem um contrato de manutenção preventiva, está tudo em ordem, os filtros todos instalados. O próprio laudo mostra que tem filtro na rede e a gente não tem essa preocupação”, completa o presidente.
*Colaborou o repórter Moisés Stuker